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Evento na Câmara de Diadema debate intolerância religiosa

Caso envolvendo abordagem da GCM a um centro de Umbanda foi motivo da reunião. Foto: Divulgação/Câmara de DiademaNa tarde de terça-feira (7), mais de 150 pessoas reuniram-se na Câmara de Diadema para debater sobre intolerância religiosa. O motivo da reunião foi o episódio ocorrido no final de janeiro, quando o Terreiro de Umbanda Vó Maria de Aruanda da zeladora de santo Corina Gomes de Paula, a mãe Corina de Yemanjá, foi abordado por guardas civis municipais. Segundo relato dos frequentadores, a ação da GCM foi abusiva e intimidadora.

Além de filhos de santo e chefes de diversos terreiros de Umbanda e Candomblé, participaram da reunião os secretários de Defesa Social, cel. Marcel Soffner, e de Meio Ambiente, Tatiane Capel; o vereador Josemundo Dario Queiroz, o Josa (PT); membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Diadema e São Paulo, representantes de outras religiões e o presidente da Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros de Diadema (Fucabrad), Cassio Ribeiro.

Entre os pontos que foram discutidos foi sugerida a criação de um Grupo de Trabalho, com membros da Fucabrad, da prefeitura, da OAB e de uma das entidades que participaram da reunião, para que seja estabelecido um canal permanente de diálogo entre os representantes de religiões de matriz africana e as autoridades municipais. “O GT é algo fantástico e a possibilidade de mostrar para os governantes, os gestores, as nossas práticas. Quando o poder público entender as nossas formas de culto, vão passar a respeitar mais”, afirmou Ribeiro. “É um ponto de partida, precisamos de mais encontros como esse”, destacou.

A queixa dos filhos de santo do terreiro de mãe Corina é que estaria havendo perseguição por parte da GCM, cuja sede é vizinha ao templo religioso. “Nos últimos quatro anos temos muitos problemas. Os guardas entram armados, no meio dos trabalhos. Todo culto é protegido pela constituição, mas já vieram ameaçar multar e guinchar os carros. Multar pelo barulho. Não existe Umbanda sem atabaques, sem as cantigas. É isso que precisam entender”, reclamou a filha de santo e neta de mãe Corina, Daniela Amorim.

Capacitação

Também foi sugerido que os guardas civis passem por cursos de capacitação, ministrados pela OAB, para qualificar a abordagem em situações que envolvam templos religiosos. O secretário de Defesa Social destacou que não apenas sua pasta, mas toda a gestão, estão sempre abertas ao diálogo. “Foi um encontro muito positivo. Não esperávamos tantas pessoas. É preciso deixar claro que não há perseguição religiosa e que a ocorrência citada será alvo de sindicância”, afirmou. “Precisamos sempre lembrar que a legitimidade (do culto) precisa ser respeitada tanto quando a legalidade (da operação da Guarda quando acionada)”, completou.

O vereador Josa, que solicitou o encontro, ressaltou a participação das comunidades de Umbanda e Candomblé, que deu corpo à atividade. “Classifico como extremamente produtivas. Conseguimos avançar em propostas concretas, como a criação do GT e também a formação de uma comissão suprapartidária para de combate à intolerância religiosa”, afirmou. “O encontro foi motivado por uma abordagem em uma casa de Umbanda, mas precisamos garantir o direito de todas as religiões, independente do segmento”, concluiu.

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