Arte & Lazer, Teatro

Garoto de 9 anos de São Caetano interpreta canção em peça inédita sobre a violência contra a mulher

Enrico tem apenas 9 anos. Foto: Agostinho D‘Avila/DivulgaçãoCom apenas 9 anos, Enrico Bezerra, natural de São Caetano, participa de “O Orgulho da Rua Parnell”, em cartaz na Verniz Galeria, em São Paulo, como intérprete da canção que abre o espetáculo. O texto (inédito no Brasil) é do inglês Sebastian Barry, sendo traduzido, produzido e dirigido por Darson Ribeiro.

O jovem cantor mostra sensibilidade e talento ao viver uma passagem como Billy Brady, filho mais velho (falecido) do casal protagonista da peça, que aparece em uma espécie de visão da mãe, interpretando ao vivo uma versão feita pelo diretor Darson Ribeiro para “Over My Shoulder”, de Michael Holbrook Penniman Jr. (Mika), ao som do piano de Marcos Aragoni.

Enrico Bezerra Carvalho – que ingressou no quinto ano do Ensino Fundamental – estuda piano há quatro anos, tendo iniciado em 2017 os estudos também de violino. Foi pelas aulas de musicalização no Espaço Cultural de Artes, onde frequenta desde 2014, que foi selecionado para sua primeira participação em um espetáculo profissional, “O Orgulho da Rua Parnell”.

Enrico integra também o coral do mesmo espaço, tendo participado dos musicais “A Noviça Rebelde” e “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Recentemente, ingressou-se no Grupo de Teatro Infantil da Fundação das Artes de São Caetano.

A peça

A peça é uma compilação de monólogos interconectados – interpretados por Alexandre Tigano e Claudiane Carvalho – onde um casal relata minuciosamente o resultado caótico de uma relação de amor que foi ceifada por um ato medonho de violência por parte do marido. A encenação, que tem ainda participação especial do garoto Enrico Bezerra (9 anos) como intérprete de uma canção, utiliza a ambientação natural da galeria como cenário e plateia (o público senta-se nos próprios móveis do antiquário, que também podem ser adquiridos).

O Orgulho da Rua Parnell narra 10 anos dessa complicada e também bela história de amor. Em movimentos delicados – quase paralisados – as personagens descrevem entre lágrimas, risos, tesão e orgulho tudo o que os levou à situação atual. São lembranças pesadas e até insanas, mas permeadas de um amor sem igual. A peça revela o grau de perigo, quase sempre perniciosamente velado, que existe na paixão e o estrago que isso pode provocar, caso esse sentimento seja sublimado ou potencializado em substituição às vontades próprias, fazendo do egoísmo uma arma fatal.

Na obra de Barry as limitações e o controle das emoções vêm no formato de prosa, ao mesmo tempo áspera e macia. Joe Brady é um ladrãozinho insignificante que tem o apelido de “homem-meio-dia”. Ele e sua esposa Janet vivem na periferia de Dublin, na Irlanda, e apesar da vida marginalizada mantêm orgulho de seu lifestyle, como ocorre com a maioria das personagens de Sebastian Barry.

No enredo, a derrota que marcou a desmoralizante desclassificação da Irlanda na Copa do Mundo de 1990, na Itália, cobrou seu preço. E parece que para o casal Joe e Janet a cobrança veio com juros altíssimos. Alguns anos se passaram e agora revelam a intimidade de um amor eterno, mas também a ruptura desastrosa do casamento.

Ela, mãe aos 16 anos, sofre para criar os três filhos. Ele, apelidado de “midday man”, vive à sombra e água fresca, roubando carros. Eles vão se aturando até que o primogênito Billy morre atropelado por um caminhão de cerveja. Este é talvez o início do fim, não só da relação, mas até mesmo do amor pela Irlanda. Será? Ao voltar para casa, após a quarta de final dos jogos, Joe quase mata a esposa, espancando-a. Desfacelada, e foge para um abrigo de mulheres, levando as crianças. Apesar da ausência do marido, ela vai reconstruindo sua vida, enquanto ele se afunda na heroína, nas prisões e sofre com a Aids.

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