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Granulado de Doria vira polêmica antes de definição sobre proposta

Doria apresentou produto feito à base de alimentos perto da data de validade  no início do mês. Foto: Reprodução Twitter“Este é um produto abençoado”, disse no início do mês o prefeito João Doria (PSDB), antes de retirar de um pote com a imagem de Nossa Senhora e degustar o “granulado alimentar” – espécie de biscoito feito à base de alimentos perto da data de validade.

Anunciado pelo tucano como algo para ajudar a erradicar a fome em São Paulo e no país com apoio da Igreja Católica, o produto foi alvo de uma série de críticas de nutricionistas e chefes de cozinha, ganhando inclusive o apelido de “ração humana”.

A gestão, no entanto, ainda nem discutiu a iniciativa e não tem nem sequer estatísticas de quantas pessoas na cidade de São Paulo vivem em situação de insegurança alimentar. Dados do IBGE de 2013 apontam 1,5 milhão de pessoas nessa situação, em nível grave, em todo o Estado, e 7,2 milhões no país.

O prefeito, que se posiciona como candidato a presidente no ano que vem, prometeu que o produto será distribuído em igrejas, templos, entidades da sociedade civil e pela própria prefeitura. Doria o associou a um biscoito de polvilho, mas também foi chamado por ele como “comida de astronauta”.

Nesta segunda (16), o Conselho Regional de Nutrição, por exemplo, emitiu nota na qual condena a política. O granulado é um dos produtos derivados da farinata, farinha feita com alimentos perto da data de validade que seriam descartados por produtores ou revendedores. Idealizada pela organização Plataforma Sinergia (sem fins lucrativos), é usada para ser adicionada a bolos e pães ou como um ingrediente para “reforçar” sopas.

Os críticos defendem a tese de que o combate à fome deve ser feito com alimento in natura. Aliados políticos e pessoas próximas ao prefeito dizem que o erro dele foi a divulgação da medida associada à propaganda do produto, mas sem dar detalhes de como a ação será executada.

A secretária municipal de Direitos Humanos, Eloísa Arruda, afirmou que a discussão em torno do granulado deixou de lado o principal: a sanção do projeto -de autoria do vereador Gilberto Natalini (PV)- prevê a política de combate ao desperdício e erradicação da fome. “São milhões de alimentos de qualidade jogados no lixo diariamente. A política é para evitar isso”, disse.

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