Esportes, Futebol

Ex-jogadores encaram quarentena com isolamento e vídeos

Ex-jogadores encaram quarentena com isolamento e cuidados domésticos
Muricy tem aproveitado a quarentena para ler. Foto: Reprodução/Facebook

Emerson Leão, Zé Maria, Clodoaldo, Muricy Ramalho e César Maluco deixaram seus nomes na história de Palmeiras, Corinthians, Santos e São Paulo. Fizeram parte de times históricos e travaram duelos inesquecíveis. Atualmente, os cinco têm mais de 60 anos e fazem parte do grupo de risco ao novo coronavírus, mas demonstram a mesma disposição e garra que os tornaram ídolos em seus clubes para combater a Covid-19.

Assim como dentro das quatro linhas, o quinteto possui estilos diferentes para lidar com os dias de confinamento em suas casas. Aos 70 anos, Leão – goleiro do Palmeiras por uma década (1968 a 1978) e da seleção brasileira em quatro Copas do Mundo (1970, 1974, 1978 e 1986) – mantém seu estilo regrado de dormir e acordar cedo, além de manter a forma ao cortar a grama e limpar a piscina de casa.

“Sempre me exercitei e aproveito este momento para fazer trabalhos domésticos. Ajudo a cortar a grama, a limpar a piscina e dou comida todos os dias para meus passarinhos, mas não estão na gaiola. São os que vêm me visitar no quintal todas as manhãs. Sempre dormi cedo, levanto cedo e busco ter uma vida normal. Moro em casa, então tenho uma liberdade maior nesse momento de confinamento”, afirma.

Zé Maria, lateral-direito do Corinthians de 1969 a 1983 e da seleção nas Copas de 1970 e 1974, mantém a determinação que o tornou um dos maiores símbolos do alvinegro para cuidar da horta e dar suas “10 ou 12” corridinhas todos os dias no quintal de casa.

“Cuido de minha horta, corro no quintal, me cuido, afinal vou fazer 71 anos em maio. Este é um momento de solidariedade, de tentar falar com familiares e amigos. Falo com o Rivellino, Ado, Geraldão (seus ex-companheiros de Corinthians). Eu me preocupo com eles e sei que eles se preocupam comigo, mas essa é uma situação em que todos se devem preocupar com todos”, diz o ex-jogador de 70 anos.

Clodoaldo, substituto do inigualável Zito na cabeça de área do Santos, utilizou parte do tempo de isolamento social para rever a final da Copa de 1970, no México, e se divertir com o gol da seleção brasileira, marcado por Carlos Alberto Torres no final da partida, vencida pelo Brasil por 4 a 1 sobre a Itália.

“Estou ficando em casa e aproveitei para ver algumas reprises de jogos antigos. O último que acompanhei foi a final da Copa de 1970, acredita? Achei bonita a jogada que fiz no último gol, o do Carlos Alberto (risos). Gostei porque, na transmissão, os comentários eram do meu irmão, o Gerson, o ‘Canhotinha de Ouro’. Também vi um Santos e Portuguesa, acho que foi em 1973, em que dei um passe para o Pelé matar no peito e fazer um golaço. Estou gostando de rever jogos, porque relembro de lances e de momentos que tinha esquecido”, disse o ex-volante, de 70 anos, sempre muito simples, ao relembrar o espetacular momento no qual driblou quatro marcadores.

Se não fossem alguns problemas físicos, Muricy, com certeza, seria um dos grandes astros do futebol brasileiro pós-Pelé. Hoje, comentarista do SporTV e o mais “jovem” do grupo (64 anos), o ex-meia cabeludo do São Paulo, campeão paulista de 1975, sofre com a distância imposta à neta Maria Clara.

Cesar Maluco – um dos maiores artilheiros da história do Palmeiras, titular da segunda “Academia” e parceiro do insuperável Ademir da Guia – é o mais experiente do grupo. Aos 74 anos, sente falta do dia-a-dia no Palestra Itália, onde exerce sempre com muito entusiasmo o papel de conselheiro do clube.

“Agora só fico vendo filme junto com dois netos que moram comigo. Até descobri que tem essas coisas novas para assistir, como Netflix e Now. Estou descobrindo as novidades. Tenho dois outros netos, que são os mais velhos. Eles estão bem preocupados comigo e sempre me ligam e falam: ‘Vô, se cuida, por favor. Não saia de casa'”, revela.

Ao contrário de muitos jovens, os “vovôs” do futebol brasileiro dão uma lição de cidadania, bom humor, criatividade e força de vontade para continuar em um jogo diante de um adversário invisível, mas que será vencido.

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