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Especial de aniversário de Diadema – Diadema Jornal faz parte da história da cidade

Alicio Capel:      Acho que não tinha outro louco para assumir um jornal à beira da falência, com máquinas obsoletas , instalado num galpão de telhas de amianto, à merce de enchentes e  da própria chuva
Alicio Capel: Acho que não tinha outro louco para assumir um jornal à beira da falência, com máquinas obsoletas , instalado num galpão de telhas de amianto, à merce de enchentes e da própria chuva
Elidio Capel: "É certo que estamos envelhecendo,  mas acredito que enquanto a gente tiver  saúde, vontade e garra, não tem idade. Então, é trabalhar, trabalhar e trabalhar"
Elidio Capel: “É certo que estamos envelhecendo, mas acredito que enquanto a gente tiver saúde, vontade e garra, não tem idade. Então, é trabalhar, trabalhar e trabalhar”

Este ano decidimos contar a nossa história. A história do Grupo ABC de Jornais, que começou com o Diadema Jornal.
Falar do Diadema Jornal é voltar no tempo e retratar a história da cidade. É como se três irmãos tivessem vividos juntos por quase 60 anos, na mesma casa, na mesma escola e no mesmo trabalho.

O jornal e a cidade nunca se separaram. Foi uma convivência harmoniosa ao longw o de seis décadas. Um precisou do outro para chegar onde chegaram. Viram o tempo passar e mutuamente se ajudaram.

A primeira edição do Diadema Jornal circulou em 24 de janeiro de 1963, com seu fundador e visionista, Mário Miranda Rosa. Em 1982, o então recém-formado jornalista Alicio Capel conheceu o periódico. O jovem trabalhava à época na prefeitura, seu primeiro emprego. Ao se formar jornalista foi convidado pelo então prefeito Lauro Michels, tio avó do atual chefe do Executivo, para assumir a assessoria de imprensa, onde permaneceu por parte de seu mandado.

“Gilson Menezes, primeiro prefeito do Brasil eleito pelo Partido dos Trabalhadores sucedeu o Lauro. Menezes e sua equipe vieram cheio de ideias novas e trouxeram o próprio grupo de trabalho. Fique apenas seis meses em sua gestão”, afirma.

Segundo Alicio, o sr. Mario Miranda Rosa não tinha ninguém na família que o pudesse suceder. Um dia, num café na padaria, ofereceu ao jornalista o Diadema Jornal. “Eu jovem, recém-casado, prestes a ser demitido, não tinha muito a perder. Era pegar ou largar. Sem dinheiro no bolso ou no banco, ofereci a ele todo o dinheiro que receberia da minha rescisão Era muito pouco, mas ele também estava em situação semelhante à minha. Acho que não tinha outro louco para assumir um jornal à beira da falência, com máquinas obsoletas , instalado num galpão de telhas de amianto, à merce de enchentes e da própria chuva”, conta.

Foi feito, então, um negócio de compadres. “Todos sonham em ter o próprio negócio, mas comprar o que compramos era pura loucura. Juntei tudo e mais uns trocados e ainda fiquei devendo. Sentei na cadeira velha e rasgada do sr. Mario e comecei meu próprio negócio com um sócio, que após dois anos me deixou. Foi quando veio meu irmão Elidio para formar o trio. Eu, ele e o Diadema Jornal e aqui estou há 38 anos contando a minha história e a dessa cidade” destaca.

Até o quinto ano as coisas continuavam estagnadas. Os irmãos conseguiram melhorar a receita, sair da chuva e mudar de prédio. Porém, somente após dez anos foi possível começar a modernizar o parque gráfico com aquisição de impressoras mais modernas. “Foi um divisor de águas. Passamos a ter qualidade de impressão e a cores. Montamos uma ótima redução, com jornalistas que até hoje trabalham em grandes empresas de mídia.”

EXPANSÃO

Entretanto, Diadema ficou pequena e, em 1991, os irmãos Capel lançaram o Diário Regional. “Pouco tempo depois passamos a circular diariamente com três títulos, o Diadema Jornal, o Diário Regional e a Folha do Trólebus, esta última, um veículo pioneiro a circular no interior do sistema de trólebus até hoje”, afirma.

Quem conhece jornal sabe que no início as páginas eram montadas manualmente com letras de chumbo. Tudo foi evoluindo, até chegar à digitalização total. “Uma de nossas características foi acompanhar os progressos tecnológicos. Porém, nos anos 2000 começou uma revolução na mídia e o papel passou a dividir a preferência com as mídias digitais. Há muito que se aprender ainda e acompanhar cada novidade diária”, ressalta Alicio.

Elidio Capel afirma que o jornal, hoje, representa sua vida. O local onde ele e a equipe de colaboradores passam boa parte do dia, fato a que atribui o sucesso do Diário Regional. “Começamos aqui com muito trabalho. Com muita luta. Não só nós, mas de todos os colaboradores que nos ajudaram a fazer e dar este destaque que tem o jornal. Onde não tem envolvimento de todos, seja de colaboradores ou anunciantes, não cresce. Esse é um dos segredos que faz com que as empresas cresçam”, destaca .

As ruas da cidade não guardam segredos para Elidio, que até hoje costuma visitar os clientes, agora amigos. “Diadema cresceu muito. A cidade hoje tem um outro perfil. Lá no final dos anos 60, começo da década de 70 era totalmente diferente. Diadema era uma cidade pequena. Hoje temos bairros como o Serraria e o Casa Grande que parecem outros municípios, onde se tem tudo.

Supermercados, bancos, rede de drogarias. Antigamente você não tinha prédios, era mais sossegado e todo mundo se conhecia. Agora é uma cidade moderna. O progresso de Diadema foi muito grande”, afirma Elidio.

ÉTICA

Segundo Alicio Capel, fazer jornalismo em Diadema ou em qualquer cidade do ABC é extremamente difícil. “Muitas vezes tivemos tivemos que ouvir propostas que afrontavam nossa ética e nossa honestidade, mas como hoje, e sempre, nossa resposta foi não. O leitor sempre teve o melhor jornalismo, acima de qualquer suspeita. Sofremos muito com isso, deixamos de ganhar muito dinheiro, mas preservamos nossos valores. Hoje o livro da história de Diadema tem a nossa caligrafia, como também as de outras cidades. Tenho certeza que conseguimos fazer uma cidade melhor e também nos tornamos pessoas muito melhores. Passamos por todos os governos desta cidade, sejam de direita, esquerda, centro e todos reconhecem o nosso trabalho. Sabem que esse é, sempre foi e sempre será nosso jeito de ser”, ressalta.

Elidio corrobora a declaração do irmão. “Ninguém carrega a bandeira sozinho. Todos têm de remar juntos e para o mesmo lado. É certo que estamos envelhecendo, mas acredito que enquanto a gente tiver saúde, vontade e garra, não tem idade. Então, é trabalhar, trabalhar e trabalhar”, pontua.

Os irmãos Alicio e Elidio fazem questão de deixar uma mensagem aos leitores, anunciantes e colaboradores. “Só temo a agradecer à querida Diadema e a todos nossos colaboradores que estiveram ao nosso lado. Agradecer também aos milhares de leitores e anunciantes que acreditaram e acreditam em nosso trabalho. Obrigado ao Diadema Jornal, ao nosso irmão mais novo, e ao Diário Regional e à Folha do Trólebus, que nos ajudaram nestes 57 anos de existência.”

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