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Governo autoriza Exército a conter paralisações

Governo autoriza Exército a conter paralisações
Temer: “O governo terá coragem de exercer sua autoridade em defesa do povo brasileiro”. Foto: Antonio Cruz/Abr

Diante da continuidade dos protestos dos caminhoneiros ontem (25), o governo agiu em diferentes frentes para tentar desmobilizar a manifestação por meio de ações policiais e judiciais. O presidente Michel Temer anunciou plano de segurança que autorizou o emprego das Forças Armadas para liberar as estradas federais. Porém, os manifestantes permaneceram nos acostamentos em mais de 500 pontos em rodovias de 25 estados e no Distrito Federal.

“Comunico que acionei as forças federais de segurança para desbloquear as estradas e solicitei aos senhores governadores que façam o mesmo”, disse o presidente. “O governo terá coragem de exercer sua autoridade em defesa do povo brasileiro.”

O governo – que avalia a suposta participação de empresários no movimento – editou decreto que estabelece a aplicação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em todo o país, ameaçou confiscar temporariamente caminhões e disse ter lista de 20 dirigentes de empresas a serem investigados.

Em outra frente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou o uso da força para desbloquear rodovias. A decisão foi tomada em caráter cautelar (preventivo), a pedido da Presidência da República.

A GLO, que permite uso das Forças Armadas para desbloquear rodovias, entrou em vigor ontem e vale até 4 de junho.

Com a medida, ministros anunciaram ainda no início da noite de ontem a liberação do acesso à Refinaria Duque de Caxias (Redc), no Rio, e ao porto de Santos, em São Paulo.

Disseram ainda que o número de obstruções em rodovias já havia sido reduzido em 45%. Restavam 519 bloqueios até a noite de ontem, mas nenhum deles representava obstrução total de estradas.

Tratando a greve como “guerra”, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que o movimento está diminuindo, apesar da circulação de informações que dizem o contrário. “A primeira vítima da guerra é a verdade”, afirmou.

Segundo reportagem da BBC, que tinha uma equipe na Reduc, a ação descrita pelo governo não surtiu efeito. Os caminhoneiros permaneciam no local. O protesto não obstruía a estrada, mas impedia a entrada de caminhões-tanques.

A polícia do Exército esteve no local, com viaturas e motocicletas para escoltar um caminhão-tanque a fim de assegurar o abastecimento do Exército, descreveu a BBC. Os manifestantes permaneceram nos acostamentos das estradas, em sua maioria, sem impedir o trânsito, seguindo recomendações das entidades de transportes.

Sangue

No início da tarde, o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, afirmou que o acordo firmado por outras entidades para pôr fim à mobilização e o uso da força não conseguiriam acabar com a paralisação e que poderia “correr sangue”, a depender do emprego de força.

Mais tarde, contemporizou e divulgou nota para pedir que os caminhoneiros deixassem as vias livres.

 

Querosene começou a chegar, mas oito aeroportos estavam parados

Alguns aeroportos que tinham falta de combustível conseguiram voltar a operar na noite de ontem (25) após receber caminhões de querosene, segundo informações da Infraero. Apesar disso, o aeroporto de Brasília e mais sete continuam parados.

No meio da tarde, o total de terminais sem combustível chegava a 12, incluindo os de lhéus (BA), Palmas (TO), Goiânia (GO) e Joinville (SC), que à noite já operam normalmente.

Os que continuavam com problema são: Carajás (PA), São José dos Campos (SP), Uberlândia (MG), Juazeiro do Norte (CE), Maceió (AL), Recife (PE) e João Pessoa (PB). Apesar da falta de combustível, todos os aeroportos estavam abertos, mas só decolavam aviões que já tinham reserva de querosene.

 

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