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Governador Pezão é preso sob suspeita de manter esquema de Cabral no Rio

Governador Pezão é preso sob suspeita de manter esquema de Cabral no Rio
Pesão é levado por agentes da Polícia Federal do Palácio Laranjeiras. Foto: Marcelo Fonseca/Folhapress

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), foi preso na manhã desta quinta-feira (29) na Operação Boca de Lobo, desdobramento da Lava Jato no estado. O chefe do Executivo é suspeito de ter participado e mantido o esquema de corrupção de seu antecessor, Sérgio Cabral (MDB), durante sua administração.

Pezão foi preso no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador. Antes de ser levado pelos agentes da Polícia Federal, tomou banho e café da manhã servido por garçons do governo. A primeira-dama Maria Lúcia Horta Jardim arrumou sua mala.

O governador ficará numa sala sem grades na Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói.

Pezão, 63, é o quarto ocupante do Palácio Guanabara a ser preso, sendo o primeiro a ser alvo no exercício do mandato. Antes dele foram alvos Cabral, e o ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho. Os dois últimos, por ações sem relação com a Lava Jato, mas com a Justiça Eleitoral, estão em liberdade. Outros oito mandados de prisão preventiva foram cumpridos na operação.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que, solto, o governador “poderia dificultar ainda mais a recuperação dos valores, além de dissipar o patrimônio adquirido em decorrência da prática criminosa”.

Pezão foi alvo de um mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Félix Fischer. Os governadores têm foro especial junto à corte com sede em Brasília.

Em entrevista, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse que se trata de um “esquema criminoso que ainda não cessou”. “A organização criminosa continua atuando, especialmente na lavagem de dinheiro, que consiste em ocultar ou dissimular o dinheiro”, afirmou.

Pezão foi apontado pelo economista Carlos Miranda, delator e gerente da propina de Cabral, como beneficiário de uma mesada de R$ 150 mil durante a gestão do ex-governador (2007 a 2014).

De acordo com a PGR, “há registros documentais, nos autos, do pagamento em espécie a Pezão de mais de R$ 25 milhões no período 2007 e 2015” – somam R$ 39 milhões em valores atualizados.

Segundo o relato de Miranda, o atual governador passou a pagar R$ 400 mil a Cabral quando assumiu o cargo em abril de 2014, após renúncia do aliado.

“Mesmo depois das prisões já feitas dos que lideraram até recentemente, houve nova liderança e nessa perspectiva que reponta a participação de Pezão, que assume a liderança deste esquema”, acrescentou.

Outros delatores também apontaram a continuidade do esquema na gestão Pezão, como o ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado Jonas Lopes e Álvaro Novis, operador financeiro.

Pezão vem sendo citado nas investigações sobre Cabral desde o ano passado. Referências a “Big foot”, “Pé” e outros apelidos similares foram encontradas nas anotações de Luiz Carlos Bezerra, espécie de carregador de mala de Miranda a partir de 2010.

Para Raquel Dodge, Pezão não apenas integrou o esquema de Cabral como “operou esquema de corrupção próprio, com seus próprios operadores financeiros”.

Em delação, o economista diz que o governador pediu para que o dinheiro fosse entregue a um dos sócios da JRO Pavimentação. A empresa pertence a Cláudio Fernandes Vidal e Luiz Alberto Gonçalves, que transferiu sua sede em 2005 para o município de Piraí, onde Pezão foi prefeito, após se aproximar dele. Os dois empresários também foram alvo da operação.

Outro suposto recebedor de propina para o governador era o ex-subsecretário de Comunicação Social da gestão Pezão, segundo Miranda. Marcelo Santos Amorim, ou Marcelinho, também recebeu recursos destinados ao emedebista. O suspeito é casado com uma sobrinha do político e também foi preso.

Também foram alvo o secretário estadual de Obras, José Iran Jr., e o ex-secretário de Governo Afonso Monnerat, já preso na Operação Furna da Onça.

O governador eleito do Rio, Wilson Witzel (PSC), afirmou que vai auditar os contratos da gestão do antecessor. Para ele, as prisões não atrapalham a transição.

Após a prisão, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) parabenizou o trabalho da Lava Jato. “Parabéns à Polícia Federal e ao Ministério Público por estarem realmente lutando contra a corrupção no Brasil. Vai ficar pior para os corruptos.”

 

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