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Estudo questiona uso de piscinões como solução para enchentes

Estudo questiona uso de piscinões como solução para enchentes
Estudo defende soluções pulverizadas de baixo custo, como jardins de chuva. Foto: Reprodução

Estudo elaborado pelo arquiteto Enio Moro Junior e publicado na 11ª Carta de Conjuntura do Observatório de Políticas Públicas e Empreendedorismo da Universidade Municipal de São Caetano (Conjuscs) questiona o uso de pisci­nões como solução para o enfrentamento das enchentes nos centros urbanos.

O autor sustenta que, por metade do valor gasto em um piscinão, é possível adotar ações pulverizadas de baixo custo com eficiência seme­lhante na retenção de água, mas sem desqualificar a paisa­gem urbana, como ocorre nos locais onde esses grandes reservatórios são construídos.

O arquiteto argumenta que a água da chuva deve ser absorvida, prioritariamente, em seu local de origem, onde é mais fácil de ser “domesticada”. Porém, os sistemas de macrodrenagem escoam a água e a levam para longe – concentrando-a no córrego ou piscinão mais próximo. “Essa solução só afasta o pro­blema, não o resolve. A gente faz isso em casa quando coloca uma calha ou impermea­biliza o quintal e empurra a água para a rua”, afirmou.

Além disso, argumenta Moro Junior, os piscinões impactam negativamente o meio ambiente das cidades. “São buracos enormes e impermeabilizados que funcionam apenas duas vezes por ano. Passado o verão fica aquela coisa esquisita que atrapalha e desqualifica a paisagem urbana”, explicou.

JABOTICABAL

O estudo cita como exem­plo o piscinão Jaboticabal, que o governo do Estado pretende construir na confluência dos ribeirões dos Couros e dos Meninos, na tríplice divisa entre São Bernardo, São Caetano e Capital, com capacidade para reter 900 mil metros cúbicos de água. Considerado fundamental para a prevenção às enchentes no ABC, o reservató­rio demandará R$ 315 milhões em investimentos, ou R$ 350 por m³.

O autor argumenta que a adoção de ações pulverizadas de baixo custo conseguiria reter 1 m³ de água da chuva por metade do valor (R$ 175). Entre as alternativas figura a adoção de telhados verdes (áreas de vegetação na cobertura de edifícios), jardins de chuva (áreas verdes em calçadas e canteiros centrais), poços de infiltração (estruturas construídas em terrenos públicos ou privados que armazenam água para posterior absorção pelo solo), telas protetoras de bocas de lobo, pavimentos drenantes e arborização, entre outras.

“A gente vai construir um piscinão de R$ 315 milhões, mas não sabe se vai resolver o problema das enchentes. Vai minimizar, mas não entendo como solução duradoura. Para resolver o problema é preciso adotar ações de retenção locais, de quarteirão em quartei­rão”, defendeu Moro Junior.

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