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Gasolina cai ao menor valor desde outubro de 2011 na refinaria, mas não chega à bomba

Gasolina cai ao menor valor desde outubro de 2011 na refinaria, mas não chega à bomba
Segundo a pesquisa da ANP, preço da gasolina teve redução tímidas nos postos. Foto: Arquivo

A redução de 15% feita ontem (24) nas refinarias pela Petrobras levou o preço da gasolina ao nível nominal mais baixo desde outubro de 2011, mas ainda não será agora que o consumidor terá alívio expressivo no bolso. A queda da demanda, estoques com preços mais altos, pesados impostos e a mistura de 27% de etanol devem manter ainda por um bom tempo os preços próximos aos que vêm sendo cobrados atualmente nas bombas.

Na avaliação de especialistas, em meio à pandemia do coronavírus, mesmo sem o repasse total para o consumidor, os postos de abastecimento já estão sofrendo. Se a crise perdurar será inevitável para alguns fecharem as portas.

“O coronavírus reverteu uma lei da economia, de que quando o preço cai o consumo sobe. As vendas já despenca­ram 50% e, mesmo com a oferta grande de petróleo no mundo, o consumo continua caindo. Com os derivados é a mesma coisa”, avaliou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires.

Mesmo com a queda acumulada no ano de 40,5%, a gasolina teve reduções tímidas nas bombas dos postos. Em um mês caiu 1,12%, mostra levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Pires lembra que, além da drástica redução da demanda, com a população em quarentena, os postos de abastecimento também perdem receita com as lojas de conveniência fechadas por decreto em várias cidades, enquanto os custos permanecem os mesmos.

Na semana de 15 a 21 de março, último dado disponível na ANP, a média nacional do preço da gasolina nos postos era de R$ 4,486 o litro, sendo o maior preço registrado na região Sudeste (R$ 5,889) e o menor no Norte (R$ 3,620).

“A queda da demanda faz também os estoques durarem mais tempo. O que levava 15 dias para girar e chegar na ponta agora vai levar 30 dias ou mais”, informou.

“Para repassar o preço (o posto) vai demitir. Do jeito que anda a demanda vai demitir de qualquer jeito”, previu Pires, informando que, com o tempo, alguns postos já devem começar a reduzir mais o preço, para tentar atrair clientes, ou fecharão as portas.

Também para o analista da Ativa Investimentos Ilan Arbetman, não existe mágica nessa conta. Mesmo com o fechamento em alta do petróleo ontem, o mercado ainda está volátil e o preço continua abaixo de US$ 30 o barril, o que deixa o setor bem nervoso.

Arbetman avalia que, neste momento, as distribuidoras não podem abrir mão de nenhuma margem, já que os custos com uma série de serviços, suprimentos, fornecedores continuam os mesmos. “Estoques altos, mistura de etanol, impostos, tudo is­so pesa muito e, neste momento, o que está sen­do prepon­de­ran­te é a margem.”

O analista, porém, não vê espaço para a Petrobras fazer novos ajustes no curto prazo, depois de três anúncios de redução nos últimos dez dias, porque não vai querer comprometer ain­da mais o primeiro trimestre da companhia. Além disso, a estatal deve entender a dificuldade das distribuidoras e dela própria. “A Petrobras está vendo que o trimestre está mais complicado e não se sabe quando a crise vai acabar”, afirmou.

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