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Filippi diz que encontrou a saúde à beira do colapso e cenário de terra arrasada

Filippi: “Nem se a pandemia tivesse acabado teríamos condições de voltar às aulas antes diante do completo abandono”. Foto: Divulgação
Filippi: “Nem se a pandemia tivesse acabado teríamos condições de voltar às aulas antes diante do completo abandono”. Foto: Divulgação

Em entrevista exclusiva ao Diário Regional, o prefeito de Diadema, José de Filippi (PT), afirmou que encontrou o sistema de saúde à beira do colapso e os demais setores em cenário de “terra arrasada”. Disse, ainda, que havia dívida de R$ 132 milhões em restos a pagar e somente caixa de R$ 400 mil. O prefeito destacou que teve de mobilizar sua equipe para não parar os serviços essen­ciais, pois a maioria dos contratos estava vencida. O chefe do Executivo lamentou a decisão unilateral do governo estadual em fechar o IML da cidade e garantiu que fará o máximo para
manter esse serviço em Diadema, que será transferido para São Bernardo do Campo. Confirmou, também, que está à procura de um imóvel para instalação do novo hospital municipal.

Após completar 60 dias de governo e sob o impacto da pandemia,  como o senhor encontrou o sistema de saúde?  O cenário encontrado influenciou o atendimento de pacientes de covid?

 Encontramos o sistema de saúde à beira de um colapso e funcionando graças ao empenho e dedicação dos profissionais. Para dificultar, todos os contratos da prefeitura, entre eles os da Saúde, foram finalizados pela gestão anterior no dia 31 de dezembro. Isso significa que tivemos que correr contra o tempo para não paralisar os serviços prestados pela prefeitura em todas as áreas. Além disso, nos deparamos com a falta de planejamento e ações que também tornaram o nosso trabalho ainda mais desafiador: não foi criado nenhum leito de UTI e enfermaria no ano passado.

Apesar de todas as dificuldades, a equipe da Secretaria da Saúde, sob a coordenação da dra. Rejane Calixto, nossa secretária, é muito experiente e capacitada e conseguiu minimizar os impactos desse cenário devastador que encontramos no sistema de saúde. Tanto que conseguimos abrir 18 novos leitos de enfermaria no Quarteirão da Saúde e estamos finalizando a implantação de 20 novos leitos de UTI no Hospital Municipal.

 Diadema tem profissionais de saúde e equipamentos suficientes para atender a demanda normal e da pandemia?

Diadema possui uma rede de equipamentos de saúde que consegue dar conta de toda a cidade. Possuímos 20 UBSs que abrangem todo o território de maneira eficiente. Claro, que depois de 8 anos de completo abandono da saúde as Unidades Básicas precisam de reparos e ajustes que vão desde elevadores quebrados à falta de remédios. E tudo isso vamos resolver ao longo dos próximos meses.

O Hospital Municipal funciona hoje em um prédio que já passou do prazo de validade e já estamos procurando outro espaço mais adequado. Ainda sobre equipamentos de saúde, não dá para deixar de falar no Quarteirão da Saúde que hoje é subaproveitado e que já estamos em conversa com o Governo do Estado para finalmente colocar para funcionar o andar destinado à rede Lucy Montoro. Sobre o número de profissionais, teremos que contratar mais gente para atender os novos leitos de UTI que forem sendo abertos.

 A ocupação de leitos está no limite e houve morte na fila de espera. Existe plano a curto prazo para aumento de leitos?

 Estamos implantando 20 novos leitos de UTI no Hospital Municipal e já estamos estudando outros espaços. Mas nunca haverá leito suficiente se a população não se conscientizar. Os 18 leitos de enfermaria no Quarteirão mesmo. No mesmo dia que abrimos, já estava quase lotado.

 Quais ações destaca no controle da pandemia?

No primeiro dia do nosso governo, lançamos a campanha Sua Vida Importa Pra Mim. Uma mensagem forte para trabalhar com a necessidade de conscientizar a população. Temos passado pelos núcleos e centros de bairro com carro de som reforçando a importância do uso de máscara e medidas de distanciamento. Abrimos novos leitos de enfermaria e estamos finalizando a implantação de novos leitos de UTI. Ou seja, enquanto estamos trabalhando com a conscientização também estamos tomando atitudes práticas. Tanto que a nossa campanha de vacinação foi destaque positivo na imprensa pela organização

 A prefeitura pretende comprar vacinas para grupos que neste momento estão fora do plano nacional de vacinação?

 Estamos entrando em todas as filas que existem para conseguir mais vacinas. Seja de maneira direta _ com a prefeitura negociando com os laboratórios -, seja por meio do Consórcio e da Frente Nacional de Prefeitos. É praticamente consenso em todas as prefeituras que depender exclusivamente do Governo Federal não está sendo suficiente para conseguirmos a quantidade de vacinas que atenda a população.

 Como a prefeitura pode intensificar a fiscalização durante a fase emergencial?

Quando chegamos na Prefeitura, nem o telefone 0800 da Guarda Municipal funcionava. Ou seja, quando a população ligava para reclamar, chamava até cair. Já começou a funcionar nesta semana o 0800.7705.559, com quatro atendentes operando 24h. Enquanto isso, iniciamos um trabalho de inteligência junto à Polícia Civil para identificar quem financiava os pancadões. Já notificamos alguns deles e vamos começar a multar e a fechar os estabelecimentos. Também iniciamos um trabalho preventivo que impediu a realização de alguns pancadões na Rua Itália, 18 de Agosto, Torre, Gazuza, entre outros. Mas neste final de semana, 20/03, ampliamos o número de ações preventivas contra a realização de pancadões. Porque não é a loja de sapatos que recebe 5, 6 pessoas por dia que está espalhando o coronavírus, é o pessoal que vai para festa, bares e aglomerações. Tanto que a idade média de vítimas da covid-19 caiu drasticamente.

 A campanha Sua vida Importa tem dado o resultado esperado?

A campanha Sua Vida Importa Pra Mim tem tido resultados positivos. A Secretaria de Segurança Alimentar fez um trabalho muito importante de conscientização nas feiras livres, com entrega de máscaras e mensagem de carro de som focado neste público. Mas percebemos que alguns setores da sociedade não quer ouvir. E com relação a eles, seremos mais contundentes.

 O senhor pretende continuar o projeto do novo hospital?

Desde a primeira semana de janeiro estou procurando imóveis que atendam as especificidades para a implantação de um novo hospital para adultos e um novo hospital para crianças. Esse foi um compromisso que consta no nosso programa de governo e que estamos muito empenhados em cumprir.

Qual o impacto da pandemia nos demais setores da administração?

O combate à pandemia é a grande prioridade neste momento. Afinal, não se pode recuperar vidas perdidas. Alguns projetos que estávamos prevendo para o primeiro semestre estão sendo adiados por conta disso, mas todos eles estão em andamento. Um dos principais impactos que percebemos é o empobrecimento da população após um ano praticamente perdido. Para tentar mitigar essa situação, estamos lançando no dia 27/03 a campanha de arrecadação de alimentos intitulada Sua Vida Importa Pra mim e Sua Fome me Incomoda. Uma iniciativa do Comitê de Combate à Fome da Prefeitura de Diadema, instituído por decreto e composto pelo Fundo Social de Solidariedade e pelas Secretarias de Assistência Social, Segurança Alimentar, Habitação, Educação, Governo, Planejamento, Desenvolvimento Econômico, Cultura e Comunicação. O lançamento será realizado durante o 1º Festival de Cultura Solidária, que vai reunir alguns artistas de cidade em uma live nas redes sociais oficiais da Prefeitura com o objetivo de convocar todos os setores da sociedade para ajudar aqueles que mais precisam.

 Qual análise o sr faz desses primeiros meses de governo, com base no que encontrou da administração Lauro Michels?

A situação que encontramos foi de terra arrasada. Com saldo de R$ 132 milhões em restos a pagar do ano passado e apenas cerca de R$ 400 mil disponíveis em caixa.  Fornecedores batendo à porta para cobrar pagamento, todos os contratos vencidos, os equipamentos públicos sucateados e o mato tomando conta da cidade. Para se ter uma ideia, não tinha nem papel higiênico nos banheiros e os funcionários precisavam fazer vaquinha para comprar. O estado das escolas municipais era de dar vergonha. Nem se a pandemia tivesse acabado teríamos condições de voltar às aulas antes diante da situação de completo abandono.

Analisando tudo isso, acho que fizemos um verdadeiro milagre. Neste sentido, quero parabenizar todos os secretários e secretárias pelo empenho desses primeiros meses. Temos trabalhado incansavelmente para resolver os problemas mais emergenciais e a partir disso implantar nossas propostas. Muita coisa já foi resolvida, ainda falta muito, mas dedicação é o que não falta em toda nossa equipe. É como sempre digo, ninguém faz nada sozinho.

Existe algum plano em curto e médio prazos para minimizar os efeitos da pandemia nas finanças do município e na economia – ajuda a empresas, retomada do crescimento, entre outros?

A primeira medida já estamos tomando, que é colocar a casa em ordem. Herdamos R$ 1 bilhão em dívidas deixadas pela gestão passada. O valor do passivo, que engloba obrigações de curto e longo prazos, é praticamente a quantia que o município arrecada em um ano.

Para sair dessa situação, enviamos o reparcelamento dos débitos com o Ipred e contingenciou 75,9% do orçamento. Na semana passada, enviamos à Câmara projeto que cria fundo para quitação de restos a pagar. A medida visa reservar receita para garantir o cumprimento de obrigações a curto prazo e evitar a interrupção da prestação de serviços públicos.

Paralelamente, estamos trabalhando para gerar novas receitas e atrair investimentos. Com relação à ajuda aos setores mais prejudicados, a Prefeitura de Diadema possui parceria com o Banco do Povo para concessão de crédito facilitada aos setores mais afetados pela pandemia. Também tem orientado os micro e pequenos empresários na solicitação de linha de crédito emergencial pelo Banco Desenvolve SP.

 Com exceção da área da saúde, quais as maiores demandas do município encontrada pelo seu governo?

A geração de emprego, a melhoria do transporte público e o problema dos pancadões são, sem dúvida, as principais demandas da população depois da saúde. Na primeira questão, estamos finalizando alguns projetos que vão possibilitar a abertura de novas vagas na cidade. Logo poderemos anunciar.

O segundo tema já está avançando com a troca da empresa responsável, uma fiscalização mais efetiva e a chegada de novos ônibus. Estamos trabalhando com a reorganização de linhas para diminuir o tempo de espera dos passageiros e vamos instalar mais abrigos. Sobre a questão dos pancadões, estamos investindo na inteligência e na prevenção. É um problema que se arrasta há anos e não dá para resolver em 60 dias, mas nas próximas semanas a população já vai notar a diferença.

 Quais projetos pretende implementar em curto prazo?

Apesar da pandemia, nossos secretários e secretárias estão trabalhando a todo vapor para tirar do papel as propostas que constam no Programa de Governo. Vou citar apenas alguns projetos, mas todas as secretarias estão com planos ousados. A curto prazo já iniciamos a primeira fase do programa Jogue Limpo com Diadema, que prevê a limpeza de toda a cidade. Na segunda etapa, vamos ampliar o número de pessoas envolvidas no projeto, criar novos Ecopontos e implantar a coleta seletiva. Na Assistência Social, já estamos adequando o novo local onde vamos transferir o Centro Pop, que atende a população em situação de rua, com oferta de oficinas, cursos e mais infraestrutura. Ainda nas próximas semanas, vamos colocar na rua mais ônibus novos e diminuir o tempo de espera das linhas.

Na área da Defesa Social, vamos fazer ações preventivas que impeçam a realização dos maiores pancadões na cidade, com multa e apreensão de equipamentos dos realizadores. Na educação, estamos reformando todas as escolas para receber os alunos quando a pandemia estiver controlada. E em 60 dias vamos apresentar o projeto do primeiro Quarteirão da Educação, que vai ser implantado na Escola Municipal Ministro Francisco De Paula Quintanilha Ribeiro, no Jardim Promissão. E na habitação, estamos finalizando um projeto de regularização fundiária que vai beneficiar muita gente. Tem muito mais coisa vindo por aí a curto prazo, mas esses são alguns dos destaques;

 Com o recrudescimento da pandemia, a volta às aulas presenciais está mantida para abril?

A volta às aulas presenciais vai depender da situação que Diadema se encontre no momento. Se chegar em 5 de abril e a pandemia estiver tão grave como hoje, vamos adiar as aulas presenciais até termos certeza que os profissionais e alunos estejam seguros. A preservação da vida é a nossa prioridade.

 Como o governo tem preparado as escolas para a volta às aulas, haja vista ter declarado a falta de condições das unidades?

Não consigo entender como a gestão anterior não aproveitou o fechamento das escolas no ano passado para fazer as reformas nos espaços. Quando assumimos em janeiro, nos deparamos com um cenário de destruição em praticamente todas as escolas de Diadema. Como falei anteriormente, mesmo se a pandemia tivesse acabado não teríamos condições de voltar às aulas presenciais antes de 5 de abril. A Secretaria de Educação, coordenada pela Ana Lucia Sanches, está trabalhando muito para colocar os equipamentos em ordem.

 Em live, o sr falou que pretende implementar a metodologia Paulo Freire na educação. Por que? Quais características da metodologia acredita serem fundamentais no ensino do município?

A metodologia Paulo Freire consiste em educar os alunos para serem cidadãos críticos, em uma perspectiva de diálogo e reflexão com o objetivo de ampliar a visão de mundo e a participação ativa do indivíduo em todas as esferas da vida em sociedade. É ir contra o que Freire chama de educação bancária, que é quando há uma relação professor-aluno de um que sabe para um outro que não sabe, de forma passiva.

Como vê a decisão do Estado de fechar o IML da cidade? Não prejudica o atendimento dos diademenses? O que pretende fazer em relação à determinação?

A Prefeitura recebeu com surpresa a transferência do Posto do IML de Diadema para São Bernardo do Campo e ressalta que é contra essa decisão unilateral do Governo Estadual porque vai prejudicar e dificultar o acesso da população de Diadema a este importante serviço.

Visando manter o IML na cidade, a Prefeitura enviou uma carta de intenção se comprometendo a atender às exigências apresentadas pela Secretaria Estadual de Segurança Pública, como elaboração de Projeto de Lei do Convênio, PL que já está em tramitação na Câmara Municipal, um plano de reformas e melhorias no local, dentre outras. Assumimos a gestão da cidade com a proposta de ampliar e melhorar os serviços públicos prestados aos diademenses, por isso, no que depender desta Administração, o IML Diadema não será fechado.

 O sr. implementou projeto volta ao combate à violência contra mulher. Como vê a alta da violência doméstica e qual o resultado esperado pela administração municipal com o programa?

A implantação da Patrulha Maria da Penha é um orgulho para nós. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o número de Boletins de Ocorrência por violência doméstica registrados na região do ABCD cresceu 27% em um ano. A Patrulha vem com o objetivo de ampliar a parceria entre a Guarda Civil Municipal de Diadema e as Polícias Civil e Militar na fiscalização e no combate a este tipo de crime que tira a vida de tantas mulheres todos os dias. Esperamos que o agressor pense duas vezes antes de agredir alguém com medo de ser penalizado por isso.

 Quais ações na área social destaca neste momento de pandemia?

Estamos lançando dia 27 de março a Sua Vida Importa Pra mim e Sua Fome me Incomoda, uma grande campanha de arrecadação de alimentos que pretende garantir à população o direito básico que é fazer três refeições por dia. A fome voltou e temos que fazer alguma coisa para combatê-la. A campanha vai envolver toda a sociedade, empresas e associações. E o lançamento será por meio do Festival Virtual Cultura Solidária, organizado pela Secretaria de Cultura.

 Como analisa a atuação do Consórcio ABC neste momento crítico da pandemia?

 Sou um defensor do Consórcio. Temos que unir forças enquanto região metropolitana para resolver problemas em comum. Na pandemia, essa união está sendo fundamental para termos a musculatura necessária para exigir do Governo do Estado ações mais efetivas. A implantação de 110 leitos de UTI na região foi um resultado prático disso.

 

2 Comentários

  1. será que o Sr Felipe, esqueceu que quando o PT deixou a administração antes do Lauro, a saude estava muito pior, sem falar na divida que a SANED deixou, entre outras coisas. Se, está dificil para administrar, renuncie –

  2. Na verdade o que o Prefeito esta fazendo é só chorar, reclamar da gestão anterior igual o ex Prefeito Lauro fez, pare de olhar para traz e comece a trabalhar. Diadema não esta pior do que o Reali deixou.

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