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Fabrício França: ‘queremos trazer a população para dentro do PSB e debater o município’

Com a presença do deputado estadual Caio França tomou posse a nova executiva municipal do PSB de Santo André. Foto: Divulgação
Com a presença do deputado estadual Caio França tomou posse a nova executiva municipal do PSB de Santo André. Foto: Divulgação

Fabrício França assumiu esta semana a presidência da comissão provisória do PSB de Santo André com a meta de reorganização interna após a saída de Ailton Lima e o alinhamento com a bancada socialista visando às eleições de 2022 e 2024. Ao Diário Regional, Fabrício França destacou que o grupo que assumiu o diretório – além dele, Márcia Garcia, como secretária-geral; Kleber Paiva, como tesoureiro, e os advogados Jairo Guimarães e Iara Sanches, todos com passagem pelo PT – pretende trazer a população para perto do partido, focando em um projeto para 2024.

Fabrício França: "o diálogo e a participação são uma marca que o grupo pretende imprimir". Foto: Reprodução/Facebook
Fabrício França: “o diálogo e a participação são uma marca que o grupo pretende imprimir”. Foto: Reprodução/Facebook

“Nosso grupo tem como meta não fazer uma política só de eleição. Pretendemos trabalhar um projeto de cidade Nosso objetivo é abrir espaço para que as pessoas venham ao PSB falar sobre os principais problemas e eventuais soluções. Além de pensar nisso como um possível plano de governo lá na frente, queremos colocar um ambiente de debater permanente a respeito do município”, destacou França, ao complementar que o diálogo e a participação são uma marca que o grupo pretende imprimir.

Para o socialista, que é pós-graduado em gestão pública, é importante que um partido político não dispute eleições sem saber sobre a cidade para qual está projetando alguma pretensão eleitoral. “Hoje se fica sempre na lógica de disputar eleição baseando o discurso em pesquisas. Podemos pegar o que as gestões recentes, como a do Aidan (Ravin/ à época no PTB) e até mesmo a do (Carlos) Grana (PT) e a do Paulinho (Serra/PSDB) seguem de planejamento urbano. A gente vem verticalizando, vem crescendo a infraestrutura e não consigo ver hoje, nesta gestão, um objetivo definido de para onde e por que a cidade está crescendo, e qual a infraestrutura.  O município é guiado pelo curso natural dos interesses e o poder público, na minha opinião, tem o dever de guiar; não deve ser guiado. O poder público guia a partir do momento que cria políticas públicas”, afirmou.

Fabrício França destacou que o projeto é  complexo, mas que veio da escola do PT, que tinha o ex-prefeito Celso Daniel, Miriam Belchior e Gilberto de Carvalho. “Gosto desse jeito de fazer as coisas. De não estar fazendo uma proposta porque se viu em uma pesquisa que a população está preocupada com saúde… então, vamos falar de saúde. Queremos um projeto que nãos seja só fazer discurso. Que se tenha um problema e se proponha uma solução que esteja integrada com outras áreas, porque a cidade é um ser vivo. Quanto mais você interliga, e tinha um pouco disso na gestão do Celso, como a Cidade do Futuro, vai além do que fazer uma gestão preto e branco,  De fazer o básico ou o que as pessoas estão reclamando”, afirmou.

ELEIÇÕES

Sobre a reorganização interna do PSB andreense, Fabrício França afirmou que neste primeiro momento se busca o alinhamento com a bancada socialista – composta por Carlos Ferreira e Toninho Caiçara – visando às eleições de 2022. “Vamos começar a reorganizar pelos atuais vereadores e candidatos na última eleição. Vamos chamá-los e projetar a possibilidade de ter candidatura em 2022, além do projeto majoritário em 2024. O Toninho Caiçara já demonstrou interesse em disputar as eleições. Porém, quanto mais tivermos pessoas com condições de oferecer candidaturas competitivas melhor. As candidaturas somam, mas vamos ter esse debate de uma forma mais estruturada, pensando em agregar o time inteiro em um projeto. Porém, além da possibilidade da candidatura do Toninho Caiçara, neste momento, não tem outro nome cogitado. Vamos dialogar com quem já foi candidato, com pessoas que, de repente, nem são do PSB ainda, mas tem projeto de ser.”

O socialista também destacou o crescimento do partido em âmbito nacional, com a filiação de grandes lideranças, como a caso do Freixo e do Dino.  Em relação à sucessão do governador João Doria (PSDB) e a possibilidade de o ex-governador tucano Geraldo Alckmin se filiar ao PSDB,  Fabrício vê Márcio França como pré-candidato natural do partido.  “Vou reproduzir o que o (deputado estadual) Caio França falou pela manhã, que é uma fonte mais quente do que eu mesmo. Na visão do Márcio França e da direção do PSB, o Alckmin tem uma trajetória muito próxima à do Márcio. Foram governador e vice, e têm uma boa relação até hoje, mas entendem que para poder ter alguma aliança com o Alckmin não dá para ser com ele no PSDB.”

Fabrício França ressaltou o fato de o PSDB ter como possível candidato ao governo do Estado Rodrigo Garcia (vice-governador/PSDB) e que Márcio França não tem intenção de qualquer projeto com ele. Está nas mãos do Alckmin resolver a situação com seu partido e, posteriormente, se decidir qualquer projeto em conjunto, seja o Márcio como cabeça de chapa ou vice-versa, ou um dos dois a candidato a senador, terá diálogo porque a relação dos dois é muito boa”, pontuou, ao complementar que hoje Márcio França está tão bem nas pesquisas quanto Alckmin. “O Márcio acorda todo dia e vai para a rua fazer a organização de sua pré-candidatura.”

EDUARDO LEITE

Questionado sobre a possibilidade de o vereador Eduardo Leite (PT) se filiar ao PSB, Fabrício França afirmou que qualquer definição só será feita após o fim do processo judicial. O petista entrou na Justiça solicitando a saída do partido, mas sem perder o mandato de vereador. Leite justifica que sofreu perseguição política dentro da legenda por ter participado de acordo na eleição da Mesa Diretora da Câmara com aliados prefeito Paulo Serra (PSDB).

Outro fator que arrefeceu a relação de Eduardo Leite com o PT foi a suspensão de 60 dias após o vereador ter elogiado a atuação de Paulo Serra para controle da pandemia de covid em entrevista a um jornal do ABC.  “O Eduardo está na Justiça pedindo autorização para que saia do PT por perseguição. É um processo e a gente não sabe quanto tempo demora. Não tem nada certo de o Eduardo vir para o PSB. Ele vai resolver primeiro a vida dele no PT. O que temos de concreto é que nosso grupo político assumiu o PSB e vamos tocá-lo com a maior energia e vontade para que dê certo. Se o Eduardo, lá na frente receber autorização judicial e quiser vir ao PSB, vai ser recebido de braços abertos”, destacou.

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