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F1 gera provocações entre Jair Bolsonaro e João Doria

F1 gera provocações entre Jair Bolsonaro e João Doria
Bolsonaro afirmou que Doria deveria pensar no país, ao comentar transferência da F1 para o Rio. Foto: Arquivo

Quatro dias após cogitar disputar a reeleição, o presidente Jair Bolsonaro voltou ao assunto nesta segunda-feira (24) para estocar um possível rival em 2022. Ao comentar as negociações para a transferência das provas da Fórmula 1 de São Paulo para o Rio de Janeiro, Bolsonaro afirmou que o governador tucano João Doria (PSDB) deveria “pensar no país”.

“A imprensa diz que será candidato à Presidência em 2022, então ele tem de pensar no Brasil. Se disputar a reeleição, aí ele pensa no seu Estado. Melhor ficar no Rio do que não ficar em lugar nenhum”, provocou Bolsonaro. Na quinta-feira, o presidente já havia escolhido São Paulo para anunciar que poderia recuar da promessa de campanha e concorrer a um segundo mandato.

Doria, que não fala sobre planos presidenciais, desconversou: “Fórmula 1 não é questão política. É questão econômica. Não é hora de eleição. É momento de gestão”, disse à reportagem.

Na agenda de hoje (25) do governador, divulgada por sua assessoria, consta reunião com os representantes da Fórmula 1 e do Grande Prêmio do Brasil de F1, na qual será discutida a renovação do contrato com a Capital.

 SUCESSÃO

É incomum que a sucessão presidencial seja debatida poucos meses após a posse de um presidente. Ainda assim, desde o início do ano, aliados e adversários de Bolsonaro passaram a articular e até mesmo declarar que tentarão suceder-lhe nas eleições de 2022.

Bolsonaro vem contribuindo para subverter a lógica. Optou por partir para o confronto com parlamentares, tachando-os de “velha política” e criando animosidade com líderes partidários. Ajudou a construir, assim, um ambiente em que todos se sentem liberados a se movimentar, segundo políticos ouvidos pela reportagem.

Doria aparece até agora como o principal expoente do grupo. O empresário, que entrou na política em 2016, queria ter se lançado já em 2018. Sem conseguir furar a fila no partido, elegeu-se governador e saiu do pleito como a grande força do PSDB após a derrota do presidenciável Geraldo Alckmin nas urnas. Na convenção da sigla, em maio, o tucano discursou aos gritos de “Brasil pra frente, Doria presidente”.

O governador se movimenta em busca de apoio. Ambiciona atrair o DEM para seu projeto presidencial. Ao sair do governo, deixaria o vice, Rodrigo Garcia, um dos expoentes da cúpula do Democratas, como sucessor e candidato a novo mandato. Internamente, deixa correr especulações sobre uma eventual fusão dos dois partidos – hipótese que vinha sendo negada pelo comando do DEM. (

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