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Esplanada vira palco de batalha com a Polícia Militar e a Força Nacional

Foram mais de quatro horas seguidas de confronto ao longo do Eixo Monumental. Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilO protesto organizado por centrais sindicais e movimentos sociais contra as reformas previdenciária e trabalhista, pela saída do presidente Michel Temer (PMDB) e por eleições diretas transformou a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em palco de batalha com a Polícia Militar e a Força Nacional, ontem (24).

Seis ministérios depredados, um incendiado, 49 atendimentos de urgência – entre eles o de um homem baleado e de um estudante de Santa Catarina que teve a mão decepada por um rojão – são alguns dos números do ato, que reuniu 35 mil pessoas, segundo a PM, e 150 mil, de acordo com organizadores. Por decreto, válido até o próximo dia 31, Temer convocou as Forças Armadas para conter manifestações de rua.

Com o prédio do Ministério da Agricultura em chamas, devido a um incêndio causado por manifestantes, PMs que não dispunham de armamento não letal sacaram suas armas e dispararam, para o alto e em direção à multidão, que avançava sobre a polícia.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, oito pessoas foram detidas sob suspeita de crimes como lesão corporal, dano ao patrimônio público e porte de arma branca. Até as 20h, a secretaria não havia informado a identidade do homem baleado nem quem disparou o tiro.

“O ato foi maior do que o esperado, e 150 mil em Brasília são milhões representados pelo Brasil”, disse Guilherme Boulos, um dos coordenadores do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). Membros do governo avaliaram que o número de pessoas foi significativo. Autoridades calcularam que entre 500 e 600 ônibus chegaram a Brasília. A reportagem encontrou manifestantes de São Paulo, Rio, Espírito Santo, Minas, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Rio Grande do Sul.

Foram mais de quatro horas seguidas de confronto ao longo do Eixo Monumental, onde ficam os ministérios. Manifestantes armaram barricadas com banheiros químicos e atiraram paus, pedras e fogos de artifício, enquanto a polícia lançava bombas de gás, spray de pimenta e balas de borracha.

Confronto

O conflito começou por volta das 13h30, quando a manifestação se aproximava de um bloqueio policial a 500 metros do Congresso. Primeiro, chegaram sindicalistas de roupa laranja da Força Sindical, que forçavam as grades e eram repelidos com spray. Depois, uma multidão se engajou na tentativa de invadir o Congresso. Dos carros de som, líderes pediam calma, mas não eram ouvidos.

Quando ficou claro que as bombas não cessariam, líderes como Zé Maria (PSTU) disseram para os manifestantes resistirem à ação da polícia. Quem passava pela rua era atingido por bombas e disparos -um homem ficou com uma bala de borracha alojada no pescoço.

Usuários de ônibus no terminal rodoviário, a dois quilômetros do Congresso, sofreram com spray de pimenta. Dois homens, de 18 e 35 anos, foram feridos no olho por tiros de bala de borracha e levados ao Hospital de Base. Até a noite, não havia saído um balanço dos feridos. Por volta das 18h, a Esplanada estava praticamente esvaziada pela polícia.

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