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Ex-ministro de Lula e Dilma, Palocci é preso na Lava Jato

Palocci deixa o IML após realizar exame de corpo de delito. Foto: Gisele Pimenta/Framephoto/Folhapress

Ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil nos governos Lula e Dilma, o petista Antonio Palocci foi preso temporariamente na 35ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada ontrm (26). Apelidada de Omertà, em referência ao pacto de silêncio da máfia, a ação investiga indícios de relação criminosa entre o ex-ministro e a empreiteira Odebrecht.

De acordo com a investigação, Palocci coordenou o repasse de propinas da Odebrecht para o PT. Pelo menos R$ 128 milhões teriam sido repassados, “a pedido e sob coordenação” do ex-ministro, a agentes indicados pelo partido ou para pagamento de dívidas de campanha. Em troca, atuava em prol dos interesses da empreiteira, segundo a PF.

Entre as negociações, estão tentativa de aprovação de lei que traria benefícios fiscais à empreiteira, aumento de linha de financiamento no BNDES e interferência em licitações da Petrobras. Palocci teria recebido, pessoalmente, pelo menos R$ 6 milhões em propina, segundo uma planilha que traz a rubrica “Itália” -o apelido que seria do ex-ministro entre funcionários da Odebrecht. “Verificou-se atuação intensa e reiterada de Palocci na defesa de interesses da Odebrecht”, disse a procuradora Laura Tessler.

Branislav Kontic, o Brani, ex-assessor de Palocci na Casa Civil e que seguiu trabalhando para o petista depois, e Juscelino Dourado, seu ex-chefe de gabinete na Fazenda, também foram presos. E-mails trocados com Brani são citados pela PF como provas do envolvimento de Palocci. Em um deles, de agosto de 2009, Marcelo Odebrecht diz que o “italiano” prometeu “compensar” a derrota da empresa, no veto de um crédito fiscal que seria de interesse da empreiteira, com contratos na Petrobras.

O juiz Sergio Moro argumentou que o “risco à aplicação da lei penal” e o “risco à ordem pública” justificam as prisões. Segundo Moro, as investigações ainda não rastrearam toda a movimentação dos valores ilícitos repassados sob coordenação da Palocci e é possível que os pagamentos tenham, em parte, ocorrido em contas secretas no exterior ainda não identificadas ou bloqueadas.

Quanto à ordem pública, Moro escreveu que “o contexto não é de envolvimento episódico em crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro, mas do recebimento sistemático de propinas”.

Instituto Lula

A investigação ainda apontou conexão entre Palocci e um terreno que teria sido comprado pela Odebrecht para a construção do Instituto Lula, em 2010. Segundo a PF, a área, na zona sul de São Paulo, foi comprada por R$ 12 milhões, valor que teria sido debitado da propina negociada com Palocci. O projeto de reforma do prédio foi encontrado no sítio de Atibaia (SP), frequentado por Lula. O instituto acabou sendo sediado em outro local. Não ficou claro a quem a área acabou sendo destinada.

 

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