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Ex-deputado Cândido Vaccarezza é preso em nova fase da Lava Jato

PF chega na superintêndencia com malotes apreendidos. Foto: Marcelo Chello/CJPress/FolhaPressMais de dois anos depois de ser delatado pela primeira vez, o ex-líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza, foi detido pela Operação Lava Jato na manhã desta sexta (18). A PF deflagrou duas fases ao mesmo tempo: a 43ª, chamada de “Sem Fronteiras”, e a 44ª, batizada de “Abate”. Vaccarezza está envolvido nesta última.

Segundo a força-tarefa, o ex-deputado recebeu pelo menos US$ 478 mil (R$ 1,51 milhão no câmbio atual) em espécie por contratos da Petrobras com a Sargeant Marine, uma empresa norte-americana que produzia asfalto à estatal. Segundo as investigações, Vaccarezza tinha influência em negócios da Petrobras ligados à Diretoria de Abastecimento, que era de influência do PP, e “apadrinhou” 12 contratos de fornecimento de asfalto, em um total de US$ 180 milhões.

O esquema foi descrito pela primeira vez por Paulo Roberto Costa ainda no final de 2014, mas as citações a Vaccarezza -que ainda era parlamentar à época- foram consideradas superficiais. “A dificuldade de se comprovar essa solicitação de propina, que teria sido em espécie, fez a investigação seguir por quase dois anos”, explica o delegado Felipe Pace, da Polícia Federal.

Também foram presos o empresário Henry Hoyer de Carvalho, apontado como operador do PP, e o ex-gerente da Petrobras Márcio Aché. Outros dois alvos – Luiz Eduardo Loureiro de Andrade, ex-representante da Sargeant Marine no Brasil, e Dalmo Monteiro Silva, ex-gerente da Petrobras- estão no exterior, e um terceiro, o ex-gerente da Petrobras Carlos Roberto Martins Barbosa, teve a ordem de prisão revogada quando se soube que está hospitalizado.

As investigações apontam que Vaccarezza era procurado por funcionários de baixo escalão da Petrobras “para que os cargos fossem ocupados com pessoas dispostas a defender o então Governo e o Partido dos Trabalhadores e para que fossem afastadas pessoas a eles não simpatizantes”, segundo escreveu o juiz Sérgio Moro ao autorizar a prisão do petista.

É a primeira vez na história da operação que a PF realiza duas fases ao mesmo tempo. No total foram 46 ordens judiciais em cumprimento – 29 de busca e apreensão, 11 de condução coercitiva e seis de prisão temporária.

Operações

A operação desta sexta partiu de depoimento de Paulo Roberto Costa, a primeira feita contra Vaccarezza, mas o ex-deputado já foi citado por mais delatores. O empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, afirma que doou R$ 200 mil à campanha do Petista em 2010 e R$ 150 mil em 2014, pela via oficial, porque “ficava implícito” que ele deveria colaborar para ter acesso a Vaccarezza.

O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, disse que Vaccarezza foi um dos deputados que participou de uma reunião, em 2010, que definiu um “acerto geral” de propinas entre PT e PMDB na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. Já o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, afirmou que encaminhou R$ 500 mil de propina da Camargo Corrêa à campanha de Vaccarezza em 2010.

Já Operação Sem Fronteiras investiga o pagamento de propina a executivos da petroleira por um grupo de armadores gregos, com troca de informações privilegiadas para o fretamento de navios. Segundo o MPF, o grupo movimentou, de 2009 a 2013, contratos de mais de US$ 500 milhões.

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