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Governo do Espírito Santo anuncia indiciamento de 1.151 policiais

Familiares de PMs bloquearam a entrada do batalhão a fim de impedir que saiam para trabalhar. Foto: Tânia Rego/Agência BrasilA Polícia Militar do Espírito Santo ampliou para 1.151 o número de policiais indiciados pelo crime de motim e revolta, durante a crise de segurança que atinge o Estado. Ao todo, o Espírito Santo tem 10 mil PMs em seus quadros. Desde o dia 4, os portões do batalhões da PM estão bloqueados por acampamentos de familiares de policiais. As mulheres buscam impedir que os PMs saiam das unidades para trabalhar nas ruas. Reivindicam melhores condições de trabalho e reposição salarial. O novo número de indiciamentos consta no Boletim Geral da PM, que é interno, e foram confirmados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado.

PMs ouvidos pela reportagem são céticos quanto à capacidade do governo Estadual em processar mais de mil inquéritos em 60 dias, limite para a conclusão do Inquérito Policial Militar. Para os PMs, no entanto, a divulgação dos números serve para pressionar a volta ao trabalho dos militares. Caso sejam julgados e condenados, os militares podem pegar de 8 a 20 anos de prisão.

Inicialmente, o governo do Estado havia anunciado o inquérito de 703 policiais, mas o número agora aumentou devido à identificação de mais militares no motim.

Dos 1.151 PMs indiciados, 151 também responderão a processos administrativos, o que pode agilizar suas expulsões da corporação. Entre os que passarão por processo administrativo estão oficiais que defenderam o movimento de parentes de PMs que acampam diante dos portões dos batalhões. Dos 10 mil PMs no Estado, cerca de 2.400 estariam atuando nas ruas, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública.

Protesto

Um grupo de policiais militares protestou na manhã desta sexta (17) retirando parte de suas fardas e a lançaram dentro da cova em que foi sepultado o soldado André dos Santos, 22, que morreu em uma tentativa de assalto no município de Serra, vizinho à capital Vitória e o mais violento do Espírito Santo. A cerimônia de sepultamento do soldado ocorreu com honras militares, incluindo salvas de tiros e a execução do “toque de silêncio” na corneta.

Após as homenagens tradicionais, os militares que participavam das honras ao soldado retiraram a parte superior de suas fardas (que se usa sobre as camisetas) e as jogaram na cova ainda aberta para que fossem sepultadas junto com o corpo.

Segundo dados oficiais, só entre os dias 4 e 13 de fevereiro, 143 pessoas morreram vítimas de homicídios no Estado. Os números, no entanto, não contabilizam a morte de Santos.

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