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Estudo indica 1,16 mi de infectados em SP; mortalidade é o triplo na periferia

Os primeiros resultados de inquérito sorológico feito pela Prefeitura de São Paulo indicou que 9,5% da população – 1,16 milhão de pessoas – foram expostos ao coronavírus. Segundo o município, a taxa é maior que de estudos similares de outros países, como França e Espanha. Oficialmente, a cidade têm 118 mil casos confirmados. O levantamento também mostrou que a mortalidade é três vezes maior na periferia da cidade.

Com o estudo, segundo o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, o índice de mortalidade na capital é de cerca de 0,5 morte a cada mil infectados. “Sem a taxa de prevalência, a taxa de letalidade na cidade de São Paulo era de 26 para mil infectados. O inquérito sorológico nos apresenta o real cenário. A taxa de letalidade é de 0,5%: cinco pessoas a cada 1 mil infectados”, afirmou ele.

O levantamento é uma pesquisa com 5.446 cidadãos, testados pela Prefeitura após terem sido escolhidos por sorteio, de forma a contemplar todas as regiões. Dividida por área, a taxa de infecção varia. Na zona leste, a doença já chegou a 12,5% dos moradores. Na zona sul, a 7,5%.

A Prefeitura também apresentou um mapa sobre a mortalidade de acordo com a população de cada um dos 96 distritos. E a letalidade da doença é o triplo em bairros da periferia.

Há oito bairros onde a taxa é acima de 120 mortes a cada 100 mil habitantes: Iguatemi, Guaianases, Lajeado e Jardim Helena (fronteira leste da cidade), Brasilândia e Cachoeirinha, zona norte, e a Sé, no centro. Fechando a lista, há o Brás, também da região central, o líder de registros. Ali, a taxa de mortes a cada 100 mil habitantes supera 140.

Por outro lado, há cinco bairros onde a taxa é de até 40 mortes por 100 mil, todos com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) muito alto: Perdizes e Pinheiros, na zona oeste, Moema e Jardim Paulista, zona sul, e Bela Vista, na região central.

“Tínhamos uma interpretação distorcida da realidade de óbitos do município”, disse o secretário, ao explicar que Sapopemba (zona leste), Brasilândia e Grajaú (sul) eram os bairros com mais atenção da Prefeitura, pelo total de mortos, enquanto havia outros, proporcionalmente, em situação pior.

Aparecido não fez análises sobre a diferença entre bairros ricos e periferia. Disse que o inquérito vai “permitir identificar em cada distrito quais foram as comorbidades que se associaram à covid, qual realidade específica de cada um desses diretórios, em que a nossa atenção básica de saúde vai ter de se debruçar e fazer.” Ainda destacou não haver registro de pacientes que tenham morrido sem auxílio médico.

O estudo integra o plano de reabertura econômica, que vem sendo feita pela gestão Bruno Covas (PSDB) junto do Estado. No dia 29, mais 5.446 pessoas serão testadas para avaliar a evolução da doença. O exame foi o imunocronomatográfico IgM/IgG – WONDFO, que detecta se a pessoa já teve contato com o vírus pela presença de anticorpos no sangue.

Análise de 857 amostras de sangue doado na Fundação Pró-Sangue, do Hospital das Clínicas de São Paulo, encontrou prevalência de anticorpos para coronavírus em 12% dos doadores em junho.

Morte e pobreza

O elo entre condições sociais e mortalidade já havia sido apontado por estudos independentes. O Observatório da Covid-19 BR, com mais de 60 cientistas de universidades, divulgou este mês análise com base em dados oficiais mostrando o peso de raça, renda e densidade domiciliar.

Na população com 60 anos ou mais, “pretos (risco de óbito 57% maior) e pardos (risco 37% maior) apresentam maior mortalidade do que brancos”, diz o documento. Ainda para idosos, a mortalidade “é maior nos bairros com maior número de moradores por domicílio, sendo 62% maior entre residentes em distritos com maior densidade domiciliar (Belém, Brasilândia, Cachoeirinha, Cidade Dutra, Grajaú, Iguatemi, Itaim Paulista, Itaquera, Jaçanã, Jaraguá, Jardim Helena, Lajeado, Marsilac, Parelheiros, Perus, São Miguel, São Rafael e Tremembé), comparado ao grupo de distritos onde a média de pessoas por domicílio é menor que 2,71”.

O médico Paulo Lotufo, professor da USP, destaca que há dois fatores que contribuem para a mortalidade: incidência e letalidade. “A incidência é muito decorrente de questões ambientais: se a pessoa consegue fazer isolamento.” Na periferia, há mais moradores nas casas e necessidade de passar mais tempo no transporte público. Já a letalidade, diz, está ligada à qualidade do atendimento médico recebido por quem busca ajuda.

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