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Exportações do ABC reagem e crescem 12% no 1º trimestre, para US$ 1,2 bilhão

Após registrar três anos consecutivos de queda nas exportações, o ABC começa a vislumbrar melhora nas vendas externas em 2017 – puxada, principalmente, pelo aumento nos embarques de veículos.

Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços revelam que as exportações de empresas da região somaram US$ 1,16 bi­­lhão no primeiro trimestre, montante 12,05% superior ao vendido no mesmo período do ano pas­sado (US$ 1,03 bilhão).

No melhor desempenho do ano, os embarques somaram US$ 471,17 milhões em março, valor 25,8% superior ao apu­rado em igual mês de 2016 (US$ 374,49 milhões).

O resultado reflete, sobretudo, o aumento de 27,6% no envio de veículos, principal pauta exportadora da região. No primeiro trimestre deste ano, as vendas somaram US$ 524,7 milhões – valor que considera automóveis de pas­seio, comerciais e chassis pa­ra caminhões e ônibus.

Entre os bens intermediários, as exportações de autopeças produzidas dos sete municípios avançaram 7,9%, para US$ 272,5 milhões, enquanto o envio de insumos industriais (usados na fabricação de outros produtos) caiu 8,1%, para US$ 182,9 milhões.

“As exportações são uma válvula de escape para as indústrias do ABC, principalmente para os fabricantes de automóveis e autopeças, em meio a um mercado interno que ainda dá sinais muito tímidos de recuperação”, comentou Ricardo Balistiero, mestre em Economia e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, ao destacar que o aumento reflete também a base de comparação depreciada. “A queda (entre 2014 e 2016) foi muito violenta, mas a retomada é, evidentemente, uma boa notícia.”

No corte geográfico, os em­barques cresceram em seis dos sete municípios no primeiro trimestre. Em Diadema, o avanço de 61,6% resultou da alta nas vendas de máquinas. Em Ribeirão Pires, houve aumento de 22,4% puxado pelo envio de munições.

“A recuperação reflete o esforço das empresas para retomar antigos clientes no exterior, já que o governo não tem nenhuma estratégia do ponto de vista comercial, nem para reativar a indústria do país”, disse Balistiero. “Trata-se de um governo de transição, que vai fazer as reformas que deveriam ter sido realizadas quando a economia estava crescendo.”

Para o economista, a recente apreciação do real frente ao dólar, decorrente da es­tabilização do cenário político interno, não preocupa. “O patamar atual (de câmbio a R$ 3,15, no fechamento de ontem) está longe de estimular as exportações, mas também não as prejudica”, comentou Balistiero, ao destacar que mais importante para o setor é a baixa volatilidade das cotações. “Além disso, o dólar atual não gera pressões inflacionárias”, ressaltou.

Importações

As compras internas também cresceram na região no primeiro trimestre. Houve alta de 11,2% ante o mesmo período do ano passado, para US$ 822,6 milhões. Assim, a balança comercial da região registrou superávit de US$ 335,27 milhões nos três primeiros meses des­te ano, ante US$ 292,4 milhões no mesmo intervalo de 2016.

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