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Faturamento de pequenas empresas do ABC cresce 6% em maio e sinaliza recuperação

As micro e pequenas em­­presas do ABC começam a dar tímidos sinais de recuperação. Em maio, o faturamento do setor cresceu 6% em termos reais (descontada a inflação) na comparação com o mês anterior e, com isso, alcançou R$ 2,14 bilhões.

Os dados integram pesquisa mensal realizada pelo escritório paulista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP), em parceria com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), e divulgada ontem (13).

Segundo o levantamento, as 80,6 mil MPEs da região auferiram receita média de R$ 26.533 em maio, contra R$ 24.986 no mês anterior.

O resultado foi influenciado pela queda da inflação, pelas vendas do Dia das Mães – que voltaram a crescer após dois anos seguidos de retração – e pela liberação das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com parte dos recursos irrigando o comércio.

Porém, ante maio do ano passado (R$ 28.770), as receitas do setor no ABC tiveram queda de 7,8%. Trata-se da 25ª retração consecutiva nes­se tipo de comparação.

No acumulado de janeiro a maio, as vendas também seguem no terreno negativo (-11,2%), o que deve levar as micro e pequenas empresas da região ao quarto ano seguido de retração, após quedas verificadas em 2014 (-4,6%), 2015 (-16,2%) e no ano passado (-15,6%).

Ao comentar os dados do ABC, o consultor do Sebrae-SP Pedro João Gonçalves destacou que o setor reagiu nos últimos quatro meses após registrar forte queda nas vendas no final do ano passado, interrompida apenas em dezembro, devido ao Natal.

Prova dessa reação é que, em relação ao primeiro mês de 2017, o faturamento de maio no ABC avançou 19% (veja gráfico acima). No Estado de São Paulo, houve alta de 16,4% na mesma comparação.

“Há uma retomada nas vendas em curso no ABC em um ritmo semelhante ao do Estado, mas com um ponto de partida muito baixo. Esse movimento de melhora paulatina deve continuar ao longo deste segundo semestre, mas ainda ficará longe de repor as perdas dos últimos anos”, afirmou Gonçalves.

Com outros indicadores relativos ao ABC, a situação é a mesma. O pessoal ocupado cresceu 2,5% de abril para maio, mas registra queda de 8,6% ante o mesmo mês do ano passado. A folha de salários, por sua vez, avançou 2,4% na passagem mensal, mas cai 6,9% na comparação alongada.

Incertezas

Apesar da melhora na atividade do setor, os micro e pequenos empresários seguem cautelosos quanto à evolução de seus negócios. Em junho, 53% dos donos de MPEs disseram esperar manutenção do faturamento nos próximos seis meses.

“Há muitas incertezas, tanto no cenário interno quanto no externo, ainda bastante conturbados. Porém, a queda da inflação e o efeito cada vez maior da redução da Selic nos juros praticados no mercado devem se fazer sentir na confiança dos empresários nos próximos meses”, afirmou o consultor do Sebrae-SP.

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