Histórias da gente

Gina Soares: ‘ser mãe de três autistas é como viver uma guerra todos os dias’

Gina: “me sinto perdida e sem apoio; tudo é muito difícil”. Foto: Arquivo pessoal
Gina: “me sinto perdida e sem apoio; tudo é muito difícil”. Foto: Arquivo pessoal

Diademense destaca que a falta de estrutura da rede de atendimento dificulta o dia a dia de familiares de pessoas com TEA

A diademense Gina Soa­res de Couto faz parte do enorme grupo de pais e mães que re­clamam da falta de estrutura no atendimento a autistas por parte dos entes públicos. Mãe de Camila e Cauã Soares dos Santos, ambos com 11 anos, e Carlos Vinicius, de 17, todos com graus diferenciados de Transtorno do Espectro Autista (TEA), Gina e a família vive com o salário mínimo que o marido recebe e com benefício do INSS que conseguiu apenas para Camila.

“É muito gratificante ser mãe de autistas, mas é viver uma guerra todos os dias. É matar um leão por dia. A última vez que fui ao ginecologista foi no nascimento dos gêmeos. O pai dos meninos está muito doente e só posso contar com a ajuda da minha mãe, que usa andador. Para mim, tudo é muito difícil”, afirma.

Gina destaca que a rede de atendimento para pessoas com TEA é muito deficitária. “O atendimento no CAPS (Centro De Atenção Psicossocial) de Diadema está muito precário. Não é uma reclamação minha apenas. Temos um grupo com mais de cem mães que têm a mesma opinião. Não tenho atendimento médico e nem terapia para meus filhos. A terapia é feita apenas com crianças de 2 anos. Meus filhos são crianças agressivas, não falam e tem dificuldade de se alimentar. Enfim, me sinto sem apoio do município”, destacou.

Apesar de a prefeitura fornecer transporte para levar os menores para a instituição onde estudam, Gina afirma que cada um estuda em um horário em em uma escola – os gêmeos frequentam escolas de Diadema e o mais velho um colégio particular custeado pelo go­verno do Estado – e que, devido ao grau severo de TEA, tem de acompanhá-los. “Minha logística é muito difícil. Precisaria que pelo menos estudassem todos na mesma escola.”

Outra dificuldade da diademense é o deslocamento para a vizinha Santo André, a fim de buscar medicamentos de alto custo para os filhos. “Devido às condições de meus filhos é muito difícil encontrar alguém para deixá-los. Me sinto perdida. Tento a prefeitura. Tento a secretaria (de Assistência Social). Ninguém faz nada.”

A PREFEITURA

Questionada sobre a situação de Gina Soares, a adminis­tração municipal informou que “o estudante Cauã Soares dos Santos está regularmente matriculado na rede municipal, sendo assistido e beneficiado em seu direito à inclusão com todos os suportes previstos para esse atendimento. Desde 2017, o estudante vem sendo constantemente ava­liado e não são identificados elementos que justifiquem o seu atendimento na Educação Especial Exclusiva, condição necessária para o encami­nhamento para a Apae”.

Com relação a Camila Soares do Santos, a prefeitura informou que foi verificado que ela necessita da Educação Especial Exclusiva e, por isso, frequenta a Apae do município. “Ambos os adolescentes são acompa­nhados e atendidos pelo serviço da educação especial dentro do perfil que se beneficiam. Uma na escola especial exclusiva e outro na educação regular na perspectiva inclusiva”, destacou o governo municipal.

Com relação à vaga solici­tada na escola Gapi, localizada em São Bernardo, a Prefeitura de Diadema informou que trata-se de instituição privada que não mantém convênio com a administração municipal. Segundo a escola Gapi, o processo de matrícula está regu­lado pelo Governo do Estado de São Paulo e, atualmente, é disponibilizado ape­nas para crianças que residem no município de São Bernardo.

Atualmente Diadema ofe­re­ce as seguintes ações de aco­lhimento e tratamento: atendimentos com a equipe multidisciplinar (Psicólogo, Te­rapeuta Ocupacional, Enfermeiro, educador físico, neurologista oficineiro e aulas de dança); atendimento para a família em grupo e individual, atividades no território por meio das ações de arte e cultura, esporte e lazer; espaços de cultura por meio das linguagens circense, dança, música e teatro, cine­ma, museu e exposição; aulas de esporte e lazer, com oficina de basquete , futebol e natação monitorada no período de férias; além de passeios em centros culturais.

“Cada usuário tem um projeto terapêutico e participa das atividades de acordo com o projeto proposto”, afirmou.

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1 comentário

  1. Engraçado que a Prefeitura de Diadema, responde de uma maneira, a qual quem não vive a realidade acredita! Se de fato existem profissionais que fazem parte de equipe Multidisciplinar, onde estão? Onde encontrá-los? Com quem devemos falar? No meu caso, tem guias paradas no NAI a 11 meses, para encaminhamento da minha filha de 5 anos para Terapias na APAE, e nunca FUI COMUNICADA. E onde tem piscina e brincadeiras com monitores? Porque a informação não chega de fato, onde tem que chegar? Mais uma questão, nossos filhos só são Autistas nas férias?
    A mãe citada na matéria, tem 3 filhos Autistas Severos! Ela tem atendimento adequado para eles? E para ela?
    Sabemos a situação do CAPSI, sabemos que muitas mães, estão esperando por uma vaga, estão esperando uma chance para que seus filhos, sejam amparados pelo Poder Público.
    Lamentável. Em Diadema, existem muitos Autistas, e eles merecem Respeito e a VERDADE!

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