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Facilite a rotina de sono do seu filho e evite problemas

A quantidade de sono adequada é sempre alvo de questionamentos. Quanto tempo meu filho precisa dormir? Pesquisa publicada no Journal of the National Sleep Foundation aponta que recém-nascidos precisam dormir de 14 a 17 horas por dia; já entre os bebês de quatro a 11 meses, a indicação é de 12 a 15 horas. Conforme a idade aumenta, a necessidade de sono diminui; crianças de um a cinco anos precisam de 10 a 14 horas de sono; dos seis aos 13 anos, a recomendação cai para nove a 11 horas. Dormir bem, tanto em quantidade como em qualidade evita o registro de problemas futuros no desenvolvimento da criança. Se não há sono reparador, pode haver consequências diurnas como queda no desempenho escolar, desatenção, irritabilidade e até mesmo agressividade.

Muitas vezes os pais têm dificuldades para impor essa necessidade e fazer com que os filhos sigam as orientações, resultando em noites mal dormidas e com um tempo menor do que o recomendado. Estabelecer uma rotina antes da hora de dormir ajuda a criança a entender que aquele é o momento de desacelerar. Estabeleça uma sequência de atividades, como tomar banho, escovar os dentes, colocar o pijama e ler uma história.

Vida normal durante o dia e cuidados especiais no período da noite, essa é a indicação para ajudar a estabelecer uma rotina à criança. Ensiná-los o que é dia e o que é noite é uma tarefa que deve começar desde cedo, de preferência já na segunda semana de vida. Não precisa mudar a rotina da casa durante o dia, a família deve mantê-la iluminada e não evitar barulhos da vida doméstica, como o telefone, as conversas, o liquidificador ou o aspirador de pó. Porém, quando estiver próximo ao horário de dormir, evite brincadeiras agitadas, aparelhos eletrônicos, barulhos e diminua as luzes. Quanto mais calmo o ambiente estiver, melhor para a criança, que entenderá que aquele é o momento de descansar.

 Aos finais de semana é comum as crianças acordarem e dormirem mais tarde, irem para a casa de coleguinhas ou dos avós, enfim, alterações que mexem com o relógio biológico. Por isso, durante o final de semana, cabe aos pais determinar horários um pouco mais flexíveis, sabendo que o ideal é não fugir muito daqueles habitualmente praticados. Quanto mais exceções a família der aos horários, mais difícil é para a criança entendê-los e incorporá-los. Para retomar a rotina semanal é muito importante conversar com as crianças e estabelecer regras, mas isso deve fazer parte de um acordo entre pais e filhos e não uma imposição sem sentido. As crianças devem entender que faz parte da vida ter tarefas e responsabilidades. Diálogo sobre a rotina deve ser incorporado junto com diálogo sobre respeito, empatia e preconceito.

Sandra Doria Xavier é médica otorrinolaringologista especializada em Medicina do Sono, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).

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