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Fechamento de vagas na indústria perde ritmo em maio no ABC

O mercado de trabalho industrial do ABC sinalizou mais uma vez que caminha para a estabili­zação, após cinco anos consecutivos de forte que­da no nível de ocupação.

Em maio, o parque fabril da região fechou 50 postos de trabalho, segundo pesqui­sa divulgada, ontem (14), pe­la Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp).

O resultado ainda está no campo negativo, mas ao menos sugere que o ritmo de demissões diminuiu. Prova disso é que, enquanto as indústrias do ABC fecharam, em média, 1.690 vagas por mês em 2016, neste ano, até maio, a “sangria” diminuiu 80%, para 360 (veja gráfico ao lado).

De janeiro a maio, o parque fabril dos sete municípios eliminou 1.800 empregos, contra 8.300 no mesmo período do ano passado.

Contribuem para desacelerar o ritmo de cortes a base de comparação cada vez mais fraca – após o forte ajuste no emprego iniciado em 2012, as empresas têm cada vez mais dificuldade para demitir – e a retomada das contratações em alguns setores.

A lista é puxada pelo segmento de móveis, que registrou aumento de 18% no nível de ocupação neste ano, e inclui ainda os subsetores de produtos têxteis (8,65%), bebidas (2,75%) e artigos de borracha e plástico (1,94%), entre outros.

No acumulado deste ano, 12 dos 20 segmentos acompanhados pela pesquisa fe­charam mais vagas do que abriram. Em maio do ano passado, a queda no nível de ocupação era mais disseminada e atingia 18 ramos.

No setor automotivo, que representa 30% dos empregos fabris do ABC, houve queda de 0,66% no estoque de vagas em maio e, no acumulado do ano, o recuo é ainda maior, de 3%. Porém, o segmento espera que o forte aumento das exportações ajude ao menos a estancar as demissões, enquanto o mercado interno dá sinais ainda bastante tímidos de reação.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os embarques de veículos cresceram 61,8% no acumulado dos cinco primeiros meses deste ano. As montadoras, porém, convivem com nível de ociosidade próximo de 70%, que o mercado externo não é capaz, sozinho, de diminuir.

Ao comentar os dados do Estado de São Paulo, que revelam o fechamento de 3 mil vagas em maio, o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades, Paulo Francini, mostrou-se pessimista. “Infelizmente, ainda não existe sinal de recuperação do emprego na indústria paulista, como se esperava”, afirmou, em nota.

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