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Ex-secretário, Adalberto Guazelli afirma que São Bernardo é a melhor esquina do país

Ex-secretário, Adalberto Guazelli afirma que São Bernardo é a melhor esquina do país
De família tradicional, Guazelli diz ter orgulho de ser Batateiro. Foto: Arquivo pessoal

O ex-secretário de Cultura de São Bernardo Adalberto Guazelli (PSDB) afirmou, em entrevista ao Diário Regional, que não há uma ação unificada no combate ao coronavírus no país, e que vê com ressalvas os embates entre as esferas governamentais. Comerciante, o ‘Batateiro da gema’, ressaltou que São Bernardo é a melhor esquina do país. Também falou de política, pandemia e futuro. Confira.

O senhor é comerciante na cidade. Como encara essa equação ainda não resolvida entre a pandemia e economia?

Acredito ter sido necessário o período de quarentena. Afinal, não podemos negar a existência do vírus e da pandemia. Porém, creio que por não ter havido ação coordenada e unificada no país , perdemos o “time” e agora vejo a flexibilização, com a observância dos cuidados, e uma quarentena vertical fundamentais para a saúde econômica do país, que já vinha de anos de recessão , causada pela ingerência de gestões passadas. O Brasil tem características e condições muito diversas da Europa e Estados Unidos , e estas deveriam ter sido observadas para uma ação mais eficaz e que tivesse mais adesão da população.

A seu ver, há uma forma de equacionar a questão do isolamento social com a necessidade das pessoas e dos co­merciantes? O seu comércio foi abalado por essa pandemia?

Sim. Como todo setor eco­nômico fomos abalados e acre­dito que a recuperação será lenta e gradual após a liberação geral da quarentena. Fundamental neste período é a conversa entre os colaboradores e fornecedores. No meu caso, não cheguei a dispensar. Promovemos uma escala alternada, adiantamos férias, licenças, entre outras ações. Como disse sobre a realidade do Brasil frente a Europa e U.S.A, cada setor tem suas peculiaridades que devem ser observadas, seguindo orientações básicas. Creio que o Brasil precise urgentemente desenvolver meios de apoio à retomada econômica, mas de forma real e que a ajuda chegue a maioria dos micro, pequenos empresários, que geram cerca de 60% dos empregos e 30% do PIB nacional.

O sr. foi secretário e deixou o cargo no prazo limite que o possibilita ser candidato a vereador. Será candidato?

Nunca havia me envolvido efetivamente com política. Re­cebi convites anteriores e não aceitei. Estive secretário a convite do prefeito (Orlando Morando/PSDB), pois ele sabe do meu envolvimento com ações culturais na minha vida privada e me pediu para dar um norte à pasta. Minha filiação ao PSDB foi algo natural e de identificação com a sigla. Quanto ao futuro político é algo com o qual não me preocupo no momento. Me desliguei no início da quarentena por motivos pessoais e para me dedicar ao meu comércio, que como todos demandaria 100% de atenção para sobreviver a esse período.

O que talvez motive a cogitação de eu me enveredar ou não pela política deve ser o amor que tenho pela cidade, o orgulho de ser batateiro e fomentar suas referências e histórias, além da minha indignação ao abandono que a encontramos quando assumimos. São Bernardo perdeu muito nas últimas décadas e iniciou uma retomada com Orlando Morando, o que mostrou a todos que o poder público precisa de pessoas dinâmicas, que fazem de verdade. Precisa de vigor e motivação; precisa de paixão e de renovação, uma nova forma de gerência que deixe o ‘mais do mesmo’ para trás e reconstrua o presente e prepare futuro.

Como foi seu trabalho à frente da Secretaria da Cultura e juventude?

Como disse, o convite do prefeito Orlando Morando para a secretaria veio pelo meu envolvimento na vida privada com ações voltadas à história e às tradições da cidade. Sempre vivi São Bernardo e seus espaços. Foi um período intenso  e, obviamente, impossível de agradar a todos. Porém, impusemos à equipe um ritmo e um estilo com menos protocolo e mais suor. Unificamos setores, flexibilizamos hierarquias e instituímos metas, prazos e objetivos, algo comum no setor privado. Assim, recuperamos espaços como o Cacilda Becker, Elis Regina, entre outros.

Retomamos projetos abandonados, desenvolvemos ações para estimular a Economia Criativa na cidade, realização de eventos, valorização e abertura de espaços ao uso por artistas locais. Tentamos ao máximo auxiliar o artista a não depender de poder público, algo que vejo como nocivo. Por fim, tentamos tirar a ideologia das artes e dos espaços, algo que não cabe em nenhum setor, lembrando que tudo isso foi feito dentro de um período da maior crise econômica da história do país.

Como o sr. avalia o governo federal diante de tantas crises criadas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido)?

Para uma pessoa de fora deste mundo político , um “outsider”, como eu era, vejo com ressalvas as declarações e embates públicos entre as esferas. Fico preocupado, pois o Brasil carece de harmonia e plataforma unificada, para que possamos voltar a crescer. Tirando a questão da pandemia, vemos que no âmbito econômico também não temos um plano de ações que nos tire da estagnação. Isso é algo que me preocupa, pois desde menino ouço que somos o país do futuro, mas nunca chegamos e não chegaremos lá enquanto paixões e objetivos pessoais se sobrepuserem a um plano coletivo.

Quais prognósticos para São Bernardo e como avalia a gestão do prefeito Orlando Morando?

Sempre torço por minha cidade. São Bernardo recebeu meus avós, Guazzelli e Bechelli, vindos de uma Itália destruída por conflitos gerados por política, ideologias e vaidades de poder. Vejo nossa cidade como a melhor esquina do país, mas que teve por décadas ações e omissões que a descaracterizaram e a fizeram perder muito. Sofro em ver o que poderíamos ter sido e onde poderíamos estar. Vejo oportunidades perdidas e que, infelizmente, muitos que circulam pela política ainda têm uma visão micro da cidade. São Bernardo tem história e tudo pra desenvolver uma nova vocação econômica que recomponha as oportunidades perdidas.

Vejo na gestão do prefeito Orlando Morando  dinamismo e vontade de fazer que se contrapõe ao que encontramos. Vejo uma preocupação com a cidade, com sua história. Como Batateiro orgulhoso que sou, fico esperançoso. Sei que ele precisará de ajuda , e torço para que continue e também para que tenha ao seu lado e na Câmara Municipal pessoas novas com vontade e engajadas em fazer um futuro melhor para todos nós. Crescer sem perder as referências, buscar uma nova plataforma econômica para cidade. Creio que esses serão desafios para os próximos anos.

A política, as instituições políticas e a imprensa estão sob forte e constante ataque. Como  avalia essa questão?

O Brasil, há algum tempo, está dividido, e a falta de coerência e unidade causam  descrédito ainda maior da classe política , isso afasta boas pessoas deste setor. Vou  confidenciar… quando aceitei o convite para ser secretário ouvi de alguns a frase: ‘você virou político, não vá se contaminar’ , como se estar ligado a uma administração fosse sinônimo de mau caratismo ou estar exposto a algum vírus maléfico. Isso é ruim e todo esse clima que vivemos, fomentado há muitos anos pela esquerda, é nocivo ao país. Ter populistas no comando, que inventam inimigos “externos” , seja a imprensa, sejam conspirações, perseguições e golpes, como responsáveis pela incompetência de suas gestões é algo que atrasa a nação. Enfim, é o mais do mesmo nos levando aos resultados de sempre , ou seja, a crise.

O senhor tem desenvolvido  trabalho social, com distribuição de máscaras e outras atividades…

As ações sociais são frequentes em nossa família. Meu falecido pai, quando vivo, sempre promoveu ações sociais, principalmente no bairro Ferrazópolis, onde nasci e também temos comércio até hoje. A família sempre esteve envolvida em atividades junto a igrejas , associações beneficente, entre outros. Quando veio a pandemia, em conversa com alguns primos, surgiu a ideia de juntarmos amigos, voluntários e familiares para promover essas ações. Um trabalho de formiguinha, mas que somado a outro , tenho certeza que estamos colaborando para superar este momento difícil. Temos muitas pessoas de grupo de risco na família. Assim, se conseguirmos ajudar no adiamento da contaminação geral, para que não haja estresse na rede hospitalar, estaremos cuidado indiretamente também da saúde de nossos entes mais vulneráveis.

 

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