Comportamento, Serviços

Especialista alerta sobre os riscos da exposição de crianças e adolescentes nas redes sociais

Segundo Flávia Schimith Escrivão, cabe à família ensinar a crianças e jovens etiqueta online. Foto: StartupStockPhotos/Pixabay
Segundo Flávia Schimith Escrivão, cabe à família ensinar a crianças e jovens etiqueta online. Foto: StartupStockPhotos/Pixabay

As crianças e adolescentes vêm se tornando público cada vez mais frequente na internet e no uso de tecnologias digitais, movimento intensificado pelo isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus. Porém, com o aumento  da conectividade cresceram os riscos da exposição nas mídias sociais e às redes sociais. Práticas como ciberbullying, discurso de ódio, abuso na coleta e tratamento de dados e exploração comercial dessa faixa da população brasileira preocupam governos, especialistas no assunto, assim como pais e responsáveis.

Em entrevista ao Diário Regional, a psicanalista Flávia Schimith Escrivão, membro da Comissão de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo, afirmou que cabe aos pais estar atentos à exposição dos filhos na mídia. “É inevitável que a tecnologia atinja as crianças neste momento, principalmente por conta da pandemia.  Mesmo as famílias que não admitiam essa tecnologias para as crianças mais pequenas tiveram de abrir exceções. A própria Sociedade de Pediatria condena essa interação antes dos 2 anos. Porém, a partir do princípio que ocorre essa interação, esta tem de ser construída com a família. Deve existir uma espécie de ‘etiqueta online’ a ser ensinada para as crianças”, afirmou.

Segundo a especialista, o público infanto-juvenil deve ser direcionado e alertado sobre os comentários feitos nas postagens, sobre como interagir com os amigos e quanto à responsabilidade de se expor nas mídias.

“Eles precisam entender sobre os riscos que envolvem se expor, porque um comentário, uma foto, vai ficar ali para sempre. Então, essa exposição passa pelos pais, principalmente com as crianças menores.”

Segundo Flávia,  há famílias que optam por colocar fotos das crianças nas redes sociais. Porém, é necessário estar alerta porque os pequenos não estão preparados para enfrentar as consequências. “A partir de que uma criança ou jovem se expõe, corre o risco de se deparar com comentários desagradáveis. Se nós adultos não sabemos lidar muito bem com isso, imagina um pré-adolescente, que esta construindo a estima”, pontuou.

A especialista destacou que, uma vez que não há como controlar o uso das tecnologias, se torna essencial conversar com as crianças e jovens para trazer a visão da família ao que é visto nas redes. “É claro que há conteúdos que a família tem de proibir, mas essa questão tem de ir além. As crianças e jovens estão expostos a assuntos importantes, acabam tendo diversas versões e viram reféns do que ocorre nas redes sociais.”

Outra questão destacada por Flávia é o perigo de uma criança muito pequena estar exposta nas redes sociais em um momento em que está formando a personalidade e a estima. “Existe ‘n’ consequências. Me preocupa, por exemplo, uma criança pequena estar exposta a situações como a morte e a violência, e não precisaria ter esse contato antecipadamente. Ela não precisaria digerir tão cedo determinadas coisas. Outro fato é a exposição a diferentes estilos de vida. Não é errado, mas essas interações em crianças menores devem vir acompanhadas da presença dos pais, porque quando há interações por vias externas é como se houvesse uma invasão na ‘linguagem’ da família”, afirmou.

Para a psicanalista, o tempo passado nas redes sociais também deve ser controlado, porque os pequenos não têm uma “autorregularem”   como os adultos.

Na adolescência, segundo a especialista, ocorre a formação da estima e o mundo virtual traz riscos. “A estima é colocada à prova ao máximo. O que notamos é que as meninas são mais atingidas por conta da questão da pressão estética. O corpo ideal, a roupa ideal. As redes constroem desde ideais estéticos até questões de comportamento. É importante a família estar mais atenta porque o adolescente tem mais liberdade do que uma criança pequena.  Porém, as  redes têm um lado bom, que é os jovens se encontrarem em grupos  típicos da adolescência, com suas linguagens e problemas. Entretanto, esses grupos não podem substituir a visita a um psiquiatra, a um terapeuta, em casos de depressão e ansiedade, muito comuns nessa faixa etária e que muitas vezes um blogueiro ou um site apresenta  a solução mágica para esses problemas”, afirmou.

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