Últimas Notícias

Fazer segurança naquelas condições é impossível, afirma policial federal

Os policiais federais que fazem a segurança dos candidatos à Presidência têm encontrado dificuldades para contornar situações de risco durante a campanha porque eles não têm poder de veto sobre a agenda e a movimentação dos candidatos, informaram entidades representativas dos policiais.

A segurança do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) é coordenada por um experiente delegado da PF no tema, Daniel França, mas os policiais têm limites legais para o trabalho. Não podem, por exemplo, impedir que um candidato se apro­xime dos eleitores. Quando foi atacado em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro estava nos ombros de um apoiador e estava rodeado de eleitores.

“Fazer segurança naque­las condições é muito difícil, é impossível. A não ser que exista um elemento de informação muito sério, é difícil convencer um candidato a não procurar o corpo-a-corpo. O político quer o contato com o povo. Porém, para a segurança é um terror, a gente vive com muito nervosismo em situações assim”, disse o presidente da ADPF (Associação Nacional dos Delegados da Polícia Fe­deral), Edvandir Paiva.

Uma das recomendações básicas da segurança dos políticos é fazer cordões de isolamento, o que não existia em Juiz de Fora. “Não dá para fazer um cordão naquelas condições, como fazer para o povo se afastar do candidato?”, disse. Paiva mencionou também o histórico nulo de atentados a presidenciáveis no Brasil nas eleições mais recentes, o que colabora para os candidatos terem uma visão menos severa sobre os riscos que correm.

O presidente do Sindipol (Sindicato dos Policiais Fede­rais no Distrito Federal), Flavio Werneck, atual candidato a deputado federal pelo PHS, disse que os policiais que participam da segurança dos candidatos não indicam gestos como o adotado por Bolsonaro no momento do ataque, “de ser levantado e colocado no meio do povo”. Não está claro se os policiais da escolta em algum momento desaconselharam o gesto do candidato em Juiz de Fora.

O sindicalista disse que “em toda eleição” os policiais que fazem a escolta dos candidatos à Presidência “tem esse problema”. “Porque uma coisa é a avaliação de risco e outra é a atitude do candidato, dos candidatos, que querem estar próximos e abraçar e beijar (eleitores). Uma coisa é toda a teoria aplicada na segurança dos dignitários (autoridades) e a prática para que se diminua ao máximo possível o risco. A outra coisa é como o candidato se coloca durante a campanha.”

Print Friendly, PDF & Email

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*