Esportes, Libertadores

Grêmio vence River fora e joga por um empate para ir à final

Grêmio vence River fora e joga por um empate para ir à final
Gremistas comemoram gol de Michel em Nuñez. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Em entrevista no início desta semana, Renato Gaúcho disse que o Grêmio entra sempre para ganhar. Em qualquer lugar ou circunstância. Mesmo que seja no Monumental de Nuñez lotado. Com um gol de cabeça do volante Michel, o time brasileiro derrotou o River Plate em Buenos Aires nesta terça-feira (23) por 1 a 0 e ficou perto da classificação para a final da Libertadores.

Na partida de volta, no próximo dia 30, o Grêmio joga pelo empate para decidir o título. Se perder por um gol de diferença, a vaga será resolvida nos pênaltis.

A torcida do River Plate lotou o estádio e passou boa parte do jogo cantando músicas que variavam na melodia, mas tinham a mesma expressão na letra. O “pongan huevos”. Coloquem ovos, um pedido em gíria vulgar para que a equipe mostrasse raça.

Era mais frustração do que uma exigência. Os argentinos atuaram com vontade, mas não encontraram um jeito de superar os brasileiros. O Grêmio se defendeu porque não sabia como atacar. Com Jael isolado na frente, se apoiou em duas linhas defensivas para impedir o River Plate de ameaçar. Deu certo.

Renato Gaúcho pode dizer que não havia muito o que fazer. Quem há de contestá-lo? Entrou em campo sem suas duas peças mais perigosas na frente. Luan não se recuperou de ruptura parcial no ligamento da sola do pé direito. Everton –  artilheiro gremista na Libertadores, com cinco gols – ficou fora por lesão muscular na coxa direita.

O sistema de marcação funcionou porque o time visitante bloqueou todas as jogadas pelas laterais dos argentinos. O Grêmio esperava uma bola, uma falha de marcação do rival. Esta veio em cobrança de escanteio de Alisson que Michel desviou.

Foi o primeiro gol do volante depois de cinco meses afastado, em recuperação de lesão muscular. Michel voltou a jogar apenas no último sábado, contra o América-MG, pelo Campeonato Brasileiro.

Irritada com o sistema defensivo do rival, a torcida da casa se enfureceu como árbitro peruano Victor Carrillo – que, segundo os torcedores, inverteu faltas a favor do Grêmio. Quando Maicon derrubou Pinola e infração foi marcada para o River, milhares de pessoas explodiram em um aplauso irônico.

O Grêmio levou o adversário ao limite do desespero com paralisações da partida, catimbas e quedas em campo para atendimento médico. Cada vez que isso acontecia, o público no Monumental se voltava para os cerca de 3,5 mil torcedores visitantes, encurralados em um canto da arquibancada, para cantar que eram “cagões”.

“Cagão” é tudo o que o Grêmio não foi no Monumental. Disciplinado taticamente e com a fé cega no treinador, a equipe gaúcha ensaia se tornar o que foi o Boca Juniors no início do século, quando conquistou três títulos continentais em quatro anos (entre 2000 e 2003): um clube profissional em Libertadores, especialmente em partidas fora de casa.

Atual campeão e em busca do bi, o Grêmio quebrou invencibilidade do River Plate de um ano (dez jogos) no torneio.

Quanto mais o tempo passava, mais os comandados do técnico Marcelo Gallardo se enervavam e não justificavam a condição de elenco mais técnico e ofensivo do futebol argentino. O próprio Renato o considera superior ao Boca Juniors, que enfrenta o Palmeiras nesta quarta-feira. Com o pavor do rival, o Grêmio ficava mais e mais à vontade em campo.

“Não me importa se ganhe, não me importa se perca. Ponham ovos milionários (apelido do clube), onde esteja eu sempre estarei”, insistia em cantar o público no Monumental, em noite que a torcida do River Plate foi muito superior à sua equipe.

 

RIVER PLATE 0 X 1 GRÊMIO

Gol: Michel, aos 16 minutos do segundo tempo. Árbitro: Victor Carrillo (Peru). Estádio: Monumental de Nuñez, em Buenos Aires (Argentina), nesta terça-feira.

RIVER PLATE
Armani; Gonzalo Montiel, Maidana, Pinola, Casco; Ponzio (Enzo Pérez), Quintero, Ezequiel Palacios (Ignacio Fernández), Pity Martínez; Borré, Scocco (Lucas Pratto). Técnico: Marcelo Gallardo.

GRÊMIO
Marcelo Grohe; Leonardo, Geromel, Kannemann, Bruno Cortez; Michel, Maicon, Cícero, Ramiro (Thaciano), Alisson; Jael (Thonny Anderson). Técnico: Renato Gaúcho.

 

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