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Ex-presidente da Petrobras e do BB é preso na Lava Jato

Bendine foi detido porque teria passagem de ida para Portugal. Foto:  Valter Campanato / Agência Brasil.O ex-presidente do Banco do Brasil e ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine foi preso na 42ª fase da Lava Lato, batizada de Operação Cobra, nesta quinta-feira (27). Chefe da Petrobras até maio de 2016, Bendine é suspeito de ter recebido R$ 3 milhões em propina da Odebrecht, em 2015, com a justificativa de proteger a empreiteira em contratos na estatal, inclusive em relação às consequências da Lava Jato.

Bendine foi detido em Sorocaba (SP). O juiz Sergio Moro citou na ordem de prisão informação do Ministério Público Federal de que o ex-presidente da estatal havia comprado uma passagem apenas de ida para Portugal –a viagem seria hoje. Também foram presos os irmãos André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior, suspeitos de serem operadores dele.

Bendine assumiu a presidência da Petrobras em fevereiro de 2015, em meio à Lava Jato. O suposto pedido de propina foi relatado na delação de executivos da Odebrecht pelo ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht e pelo diretor da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis.

O acordo de delação foi homologado no início do ano no STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo Marcelo Odebrecht, Bendine “se colocava como a pessoa que o governo tinha escolhido a interagir com as empresas para resolver problemas” relativos a impactos da operação nas obras e contratos federais.

Marcelo Odebrecht relatou ter sido “achacado” por Bendine. Na época em que comandou o Banco do Brasil (2009-2015), aponta a investigação, Bendine teria solicitado, por meio do operador André Gustavo, o pagamento de R$ 17 milhões de propina para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht Agroindustrial.Na ocasião, os executivos negaram a solicitação, segundo relataram, por acharem que ele não tinha como influenciar no contrato. A situação “mudou de figura” quando Bendine assumiu a presidência da Petrobras, segundo Marcelo Odebrecht.

Os R$ 3 milhões teriam sido pagos em espécie, em três parcelas, em um apartamento em São Paulo, que era alugado pelo irmão de André Gustavo, Antônio Carlos.

Outro lado

O advogado Pierpaolo Bot­tini disse que Bendine, desde o início das investigações, forneceu dados fiscais e bancários e “se colocou à disposição, (…) demonstrando a licitude de suas atividades”. Bendine chamou a prisão temporária de desnecessária e disse que a passagem de volta do executivo da Europa já estava comprada, ao contrário do que diz a Lava Jato.

O advogado Ademar Rigueura, que defende o publicitário André Gustavo Vieira da Silva e seu irmão Antônio Carlos Vieira da Silva Jr., afirmou que André Gustavo foi procurado pela Odebrecht para ajudar na liberação de um recurso junto ao Banco do Brasil e que teve sucesso, obtendo assim R$ 3 milhões.

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