Esportes, Libertadores

Fluminense tenta apagar traumas no Maracanã por inédita taça da Libertadores

Equipe de Fernando Diniz vai em busca do primeiro título da competição, enquanto o Boca Juniors luta pela sétima taça

Fluminense tenta apagar traumas no Maracanã por inédito título da Libertadores contra o Boca
Fernando Diniz faz o reconhecimento do Maracanã nesta sexta-feira. Foto: Lucas Marçon/FFC

O Fluminense mais uma vez terá o Maracanã como palco de sua luta pelo inédito título da Copa Libertadores e a primeira conquista continental de sua história. Depois de perder a final para a LDU, em 2008, e ser derrotado novamente pelos equatorianos na decisão da Sul-Americana, no ano seguinte, os cariocas enfrentam o Boca Juniors neste sábado (4), às 17h (horário de Brasília), buscando exorcizar os traumas anteriores para alcançar a Glória Eterna.

A Libertadores tornou-se uma obsessão para os tricolores não somente pela possibilidade de erguer a taça pela primeira vez, mas também pela melancólico revés ocorrido 15 anos atrás. Depois de ser derrotado fora de casa por 4 a 2 pela LDU, o Fluminense venceu de virada, por 3 a 1, com três gols de Thiago Neves, e levou a decisão para os pênaltis. Os comandados de Renato Gaúcho acabaram sendo derrotados nas penalidades pelo mesmo placar, com Thiago Neves, Conca e Washington errando suas cobranças, deixando 86 mil pessoas engasgadas no Maracanã.

Coincidentemente, Fluminense e LDU reeditaram a final um ano depois, em 2009, pela Sul-Americana. No confronto de ida, o time carioca sofreu com a altitude de Quito e perdeu o confronto por 5 a 1. Na volta, novamente no Maracanã, a equipe tricolor venceu por 3 a 0, ficou a um gol de levar o jogo aos pênaltis e viu novamente o clube do Equador dar a volta olímpica no Rio.

A LDU se sagrou bicampeã da Sul-Americana no último sábado, ao derrotar o Fortaleza nos pênaltis, por 4 a 3, depois de empate por 1 a 1 no tempo normal.

Caso vença a decisão, o Fluminense se tornaria a o 26º clube a conquistar a Libertadores, o 11º no Brasil. O Boca, por sua vez, tenta igualar o número de troféus do também argentino Independiente (sete) e se tornar o maior campeão do torneio. Os países já decidiram a competição 15 vezes, com seis vitórias brasileiras e nove argentinas. Ao todo, são 25 títulos da Argentina, contra 22 do Brasil. Uruguai (8), Colômbia (3), Paraguai (3), Chile (1) e Equador (1) também já tiveram equipes campeãs.

DOCE LEMBRANÇA

Apesar de ter ficado com o vice, a campanha na Libertadores de 2008 guarda momentos emblemáticos para os torcedores do Fluminense. Um deles é justamente os confrontos com o Boca Juniors na semifinal daquele ano. Na Argentina, Riquelme marcou duas vezes para os donos da casa, mas Thiago Neves e Thiago Silva garantiram o empate. No Maracanã, a equipe tricolor saiu atrás do placar, virou para 3 a 1 e garantiu a classificação para a final inédita eliminando os campeões do ano anterior, repetindo um feito que apenas o Santos de Pelé havia conseguido.

Washington, que havia sido o herói da classificação nas quartas de final contra o São Paulo, fez o gol de empate no Maracanã contra o Boca. Conhecido pelo faro artilheiro dentro da grande área, o centroavante surpreendeu a todos ao acertar uma linda cobrança de falta. Aos 48 anos, o ex-centroavante atualmente trabalha como secretário executivo de Esportes em Sergipe.

“O jogo estava muito difícil. Eu não era um exímio batedor de falta, mas treinava muito e estava confiante”, lembra Washington. “Naquele ano nós fizemos história. Infelizmente não conseguimos o título, mas o torcedor tem grande carinho com a gente. Fico muito feliz por estar no rol de ídolos e resgatar a paixão do tricolor pelo Fluminense.”

Se o Fluminense de 2008 tinha nomes de peso, como Thiago Silva, Thiago Neves, Conca, Dodô e o próprio Washington, o time de 2023 não fica atrás e conta com a experiência de Marcelo, Fábio, Felipe Melo e Ganso, além do artilheiro Cano e da joia André. À beira do gramado, Fernando Diniz faz trabalho de destaque, que o levou a ser escolhido pela CBF para ser o treinador interino da seleção brasileira. Para Washington, o Fluminense atual se assemelha com o de 15 anos atrás pelo fato de jogar visando o ataque e, por isso, é favorito ao título. Contudo, ressalta os perigos do adversário.

“Estou muito confiante de que o título virá neste ano, apesar de o Boca ser um grande adversário. É um time multicampeão, acostumado a títulos”, diz. “Eles vão se fechar, marcar forte, catimba’ o jogo e, se precisar, levar para os pênaltis, como fizeram nas últimas fases. O Fluminense tem de se preocupar em não levar gol. Essa será a maior dificuldade.”

TERROR DOS BRASILEIROS

O Boca Juniors de 2023 está longe de ser aquela equipe que encantou o futebol sul-americano nos anos 2000, mas o peso de sua camisa e a capacidade de controlar as emoções das partidas, sempre apoiados pela fanática torcida, fizeram a equipe chegar à final da Libertadores, ainda que aos trancos e barrancos. O time argentino se classificou nas penalidades em todas as fases eliminatórias, eliminando o Palmeiras, no Allianz Parque, na semifinal.

Na história da Libertadores, o Boca Juniors disputou seis finais contra equipes brasileiras e saiu vitorioso em quatro oportunidades: em 2007, 2003, 2000 e 1977, tendo como vices Grêmio, Santos, Palmeiras e Cruzeiro, respectivamente. Os únicos brasileiros a derrotar o Boca em uma decisão de Libertadores foram o Corinthians, em 2012, e o Santos de Pelé, em 1963. Em 2012, o Fluminense enfrentou os argentinos nas quartas de final e foi eliminado ao empatar por 1 a 1, no Rio, depois de uma derrota por 1 a 0, fora.

Os destaques da equipe são o experiente goleiro Sergio Romero, que defendeu ao menos duas cobranças em todas as disputas por pênaltis na edição deste ano; o astro Edinson Cavani, segundo maior artilheiro da seleção uruguaia; e a promessa Valentín Barco, de apenas 19 anos, considerado o melhor jogador do time. À imprensa argentina, a revelação demonstra confiança às vésperas do confronto e afirma que o Boca vai se sentir “em casa” no Maracanã.

A final da Copa Libertadores 2023 acontece neste sábado, às 17h (horário de Brasília), no Maracanã. O duelo será decidido em jogo único. Em caso de empate no tempo normal e na prorrogação, a disputa irá para os pênaltis. O confronto será transmitido pela Globo (TV aberta), ESPN (fechada) e Star+ (streaming).

Print Friendly, PDF & Email

Deixe eu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*