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Governo e associações anunciam fim do motim de policiais no ES

Mulheres de PMs bloquearam a entrada do batalhão para impedir que saíssem. Foto: Tânia Rêgo/Agência BrasilAssociações de policiais militares e o governo do Espírito Santo entraram em acordo para o final do movimento que mantém há uma semana PMs e bombeiros militares fora das ruas. No documento, fica prevista a volta das atividades às 7h de hoje (11), em todos os batalhões e quarteis.

O governo estadual não atendeu ao pedido de reajuste, mas ficou de apresentar proposta no final de abril deste ano, caso a apuração das contas públicas e os resultados fiscais do Estado permitam. Este índice também seria oferecido a outras categorias do serviço publico estadual.

“Nossa intenção é dialogar com as esposas e os militares nos quarteis e levar esta proposta. O resultado final de movimentos semelhantes no passado foi traumático e não queremos que aqui tenha este fim. É preciso dar um voto de confiança à população capixaba que ela vai cobrar do governo o cumprimento de tudo que foi acordado. A população nos quer nas ruas”, disse Renato Martins Conceição, presidente da Associação de Cabos e Soldados.

A proposta não extingue os 703 inquéritos militares abertos contra os PMs amotinados por crimes de revolta, como apontado pelo secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, André Garcia. Os demais militares que voltarem ao trabalho às 7h de hoje, não sofrerão punições administrativas disciplinares.

Os policiais indiciados podem ser condenados a pena de 8 a 20 anos de prisão. Segundo a Secretaria de Segurança Pública disse pela manhã, eles deixarão de receber salário e escalas extras desde o sábado passado (4) até a volta ao trabalho. O Estado tem cerca de 10 mil PMs.

As mulheres de policiais também poderão ser responsabilizadas pela paralisação. Segundo o secretário, por solicitação do Ministério Público Federal, os familiares estão sendo identificados e poderão ser indiciados em um processo civil Como policiais militares são proibidos pela Constituição de fazer greve, as mulheres bloquearam a entrada de batalhões do Estado para impedir que saíssem para patrulhamento.

A pressão sobre elas, porém, já tinha aumentado mais cedo. Segundo policiais que não quiseram se identificar, as mulheres eram constantemente abordadas por colegas contrários ao movimento ameaçando tirá-las à força ou denunciar a presença de crianças ao conselho tutelar. “Está todo mundo nervoso. Em 2017, vivemos uma ditadura militar”, afirmou uma das mulheres.

O movimento, iniciado dia 3 provocou onda de violência no Estado, com saques e depredações, além de 127 assassinatos, segundo o Sindicato dos Policiais Civis.

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