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Exportações de empresas do ABC caem pelo 3º ano seguido e voltam ao patamar de 2009

Em um cenário de baixa competitividade da in­dústria, dólar volátil e de atividade econômica fraca nos principais parceiros comerciais do país, o ABC registrou em 2016 o terceiro ano seguido de queda nas exportações.

As empresas da re­gião embarcaram US$ 4,57 bi­­lhões no ano passado, valor 7,1% inferior aos US$ 4,92 bilhões enviados em 2015, segun­do dados divulgados pelo Ministério da Indústria, Co­mér­cio Exterior e Serviços.

Trata-se do mais baixo patamar desde 2009, ano que se seguiu ao da que­bra do banco nor­te-ame­rica­no Leh­man Bro­­thers, a qual defla­grou crise que praticamente interrompeu o fluxo comercial internacional.

Na comparação com o pi­co obtido em 2011, quando as exportações dos sete municípios somaram US$ 7,62 bilhões, a retração é de 40%.

Entre as razões para a redução nos embarques figura a crônica falta de competitividade da indústria regional, que a desvalorização do real – dólar médio de R$ 3,49 no ano passado, contra R$ 3,33 em 2015 – não conseguiu minimizar.

Os empresários também se queixaram da volatilidade do câmbio – a moeda americana começou o ano passado na casa de R$ 4,10, mas terminou ao redor de R$ 3,30, em um movimento descendente que acompanhou a dissipação das tensões políticas no país. O problema é que variações no câmbio geram insegurança e afugentam exportadores.

Principal pauta exportadora da região, a venda de veículos cresceu 6,37% em 2016, para US$ 1,86 bilhão, devido a novos acordos automotivos firmados com países como Argentina, México e Uruguai.

Porém, no sentido inverso, outras duas importantes pautas da região tiveram queda nos embarques em 2016: autopeças, com retração de 11%, para US$ 1,25 bilhão, e insumos industriais, de 20%, para US$ 795,2 milhões.

A Argentina manteve-se como o principal parceiro co­mercial externo das empresas da região, mas os em­barques ao país vizinho caíram 13,8% no ano passado, para US$ 1,83 bilhão, contra US$ 2,12 bilhões em 2015.

No corte por municípios, o melhor resultado foi o obtido por Ribeirão Pires, que elevou suas exportações em 4,5%, para US$ 159,2 milhões. Desse total, mais de US$ 150 milhões referem-se a embarques de armamentos, principal pauta exportadora da cidade. No sentido inverso, Santo André registrou queda superior a 20%.

Superávit comercial

Apesar da queda nas vendas externas, a balança comercial (exportações menos importações) voltou a ser superavitária no ABC em 2016 pelo segundo ano seguido, em US$ 1,33 bilhão, contra saldo positivo de US$ 824 mi­lhões obtido no ano anterior.

Esse movimento ocorreu porque as importações caíram em maior intensidade do que as exportações em 2016. As compras externas somaram US$ 3,24 bi­lhões, montante 20,9% inferior aos US$ 4,09 bilhões adquiridos em 2015.

A queda nas importações foi provocada pela forte recessão econômica no Brasil.

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