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Especialista em redes sociais, Amira Laila afirma que candidatos terão de repensar a forma de fazer campanha

Amira Laila: “entrar na vida pública é pensar no coletivo”. Foto: Divulgação
Amira Laila: “entrar na vida pública é pensar no coletivo”. Foto: Divulgação

Amira Laila é especialista em redes sociais e, em entre­vista ao Diário Regional, afirmou que o mundo vive uma situação diferenciada com o coronavirus e que o isolamento social pode ser amenizado por meio do contato entre as pessoas pelas mídias. Ex-assessora de William Dib no período em que foi prefeito de São Bernardo, deputado fe­deral e presidente da Anvisa, a pré-candidata a vereadora pelo Cidadania destacou que tanto o governo federal como estadual acertaram e erraram neste período. Confira os principais trechos da entrevista.

O mundo hoje vive período de isolamento social por conta do novo coronavírus. Como avalia a influência das redes sociais na vida das pessoas atualmente?

As redes sociais são fundamenteis durante a pandemia em duas frentes. Primeira: é nela que as pessoas obtiveram informações que afetaram diretamente suas vidas nesta pandemia. Eu, na TV São Bernardo, passei muitas vezes em tempo real informações oficiais para ajudar a população. Na segunda frente, sinto que o isolamento pode ser amenizado por meio desse contato entre as pessoas nas redes sociais. Repentinamente, fomos forçados a nos separar fisicamente e encontramos nas redes ferramentas para ser essa ponte com os amigos e familiares.

Além de trabalhar junto ao dr. Dib, a senhora assessorou o deputado federal Alex Manente (Cidadania). O que a motivou a entrar para a política?

Por meio das redes sociais da TV São Bernardo, desde 2016 acompanho, registro, relato e publico tudo sobre o município. Converso com a população e ajudo, quando dá, na solução de suas solicitações. Temos conseguido resultados importantes e significativos. Porém, uma posição como vereadora (se confirmada na Convenção) ampliará e muito esse trabalho em uma tribuna da importância da Câmara da cidade.

Juntando com minha experiência de bastidores e o conhecimento que obtive nos anos de convivência com o Alex e o dr. Dib, sei que estou preparada para dar mais esse passo. Me coloco à disposição das pessoas e mostrarei que juntos continuaremos esse trabalho, trazendo resultados cada vez maiores.

Qual avaliação a senhora faz do atual governo esta­dual e federal?

Sempre tive e sou conhecida por ter posicionamentos fir­mes. Não votei no governador, mas já que foi eleito torço por um bom governo. Afinal, isso influencia a vida de todos. Não vim para a política pregar o radicalismo cego. Vim agregar, propor, e tento neste momento ser a voz de muitos em uma importante Casa como a Câmara Municipal de minha cidade. Acho que tanto o gover­no federal como o estadual, sob diversos pontos, acerta­ram e erraram. Entrar na vida pública é pensar no coletivo, agir em conjunto e propor muito, além de dialogar sempre.

Quais as expectativas com as eleições?

As eleições de 2020 serão um desafio. Acredito que haverá grande número de abstenções nas urnas devido à covid-19. Os candidatos tradicionais terão de repensar a forma de fazer campanha. Usar e abusar de lives, chamadas de vídeos, redes so­ciais, apresentar conteúdo e propostas on-line. No meu caso, a minha campanha já estava sendo pensada em formato digital até pelo meu perfil e condição financeira. O papel sendo trocado pelo “card” de facebook, a reunião no quintal do vizinho substituído pelo ZOOM, e quem se adaptar me­lhor e conseguir alcançar as pessoas terá mais chances.

Como a senhora analisa a PEC do deputado Alex Ma­nente sobre a prisão em segunda instancia?

A aprovação da PEC é de suma importância para acabar com a prática dos réus protela­rem a condenação com recursos. Assistimos a várias situações em que o réu foi condenado em segunda instância e passou vários anos em liberdade ou até mesmo não chegou a ser preso. Foi o caso do jornalista Antônio Pimenta Neves, que assassinou a namorada, Sandra Gomide. Passaram-se quase 11 anos até que Neves fosse preso. A PEC vem para acabar com isso e tem meu total apoio. O modelo de prisão antes do trânsito em julgado já é adotado em vários lugares do mundo, como a Inglaterra, Estados Unidos, Canadá e Argentina. Então, será um bom avanço para o Brasil.

Hoje as instituições de­mocráticas vivem sobre forte ataque inclusive a imprensa. Como vê essa questão?

É fruto de um radicalismo exacerbado, que não traz bons resultados para a população. Por mais que se fale e ataque, as Casas Legislativas são caixas de ressonância dos anseios da população. A imprensa é atacada por aqueles que acreditam que são donos eternos do po­der e não quererem ver deslizes, manobras e outras atitudes divulgadas. Democracia se combate com mais democracia.

Descendente de libaneses, como a senhora analisa o trágico acidente e as reações no país?
Sou filha de libanês, morei e estudei no Líbano em dois momentos de minha vida. A primeira quando estourou a guerra do Golfo (tinha apenas 10 anos) e outra vez nos anos 97/98. A maior comunidade libanesa fora do Líbano fica aqui no Brasil, com uma população maior do que a do próprio Líbano, e São Bernardo do Campo tem a segunda maior comunidade libanesa do Brasil.

O trágico acidente em Beirute abalou o mundo. É impossível pensar uma catástrofe maior do que a do Líbano. Uma nação em colapso econômico, crise política, pandemia e agora esta gigantesca explosão no porto de Beirute. O Líbano produz muito pouco, sendo 80% do que consome importado e o porto é fundamental para o abastecimento do país. A classe média libanesa já sentia muito com a crise econômica, 30% da população está desempregada. A Lira libanesa desvalorizou do ano passado para cá mais 80%, além do Líbano abrigar a maior população de refugiados per capita do mundo – um em cada seis habitantes é uma pessoa que deixou seu país natal. Agora, a explosão ameaça provocar um desabastecimento de alimentos que vai afetar a população de todo o país. Muito triste a realidade libanesa neste momento.

Especialista em redes sociais, a senhora é uma das criadoras da TV São Bernardo. Como é a sua atuação?

Quem me conhece sabe que acordo às 4 da manhã e preparo o conteúdo da página diariamente para poder cuidar de todo o resto, filhos, casa e os desafios de mães, mulheres e profissionais de cada dia. A TV surgiu e deu muito certo, pois vai ao encontro daquilo que faz parte do cotidiano das pessoas da cidade, os eventos, os problemas, as fotos do dia a dia dos bairros. Mostra o pequeno comerciante, artesão, as pessoas comuns. Enfim, levamos diariamente conteúdo relevante para as pessoas e isso faz com que a página tenha um grande engajamento

A senhora é mãe de uma criança autista. Pretende defender a bandeira das pessoas portadoras de necessidades especiais?

Sou mãe de um lindo rapazinho autista de 7 anos chamado Akram. Naturalmente essa será minha bandeira, então contribuiremos e traremos para o debate esse tema e, assim, trabalharemos junto com as mães a cada dia na construção de uma sociedade inclusiva, que aceite e entenda a diversidade como algo positivo para todos. Vamos relatar as dificuldades, fazer essa ponte entre as famílias que enfrentam todas as dificuldades com crianças nessa situação e o poder público. Dar voz e trazer para o debate os anseios que enfrentamos diariamente todos.

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