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Gravidez na adolescência cai 40% em 20 anos no ABC

O número de adolescentes entre 10 e 19 anos que foram mães nas cidades do ABC caiu 40% em 20 anos. De acordo com dados do Ministério da Saúde disponibilizados pelo DataSus, foram 7.048 nascimentos cujas mães estavam nessa faixa etária em 1995, contra 4.223 em 2015. Considerando apenas as meninas de 10 a 14 anos, a queda foi de 32,1%. Na faixa etária de 15 a 19 anos, a redução foi de 40,3%.

A Secretaria de Estado da Saúde divulgou ontem (22) que o número de mães adolescentes no Estado caiu 46% entre 1998 e 2016. O levantamento não apresenta dados separados por cidades, e desta forma, a reportagem do Diário Regional tabulou os dados disponíveis no DataSus em períodos próximos.

A Prefeitura de Santo André, cuja queda foi de 45% no período, informou por meio de nota que a Secretaria de Saúde avalia que a queda nos índices é fruto das ações de conscientização promovidas na rede municipal. “Dentro dos serviços públicos municipais são feitas reuniões educativas sobre sexualidade, voltadas para a população em geral, e em algumas unidades, especificamente para adolescentes. Essas orientações também são dadas em escolas.”

A rede disponibiliza também, respeitando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), consultas e medicamentos contraceptivos e fornece gratuitamente preservativos masculinos e femininos. No carnaval, as orientações sobre o uso do preservativo são reforçadas enfaticamente, por meio de campanhas, para prevenir principalmente as doenças sexualmente transmissíveis.

O diretor do Departamento de Atenção Básica de São Bernardo, Rodolfo Strufaldi, destacou que a cidade tem atuado com o Programa Saúde Escola (PES) para que os professores possam orientar os alunos desde os 10, 11 anos, sobre sexualidade e métodos contraceptivos. “No passado as pessoas não tinham relação sexual antes do casamento, hoje em dia tem cada vez mais cedo e têm filhos. A gente não pode fechar os olhos para isso, tem que tomar as medidas que são adequadas e o máximo que puder de prevenção”, afirmou.

A cidade registrou queda de 37,3% no número de mães adolescentes. O diretor lembra, ainda, que uma gravidez na adolescência, na maioria das vezes, atrapalha os planos de estudos e trabalho das jovens. “Em muitos casos a avó acaba criando o bebê, dada a pouca idade da mãe. E o pai, também com frequência, abandona mãe e criança”, destacou.

Acesso

Diadema, cuja queda foi de 29,2%, destacou que o resultado da cidade está relacionado à ações como a expansão da Estratégia Saúde da Família e a intensificação de ações em escola por meio do Programa Saúde na Escola (PSE). “Estas medidas ampliaram a acessibilidade dos usuários aos métodos contraceptivos disponíveis na Atenção Primária”, declarou a enfermeira da equipe técnica de apoio da Coordenação da Atenção Básica, Adriana Ferre.

Além de ofertar métodos contraceptivos injetáveis, orais, preservativos masculino e feminino e inserção de dispositivo intrauterino (DIU), Diadema desenvolve nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) grupos com adolescentes sobre a temática de saúde sexual e reprodutiva. O município também está em fase de adesão ao Projeto Linha de Cuidado para a Saúde da Adolescência e Juventude para o Sistema Único de Saúde (SUS), no Estado de São Paulo. O projeto visa potencializar a divulgação a respeito dos direitos sexuais e reprodutivos, integrando as ações de prevenção e promoção a saúde para este público.

Mauá, que registrou redução de 39,7% nos números, informou que as 23 UBSs facilitam o acesso da população aos serviços. “Com vistas à redução da mortalidade materna e infantil, houve um grande investimento em intensificar as ações de planejamento familiar e por consequência a maternidade desejada”, destacou a administração, por meio de nota.

“Outra ação importante que se soma a descrita acima são as oficinas de direito sexual e reprodutivo e prevenção das IST/AIDS, realizadas nas escolas através do Programa Saúde na Escola. Os indicadores apontam que a estratégia utilizada pelo município está sendo exitosa, em um trabalho intensificado da Secretaria de Saúde”, completou a nota. As prefeituras de São Caetano, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não comentaram os dados.

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