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Gilmar manda soltar suposto operador tucano Paulo Preto

Gilmar manda soltar suposto operador tucano Paulo Preto
Gilmar: “prisão configura constrangimento ilegal”. Foto: Arquivo

O ministro do STF Gilmar Mendes concedeu habeas corpus a Paulo Vieira, conhecido como Paulo Preto, apontado pela Lava Jato como operador do PSDB. O ex-diretor do Dersa foi preso preventivamente em 6 de abril pela Lava Jato em São Paulo, que investiga desvios de R$ 7,7 milhões nas obras do Rodoanel. O recurso era destinado ao realojamento de famílias desabrigadas para a construção do complexo, obra realizada no governo do tucano José Serra (2007-2010).

Mércia Ferreira Gomes, que prestou serviço ao Dersa no realojamento, relatou ter recebido ameaças ao longo de dois anos, incluindo ofertas de dinheiro para que se mantivesse calada em depoimentos. Ao conceder o habeas corpus, Gilmar afirma que “as três ameaças teriam ocorrido em via pública e são comprovadas apenas pelo depoimento de Mércia”.

Na decisão, Gilmar afirmou que a prisão configura constrangimento ilegal. “A justificação processual da prisão preventiva não encontra amparo em fatos. Aparentemente, a fundamentação da prisão preventiva não revela os reais propósitos da medida.” Gilmar já criticou diversas vezes o que considera “as alongadas prisões” preventivas da Lava Jato.

Além do processo sobre as desapropriações, o ex-diretor do Dersa também está citado em outros processo, na Lava Jato. Segundo procuradores, ele manteve na Suíça uma conta com US$ 34,4 milhões (R$ 123,8 milhões) e transferiu o montante para as Bahamas em 2016. Por isso, a defesa de Vieira teme que seja preso novamente e manteve os planos de negociar delação premiada.

Exceção

O engenheiro é uma exceção na Lava Jato: outros investigados que receberam propinas em contas no exterior, como o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) e o ex-diretor Paulo Roberto Costa, foram presos.

Com Vieira, ocorreu algo ainda mais grave, na avaliação de investigadores da Lava Jato: ele transferiu os recursos para as Bahamas, um paraíso fiscal no Caribe, quando a Suíça já havia apontado suspeitas de lavagem de dinheiro nas contas.

Documento das autoridades suíças revelado pela Folha de S.Paulo na última segunda (7) aponta que Paulo Preto abriu quatro contas num banco suíço 43 dias depois de assumir o cargo de diretor de engenharia da Dersa, em maio de 2007.Preto é suspeito de receber R$ 173 milhões de propina em obras da prefeitura de São Paulo.

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