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Falta de peças nas montadoras e covid-19 derrubaram vendas de veículos em fevereiro

Falta de peças nas montadoras e covid-19 derrubam vendas de veículos
Segundo a Fenabrave, oferta de produtos foi prejudicada pela paralisação nas fábricas. Foto: Divulgação

O mercado brasileiro de veículos novos registrou no mês passado o pior resultado para o mês em três anos. Foram vendidos 167,4 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no segundo mês deste ano, queda de 16,7% ante o apurado em fevereiro do ano passado – quando o mercado ainda funcionava sem as restrições da pandemia – e de 2,2% em relação ao emplacado em janeiro.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (2) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que representa as concessionárias. No acumulado do primeiro bimestre, a entidade contabiliza 338,5 mil unidades vendidas, queda de 14,2% ante o apurado no mesmo período do ano passado.

Para o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, alguns fatores impactaram, negativamente, na oferta e no mercado de veículos, como a falta de componentes – que tem provocado atrasos de produção e paralisações de montadoras – e o aumento no número de casos da covid-19.

“Na indústria, mesmo com os esforços das montadoras para aumentar a produção, a falta de disponibilidade de peças e componentes ainda persiste, fazendo com que algumas fábricas tivessem de paralisar, temporariamente, a produção em fevereiro, o que afetou, de forma importante, a oferta de produtos”, comenta Assumpção Júnior. ”Além disso, o aumento dos casos de covid-19, que provocou o retrocesso da abertura do comércio em várias cidades, também contribuiu para a queda de vendas do mês de fevereiro.”

O presidente da Fenabrave destacou ainda como “vilão” o aumento do Imposto sobre a Circulação de Marcadorias e Serviços (ICMS) em São Paulo, que passou de 12% para 13,3% para veículos novos e de 1,8% para 5,53% para usados. Para Assumpção Júnior, a alta tornou os negócios de concessionárias e lojistas “quase impraticáveis”. “Todos saíram perdendo: consumidor, empresários, empregados e o próprio governo de São Paulo, que não terá aumento de arrecadação, pois há tendência de os negócios serem realizados fora do estado.”

SETORES

No corte por setores, o de automóveis e comerciais leves somou 158,2 mil unidades vendidas em fevereiro, queda de 17,9% ante o mesmo mês do ano passado e de 2,7% em comparação a janeiro. No primeiro bimestre há queda de 14,9%, para 320,8 mil veículos.

“Mesmo com o cancelamento do feriado de Carnaval e os esforços feitos pelas montadoras para normalizar a produção, o mês de fevereiro fechou em baixa – o que já era esperado, dadas as dificuldades com paralisações por escassez de peças e componentes, que fazem com que haja falta de alguns modelos no mercado”, analisou o presidente da Fenabrave.

No sentido contrário, as vendas de caminhões seguem aquecidas. Em fevereiro foram emplacados 7.719 veículos, 18,5% acima do resultado de igual mês de 2020. Ante janeiro também houve alta, de 6,3%. No acumulado do ano, o aumento é de 9,7%, para quase 15 mil unidades.

“O que dita o número de emplacamentos, hoje, é capacidade de produção das montadoras, já que, praticamente, não há estoque nas concessionárias. Assim como nos demais segmentos, as montadoras de caminhões vêm enfrentando escassez de peças e componentes, o que limita a oferta”,  disse o presidente da Fenabrave.

Assumpção Junior revelou que, como a demanda por caminhões se mantém aquecida, tanto pelos resultados das commodities, quanto pela boa disponibilidade de crédito para o segmento, a escassez de produtos faz com que os pedidos atuais tenham a entrega de alguns modelos programada até para setembro e outubro.

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