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Fazenda resiste, e Temer pede cautela com ‘pacote de bondades’

Temer não tomará decisão antes da viagem oficial à Rússia. Foto: Agência BrasilApesar das pressões de sua equipe política, o presidente Michel Temer resiste à adoção imediata de propostas de estímulo à economia que possam aumentar o rombo das contas públicas, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. O Palácio do Planalto foi alertado pelo Ministério da Fazenda de que medidas consideradas muito flexíveis, em oposição ao discurso de austeridade do ajuste fiscal, poderiam deteriorar o que ainda resta de credibilidade do governo diante do mercado.

Temer pediu que seus auxiliares ampliem os estudos sobre propostas para retomar o consumo, aumentar a renda da população e estimular investimentos, mas avisou que nenhuma decisão será tomada até que volte de uma viagem oficial à Rússia, em 23 de junho.

Os principais conselheiros políticos de Temer insistem na adoção de um “pacote de bondades” para ajudar o presidente a melhorar sua popularidade em meio à crise aberta a partir da delação da JBS. Essa área do governo trabalha principalmente com propostas de alívio no Imposto de Renda para pessoas físicas, como a redução de alíquotas e o aumento da parcela da população que fica isenta de pagar o tributo.

O Ministério da Fazenda, entretanto, considera impossível a adoção de medidas que representem perda de arrecadação, no momento em que o governo já tem dificuldades para cumprir a meta fiscal -que prevê um déficit de R$ 139 bilhões este ano.

Para a equipe econômica, propostas de flexibilização das contas públicas dariam ao mercado um sinal de desvio das premissas do ajuste fiscal, uma vez que os investidores já lançam dúvidas sobre o avanço da agenda de reformas do governo.

A credibilidade de Temer diante do mercado tem como pilares a política de austeridade do ministro Henrique Meirelles (Fazenda) e o avanço no Congresso das reformas trabalhista e previdenciária.
A crise política deflagrada pelas acusações feitas contra o presidente por executivos da JBS desestabilizou o cronograma dessa agenda na Câmara e no Senado, cuja conclusão estava prevista para o fim de junho.

A Fazenda insiste que a manutenção do compromisso com o ajuste das contas públicas, nesse cenário, se tornou imprescindível para a manutenção da confiança do mercado na gestão de Temer.

O presidente decidiu adotar postura cautelosa diante desse debate por temer que a abertura de uma crise culmine, no limite, na demissão de parte da equipe econômica chefiada por Meirelles. A principal dificuldade para implementar um alívio no IR está na necessidade de compensar a perda de arrecadação.

Para tentar contornar as ressalvas de Meirelles e sua equipe, o núcleo do Planalto quer usar o BNDES como “atalho” para turbinar a atividade econômica. O governo determinou que o banco destrave linhas de financiamento de capital de giro com juros subsidiados, turbine políticas de crédito para pequenas e médias empresas, e refinancie as dívidas dos Estados.

Trata-se de uma mudança de rumo do banco, que teve seu comando trocado no fim de maio, com a nomeação do economista Paulo Rabello de Castro, com o objetivo de acelerar a liberação de crédito.

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