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Funcionários do metrô e da CPTM desistem de realizar paralisação

Sindicato, ao ver que os metroviários estavam divididos, decidiu não fazer a greve. Foto: Reprodução/Site sindicatoOs sindicatos que representam os metroviários e ferroviários de São Paulo desistiram na noite desta segunda-feira (31) de entrar em greve a partir das 0h de hoje. A decisão foi tomada em diferentes sindicatos que representam as categorias.

Os metroviários são contrários ao processo de terceirização de serviços dentro da empresa (como a recente privatização da venda de bilhetes na linha 5-lilás) e a concessão da operação da linha 5-lilás, que liga o Capão Redondo até a estação Adolfo Pinheiro, na zona sul. A categoria é contrária também às reformas trabalhistas propostas pelo governo federal.

Em pouco mais de um mês, é a segunda vez que o sindicato dos metroviários se reúne para decidir por uma greve. A última vez foi em 29 de junho, quando a categoria decidiu não aderir à uma paralisação nacional contra as propostas federal de reforma trabalhista. A leitura da categoria era a de que as grandes frentes sindicais do país não haviam conseguir mobilizar trabalhadores suficientes para pressionar o governo e, se fizessem a greve, os metroviários estariam praticamente sozinhos. Os sindicatos que representavam os motoristas e cobradores de ônibus e os funcionários da CPTM haviam decidido não entrar em greve.

Na assembleia dos metroviários nesta segunda, ao ver que a classe estava dividida, decidiu não fazer a greve e houve tensão. O tumulto ocorreu porque os que queriam a paralisação pediram contagem individual dos votos.

O metrô paulista tem cerca de 9.200 funcionários, sendo que dois terços deles estão diretamente envolvidos na operação dos trens e estações, e transporta cerca de 4 milhões de pessoas (média mensal de 2016) pelas linhas 1-azul, 2-verde, 3-vermel ha, 5-lilás e 15-prata. A linha 4-amarela, opera sob concessão privada.

CPTM

Já os sindicatos que representam os trabalhadores da CPTM são contra o anúncio da empresa de corte de 3,51% dos salários de seus funcionários. A CPTM diz se apoiar em uma decisão judicial do TST (Tribunal Superior do Trabalho). Uma audiência na Justiça do Trabalho será feita amanhã e uma nova assembleia dos sindicatos será feita na quinta (3) para decidir por greve ou não.

Em 2011, após fazerem greve, os servidores da CPTM conseguiram obter no Tribunal Regional do Trabalho, o aumento de 3,51%. Porém, em março deste ano, a CPTM conseguiu recorrer do aumento dos 3,51% no TST, o que daria direito à companhia de não mais pagar o valor referente ao aumento de 2011. Os ferroviários, no entanto, dizem que a redução é irregular já que a sentença do TST deixa “ressalvadas da decisão as situações fatídicas já constituídas”.

Ou seja, para os funcionários, todos os reajustes salariais feitos desde 2011 e uma reforma salarial feita pela companhia em 2014, que contemplaram os 3,51%, constituíram um direito adquirido que não pode ser mudado, segundo a sentença. “A empresa ganhou (o processo), mas não levou”, resume um diretor de um dos sindicatos da categoria.

A redução dos valores, que deve acontecer a partir do salário referente à julho, afetaria todos os 8.500 funcionários da CPTM, representados por quatro sindicatos. A categoria estima que isso representaria uma redução de R$ 1,2 milhão por mês para a empresa. O salário base na CPTM é R$ 1.393,75, de ajudante de manutenção.

Na última sexta-feira (28), o Tribunal Regional do Trabalho propôs que a CPTM fatiasse até o final do ano os cortes nos salários dos funcionários e que em 2018 compense as perdas dos salários. A proposta foi aceita pelos funcionários que agora vão se reunir com a CPTM amanhã em nova audiência no TRT. A proposta enfraqueceu a articulação dos quatro sindicatos que representam os profissionais e acabou também tirando força da paralisação dos metroviários.

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