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Especial de aniversário de Diadema – Tapia, uma família de trapezistas circenses

Especial de aniversário de Diadema - Tapia, uma família de trapezistas circenses. Foto: DivulgaçãoA história dos Tapia começou em 1913, com Júlio Tapia. Hoje, a quinta geração da família de trapezistas circenses está à frente do Circo Escola Diadema, que já atendeu em suas oficinas cerca de 50 mil pessoas na área de difusão e 230 mil na área de formação.

A ideia do Circo Escola surgiu de uma demanda dos espaços culturais. Desde 1998 as atividades de circo eram realizadas nos espaços de cultura da cidade de forma pontual e com um público bem expressivo, que a cada ano foi aumentando, por conta da disseminação da linguagem nos bairros como Vila Nogueira, Ca­nhema, Taboão, Jardim Ruyce e Campanário.

Com aumento da demanda, surgiu o sonho de construir um espaço próprio, com uma identidade única na região. O projeto se tornou realidade e, em 25 de novembro de 2008 foi inaugurado o Circo Escola, o primeiro do ABCD dentro desse formato.

“Coordeno o programa e faço parte da quinta geração de uma família de trapezistas circenses que veio do Chile em 1913. Nosso precursor foi Júlio Tapia, integrante da primeira turma de professores da Escola Piolin de Artes circenses (fundada em 1973) no Largo do Paissandu (SP). Nossa família viajou por muitos anos por todo o Brasil e, em 1998, fincou sua história em Diadema, com os professores Marcio Costa e Roberto Tapia, responsáveis por dividir suas experiências com os quatro cantos da cidade”, conta Viviane Tapia, que coordena o projeto.

Segundo Viviane, a escolha por Diadema para o projeto se deu porque “a cidade que respira arte e cultura em sua história”. Para a coordenadora, o município tem um legado de multiplicadores culturais. “Além disso, a população é acolhedora e quer realmente ter possibilidades infinitas de fazer a diferença. Podemos citar algumas das atividades de grande peso em nossa cidade como a Casa do Hip Hop, o Teatro clara Nunes, o Centro de Memória; o Cine Eldorado, os pontos de cultura, a Fábrica de Cultura; o CEU das Artes, a Cia de Dança, o Projeto Beija flor, a Casa da Música; o Instituto Matéria Rima e, é claro, o Programa Circo Escola Diadema, bem como grupos e coletivos de artes cênicas teatro, música e dança que transitam os quatro cantos da cidade. Diadema é uma cidade Multicultural, e por ter em sua população tantas des­cendências, fica claro o encontro de almas e linguagens”, afirma.

A família Tapia desenvolve ações socioeducativas na cidade de São Paulo há mais de 30 anos, com atividades na área de formação cultural e de difusão, isso porque, além do espaço social, tem uma CIA de Espetáculos, que difunde a arte circense, sempre com grandes propostas como o Mini Circo e o Quinto Elemento, além de espetáculos tradicionais circenses livre para todas as idades.

O Circo Escola Diadema desenvolve diversos serviços e projetos. Podemos destacar o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo, realizado com 100 crianças em parceria com o Governo do Estado de São Paulo entre 2016 e 2019, e o Projeto de Formação e Difusão Cultural realizado em parceria com a Secretaria de Cultura de Diadema desde 2008, que possibilita ao munícipe acesso direto as oficinas de circo.

“Temos, ainda nosso projeto, a menina dos olhos, pois podemos trabalhar direto com o público em suas diversas idade. Nessa ação a porta de entrada está aberta para crianças de 3 a 80 nos, nas oficinas de circo, vivências qualificação e aperfeiçoamento técnico. Também dentro desse contexto, atendemos atividades para Melhor idade, com o Projeto Terapia do Riso voltado para qualidade de vida”, destaca Viviane Tapia.

Entre os projetos desenvolvidos está o Soya Recicla, ação que envolve a comunidade na conscientização para o meio ambiente. “Nos últimos anos conseguimos arrecadar mais de 200 litros de óleo usado, que são reutilizados e oferecidos como sabão ecológico para própria comunidade.”

Projeto da Padaria Artesanal, realizado entre 2014 e 2018 em parceria com o Fundo Social de Solidariedade ofertou 500 vagas, mas foi interrompido por questões financeiras.

Viviane ressalta, também, o Projeto de Educação Integral, na qual as ações do circo são utilizadas como ferramenta para melhorar as experiências das crianças com o espaço educativo, ampliando o repertório e facilita o aprendizado. “Fora o maior dos focos, que é o direito de brincar, garantido pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Também podemos salientar que o direito à cultura, ao lazer e a uma educação de qualidade também são assegurados no processo dessa educação que consideramos essencial para nosso município. Os resultados são visíveis”, afirma.

Por muito tempo o Circo Escola teve parceria com a Prefeitura Diadema. Porém, houve o rompimento do convênio. Entre 2009 e 2019 o Circo Escola manteve ações em parceria com a Secretaria de Educação e foi pioneira em implementar o Programa de Educação Integral no município. Durante esse período Diadema foi referência para muitas cidades na área de educação integral. “O Circo Escola deixou de atender, por escolha da Secretaria de Educação e da de Gestão da época (2019), 11 escolas e cerva de 1.100 crianças diretamente, sem contar com os espetáculos que atendia, em média, 400 crianças. Sem falar que em 2018 realizamos uma semana especial em outubro, com mais de 5 mil crianças.”

Viviane destaca que espera dialogar com a pró­xima gestão. “Esperamos retomar conversas nas diversas secretarias com foco não no pessoal, mas no profissional. Lutamos por respeito e reconhecimento. Somos gratos a todos estes anos de uma parceria séria e comprometida com a cidade. Nosso programa é uma bênção em nossas vidas e na vida de muitas pessoas. Sempre foi fruto de trabalho sério e de compromisso com o próximo. Tendo ou não recurso, vamos continuar lutando para uma Diadema que acreditamos, pois, o que nos importa são as pessoas que nosso trabalho alcança. O resto é o resto”, afirma.

A PANDEMIA

A família Tapia vive momento ímpar por conta do rompimento das atividades de 2019. Em janeiro o Circo Escola iniciou o projeto férias, e as oficinas da cultura em fevereiro e março, quando chegou a pandemia de coronavírus. Para não deixar de atender adequou o canal do Youtube, Radio WEB olha eu aqui (https://www.youtube.com/channel/UCPGex5yJ54e_i53c1xmeD2Q), para receber todas as atividades, oficinas, performances e espetáculos do circo. Também, a toda programação foi disponibilizada no canal Cultura Diadema Online, da Secretaria de Cultura de Diadema, para que um número maior de pessoas fosse atendido.

“Ficamos em um atendimento online que deu tão certo, que já decidimos continuar com ele em 2021. No entanto, em setembro retomamos o atendimento presencial com 20 % da capacidade, com apenas seis turmas de dez alunos, de um total de 30 turmas. Nosso espaço foi todo adequado para receber o público e os técnicos foram treinados para esse novo normal”, pontua.

No entanto, as atividades do Circo Escola saíram do campo do atendimento por meio de oficinas e passou para grande campo de ajuda ao próximo: foram feitas 2 mil máscaras, para serem distribuídas aos alunos; arrecadadas 5 mil cestas de alimentos, que beneficiaram as famílias dos alunos, profissio­nais circenses e artistas no geral. Também foi e cons­cientização da comunidade quanto ao uso da máscara e do álcool gel. ações culturais, mais sim para as ações de cidadania

“Muitos foram os caminhos de nossa manutenção, no âmbito artístico, levando em conta que nossa companhia tem 12 integrantes e muitos de nossos trabalhos foram interrompidos. Foram cancelados cerca de 30 eventos. Usamos algumas formas de sobrevivência neste período, como venda de biscoito de polvilho, lives de espetáculos circenses, gravações de vídeos patrocinados; lives sertanejas, doações, rifas, drive thru de feijoada… Temos como planos futuros dialogar com a nova gestão para manutenção, ampliação e retomada de ações do Programa Circo Escola, além ampliar o programa para outra cidades com um foco em difusão com espetáculos e oficinas”, afirma.

 

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