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Ford anuncia fechamento da fábrica de São Bernardo

Ford anuncia fechamento da fábrica de São Bernardo
Fábrica da Ford, em São Bernardo, produz o hatch New Fiesta e três modelos de caminhões, como o Cargo. Foto: Divulgação/Ford

A Ford anunciou nesta terça-feira (19) que vai encerrar a operação da fábrica de São Bernardo. Com a decisão, a montadora deixa de atuar no segmento de caminhões. O fechamento da unidade, que ocorrerá ao longo deste ano, representa a demissão de 2,8 mil trabalhadores, segundo estimativa do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

A fábrica é a mais antiga em operação no Brasil pela montadora, que também mantém planta de automóveis e comerciais leves em Camaçari (BA). No ABC são produzidos o hatch New Fiesta e os caminhões Cargo, F-4000 e F-350. Esses modelos serão vendidos até o final de seus estoques.

Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a marca ocupou no ano passado a quarta posição no segmento de caminhões, com 12,2% de participação, atrás de Mercedes-Benz (29,2%), Volkswagen (24,6%) e Volvo (13,9%).

No segmento de automóveis e comerciais leves, a marca ocupou a quarta colocação no ano passado, com 9,2% de participação, atrás de General Motors (17,6%), Volkswagen (14,9%) e Fiat (13,2%).

No ano passado, a planta produziu ao todo 42 mil veículos, o que representa menos de 20% da capacidade da fábrica. O volume representa 15% do total de veículos feitos pela marca no Brasil, que também tem fábricas em Camaçari (BA), onde são feitos Ka e EcoSport, e uma fábrica de motores em Taubaté.

Segundo a nota publicada no site global da empresa, o fim da operação representa “importante marco para o retorno à lucratividade sustentável de suas operações na América do Sul”. Em balanço referente ao ano passado, a Ford apresentou prejuízo de US$ 678 milhões no continente.

A Ford estima despesas não recorrentes de US$ 460 milhões em razão do fechamento da unidade. O montante inclui US$ 360 milhões a serem destinados ao pagamento das rescisões de funcionários, fornecedores e concessionários. Outros R$ 100 milhões referem-se à depreciação e amortização de ativos.

De acordo com a Ford, a decisão de deixar o mercado de caminhões foi tomada após vários meses de busca por alternativas, que incluíram a possibilidade de parcerias e venda da operação. “A manutenção do negócio teria exigido volume expressivo de investimentos para atender às necessidades do mercado e aos crescentes custos com itens regulatórios sem, no entanto, apresentar caminho viável para um negócio lucrativo e sustentável”, afirma a nota.

“Sabemos que essa decisão terá impacto significativo sobre os nossos funcionários de São Bernardo e, por isso, trabalharemos com nossos parceiros nos próximos passos”, disse o presidente da montadora para América do Sul, Lyle Watters, no comunicado. A Ford afirma ainda que dará apoio aos consumidores em relação a garantias, peças e assistência técnica.

Ainda segundo a montadora, o fechamento da fábrica de São Bernardo se junta a outras iniciativas recentes que fazem parte da reestruturação das operações em andamento na América do Sul, como a redução em mais de 20% dos custos referentes ao quadro de pessoal e da estrutura administrativa  no continente.

 

Movimento da Ford vem após ‘ameaça’ da GM

O anúncio do fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo, berço da indústria automotiva brasileira, ocorre menos de um mês após a General Motors divulgar comunicado aos seus funcionários ameaçando sair do país. O motivo também são os elevados prejuízos que o grupo alega registrar na América do Sul nos últimos três anos.

Em recente entrevista concedida ao Estado, contudo, o presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga, afirmou que as negociações com funcionários, fornecedores, revendedores e governos para aprovar um plano de viabilidade para os negócios no país “estão dando certo”. Também afirmou ver chances de a matriz americana aprovar plano de investimento de R$ 10 bilhões nas fábricas de São Caetano e São José dos Campos (SP).

Para o sócio da consultoria Bright, Paulo Cardamone, a decisão da Ford, “do ponto de vista financeiro, é correta e vai ajudar a melhorar seus resultados”. Com isso, o grupo poderá estar melhor preparado para a volta do crescimento do mercado brasileiro de veículos.

Em sua opinião, a fábrica do ABC é antiga e “provavelmente seria mais vantajoso construir uma nova do que modernizar essa planta” para receber produtos mais modernos. Além do mais, ressaltou, a maioria das fábricas novas foi construída com subsídios oferecidos pelos Estados.

Em 2018, as montadoras brasileiras receberam US$ 15 bilhões (R$ 54 bilhões) em empréstimos das matrizes, segundo dados do Banco Central. “Esse movimento significa que as matrizes precisam mandar oxigênio às filiais que estão morrendo afogadas”, disse o vice-presidente da Ford América do Sul, Rogelio Goldfarb. Nos anos de bonança, contudo, foram as subsidiárias locais que enviaram dinheiro para as matrizes. Em 2010, por exemplo, foram remetidos US$ 5,7 bilhões (R$ 20,5 bilhões) em lucro.

 

 

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