Copa do mundo, Esportes

Fifa aprova ampliação da Copa para 48 seleções

Infantino defendeu aumento: “modelo é mais inclusivo”. Foto: Divulgação/FifaA Fifa aprovou  proposta de aumentar a Copa do Mundo de 2026 de 32 para 48 seleções. A decisão foi publicada ontem (10) no Twitter oficial da federação internacional de futebol.

Hábil articulador, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, negociou nos últimos meses acordo para colocar mais 16 países na competição e tentar arrecadar mais. Ao ampliar o número de participantes, o dirigente agrada a periferia do futebol, que terá mais chances de disputar o torneio.

Em seu post, a Fifa apenas informou que o novo formato do Mundial seria disputado em 16 grupos com três seleções. Contudo, pela proposta de Infantino, as duas melhores de cada grupo se classificariam aos mata-matas. Assim, o campeão mundial entraria em campo sete vezes, mesmo número da fórmula atual.

Inicialmente, Infantino defendia a Copa com 40 times, mas decidiu inchar ainda mais o torneio, agradando mais aliados e com a perspectiva de maior arrecadação. Com isso, o suíço deve conseguir pacificar os ânimos na entidade. Infantino foi eleito em fevereiro, numa votação apertada, com o discurso de moralizar e limpar a Fifa, manchada pela corrupção. Até agora, pouco mudou.

Com a aprovação da proposta, a Fifa vai estimular candidaturas conjuntas de ao menos dois países para receber o Mundial. O presidente da Concacaf (que reúne os países da América do Norte, Central e Caribe), Víctor Montagliani, declarou que pretende viabilizar a candidatura conjunta de México, Canadá e EUA. Até agora, a Copa do Mundo de 2002 foi a única que teve a organização dividida, por Japão e Coreia do Sul.

Inclusivo

No mês passado, em Doha, no Qatar, Infantino defendeu o gigantismo da Copa alegando que o modelo é “mais inclusivo”. Disse também que a ampliação do torneio beneficiará “o desenvolvimento do futebol em todo o mundo”.

Outro interesse é financeiro. A Fifa prevê arrecadar US$ 6,5 bilhões (R$ 22 bilhões) com o novo formato. Como comparação, a Copa da Rússia, em 2018, deve render US$ 5,5 bilhões (aproximadamente R$ 17 bilhões).

Entidade que reúne os principais clubes da Europa, o ECA é contra a ampliação da Copa alegando congestionamento no calendário do futebol mundial, além de expor os atletas a contusões. “A política e o comércio não devem ser prioridade exclusiva no futebol”, comentou Karl-Heinz Rummenigge, presidente da ECA e craque da se­leção alemã nos anos 1980.

Com a mudança, a América do Sul pode ganhar mais duas vagas. Teria seis seleções classificadas diretamente nas eliminatórias e o sétimo colocado ainda disputaria a repescagem. Com apenas dez seleções no continente, o torneio eliminatório perderia a competitividade. A Europa ficaria com 16 lugares e a África, nove.

Críticas

A decisão da Fifa s dividiu opiniões entre ex-jogadores e técnicos de futebol ontem (10).

A Associação Europeia de Clubes (ECA), que representa as equipes do continente, foi a principal voz contra as mudanças no formato do torneio de seleções. A entidade chegou inclusive a apontar que fatores políticos se sobrepuse­ram aos técnicos na decisão.

“Entendemos que a decisão foi tomada com base em razões políticas e não esportivas, o que a ECA acredita ser lamentável”, diz a entidade.

O tom foi similar no Brasil. Carlos Alberto Parreira, treinador da seleção na conquista do Mundial de 1994 e na Copa de 2006, disse que a mudança não se justifica do ponto de vista técnico.

“Sou da época que a Copa tinha 16, 24 equipes, então acho muito difícil essa mudança. Para as finanças da Fifa vai fazer muito bem. Tecnicamente não vai ser bom ao futebol”, afirmou Parreira.

Para Júnior, ex-lateral esquerdo da seleção brasileira, a inclusão de equipes de pouca tradição vai atrapalhar o espetáculo em campo. “Se a última Copa já não foi de alta qualidade, imagina com a chegada de outras seleções inferiores.”
Diego Maradona elogiou a medida. Para o ex-jogador, o aumento “possibilita a cada país um sonho e renova a paixão pelo futebol”.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*