Arte & Lazer, Social

Especial de aniversário de Diadema – Sonia Fares defende a bandeira da arte como profissão

Sonia: Busco que os jovens estejam atentos às novíssimas profissões que despontam ligadas ao maior vetor do século XXI, que é a economia criativa". Foto: Arquivo Pessoal
Sonia”busco que os jovens estejam atentos às novíssimas profissões que despontam ligadas ao maior vetor do século XXI, que é a economia criativa”. Foto: Arquivo Pessoal

Sonia Fares desenha desde menina e, quando jovem, optou pela Escola Panamericana de Arte, a fim de entender melhor a área artística, visto que à época as pessoas não entendiam muito bem o que um artista poderia fazer na sociedade. “Me apaixonei ainda mais pelo desenho, depois pela publicidade visual, onde trabalhei por alguns anos, até que veio meu primeiro filho, o que me
fez repensar os longos períodos fora de casa. Então, vi nas aulas a possibilidade de períodos mais curtos fora de casa, em que poderia curtir a maternidade mais de perto, além de seguir desenvolvendo trabalhos artísticos’, afirma.

Por dez anos Sonia lecionou artes em colégios particulares e na renomada Academia Brasileira de Arte. Porém, como Diadema não tinha cursos regulamentados para a área de desenho, a artista decidiu fundar a primeira escola de artes da cidade em 1997. Nascia a Seap Studio Escola de Arte Paulista.

Sonia defende a bandeira da arte como profissão. “Tento fazer o despertar para que as próximas gerações, bem como esta que está se preparando hoje, não sofram o preconceito que a minha geração enfrentou. Busco que os jovens estejam atentos às novíssimas profissões que despontam ligadas ao maior vetor do século XXI, que é a economia criativa.”

SALÃO DO HUMOR

Desde a abertura da escola Sonia realizava exposições anuais com ótima aceitação. Contudo, tinha dificuldade de parcerias em espaços públicos e começou buscar uma forma de agregar algo mais para a cidade, não somente para a escola.

Segundo a artista, a ideia do Salão do Humor veio como uma espécie de catarse através da arte, pois nos últimos anos notava no
semblante das pessoas muita tristeza e irritabilidade, causada pela constante luta pela sobrevivência, além da falta de oportunidade que Diadema carregava para novos talentos. “O Salão foi um sucesso, pois já na primeira edição recebemos a participação de
outros países e, na terceira, já contávamos com 26 países, e mais de 300 trabalhos. Quero destacar que as duas últimas edições foram apoiadas pelo Shopping Praça da Moça, o que proporcionou uma boa visibilidade para o projeto”, afirma.

Porém, Sonia sabia que arte poderia proporcionar ainda mais para a cidade. Como lecionava artes para crianças com transtorno do espectro autista, Transtorno do Déficit de Atenção, entre outras, decidiu implementar um curso específico em Diadema. “A demanda foi aumentando nos últimos anos e percebi que na grande maioria dos casos as famílias não conseguiam manter as crianças na escola, apesar de eu praticar valores bem menores que as de São Paulo e do resto do ABC. Foi então que pensei que por meio da ACAESP
(Associação Cultural Artística e Esportiva do Estado de São Paulo), que fundei em 2005, poderíamos receber a verba necessária para manter estas crianças e adolescentes em pleno desenvolvimento intelectual e cognitivo”, afirma.

Segundo a artista, por meio da arte já acompanhou muitas mudanças. Crianças que sequer olhavam para a própria mãe, passaram a se preocupar em comprar seus materiais de desenho. “Conseguimos a aprova ção desse projeto pela Lei Rouanet, mas, infelizmente, muitos empresários ainda não têm a cultura da doação. Esse projeto é uma janela para o mundo, e que janela”, destaca.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*