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Mandetta não aceita demissão de Wanderson: ‘Entramos juntos, sairemos juntos’

Formulador de estratégia contra a covid-19 pede demissão do Ministério da Saúde
Wanderson Oliveira chegou a se despediu dos colegas por meio de uma carta. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou nesta quarta-feira (15) que não aceitou o pedido de demissão do secretário nacional de Vigilância da pasta, Wanderson de Oliveira. Ao lado de Wanderson e do secretário executivo do ministério da Saúde, João Gabbardo, Mandetta afirmou que ele e sua equipe entraram juntos e só deixarão a pasta juntos.

“Entramos no ministério juntos, estamos no ministério juntos e sairemos do ministério juntos”, disse Mandetta, durante entrevista coletiva à imprensa sobre novo coronavírus que ocorre diariamente no Palácio do Planalto. “Estamos todos aqui juntos e misturados, mais um pouco”, afirmou em outro momento.

Apontado como um dos principais mentores da estratégia de combate ao novo coronavírus no governo, Wanderson enviou mensagem de despedida aos colegas pela manhã. Na carta, afirma que teve reunião com Mandetta e “sua saída estava programada para as próximas horas ou dias”. Oliveira diz que até uma demissão do ministro da Saúde pelo Twitter pode ocorrer.

“Hoje teve muito ruído por conta do Wanderson. Por causa de toda essa ambiência ele falou para o setor que iria sair. Aquilo virou, chegou lá para mim, eu falei que não aceito, o Wanderson está aqui. Vamos trabalhar juntos até o momento de sair juntos do Ministério da Saúde. Por isso fiz questão de vir nessa coletiva de hoje”, declarou Mandetta no início.

SUBSTITUTO

O presidente Jair Bolsonaro começou a procurar nomes para substituir Mandetta, com quem tem divergido publicamente sobre a estratégia de combate ao novo coronavírus. As consultas chegaram ao conhecimento do ministro – que, diante da situação constrangedora, avisou a equipe que será demitido.

O ministro admitiu haver “descompasso” entre as diretrizes da pasta e a posição de Bolsonaro. “São visões diferentes do mesmo problema. Se tivesse uma visão única seria um problema muito fácil de solucionar, mas não é.” Para ele, não se pode recomendar uso generalizado da cloroquina com base em “achismos”.

Com a tensão provocada pela esperada troca de Mandetta, a expectativa da demissão alimentou uma corrida entre aliados de Bolsonaro para a escolha de quem deverá comandar a Saúde neste momento de calamidade pública. Bolsonaristas não querem um político à frente da pasta.

Mandetta descobriu que seria demitido após receber ligações de colegas médicos sondados para o cargo. Foi então que montou uma operação para anunciar sua saída a subordinados e evitar mais desgaste. “Só Deus para entender o que querem fazer”, escreveu Oliveira na carta de despedida enviada aos colegas de ministério, após conversa com o ministro.

Até agora, parte da classe médica apoia o nome do oncologista Nelson Teich para a cadeira de Mandetta. Bolsonaro receberá Teich nesta quinta-feira. Um dos consultores da campanha de Bolsonaro, em 2018, Teich tem boa relação com empresários da saúde.

O argumento pró-Teich é o de que trará dados para destravar debates “politizados” sobre a Covid-19.

 

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