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Enquanto selam fusão, DEM e PSL já disputam comando do novo partido em SP

Pelo acordo, deputado federal Alexandre Leite teria de deixar a presidência do diretório paulista do DEM. Foto: Câmara dos Deputados
Pelo acordo, deputado federal Alexandre Leite teria de deixar a presidência do diretório paulista do DEM. Foto: Câmara dos Deputados

Após a Executiva do DEM se reunir na terça-feira, 21, e dar o primeiro passo para a fusão com o PSL, o comando do partido em São Paulo já é alvo de uma disputa entre dirigentes das duas legendas. O atual presidente do diretório paulista é o deputado federal Alexandre Leite, que é filho do vereador da capital Milton Leite. Porém, pela articulação em curso entre PSL e o presidente nacional do DEM, ACM Neto, eles teriam que deixar seus cargos.

“Está sacramentado que o controle do diretório em São Paulo será nosso. Faz parte do acordo”, disse ao Estadão o deputado federal Júnior Bozzella, presidente do PSL-SP e vice-presidente nacional do partido. Ainda segundo o parlamentar, esse assunto foi “discutido e depurado” pelas executivas nacionais das duas legendas. “Isso é improcedente. Não há essa possibilidade”, rebateu o vereador Milton Leite.

Antes de a fusão vir à tona, ACM Neto e Leite entraram em rota de colisão devido ao alinhamento do DEM paulista com o governador João Doria (PSDB), que é desafeto de Neto, e com seu vice, Rodrigo Garcia, que será o candidato do PSDB ao governo paulista em 2022. Em conversas reservadas, integrantes das Executiva Nacional do DEM não descartavam até uma intervenção no diretório paulista para impedir que o partido subisse nos palanques de Doria e Garcia.

Em vias de deixar o PSDB, o ex-governador Geraldo Alckmin chegou a ser procurado por ACM Neto, que ventilou a possibilidade dele disputar o governo pela nova legenda que será criada a partir da fusão. A ideia animou os aliados de Alckmin, que entraram em compasso de espera antes de decidir para onde migrar.

Essa negociação, porém, sofreu um revés quando as negociações entre PSL e DEM avançaram. “Não estão descartadas as conversas com Geraldo (Alckmin), mas hoje estamos mais próximos do MBL e do Rodrigo Garcia. Meu nome inclusive está em discussão para ser candidato a vice na chapa com o PSDB”, disse Bozzella.

O entorno de Alckmin viu na articulação uma estratégia do Palácio dos Bandeirantes para esvaziar a candidatura do ex-governador, que, segundo o instituto Datafolha, lidera hoje nas intenções de voto com 26%, ante 17% de Fernando Haddad (PT), 15% de Márcio França (PSB) e 11% de Guilherme Boulos (PSOL).

Ambos estão alinhados com o governador João Doria (PSDB) e com a candidatura a governador do vice, Rodrigo Garcia (PSDB).

O início das discussões para se unir ao partido foi aprovado por 40 votos favoráveis e nenhum contrário. Participaram do encontro líderes nacionais do DEM, como o presidente da sigla, ACM Neto, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

O objetivo de dirigentes dos dois partidos é oficializar a fusão até outubro. Depois da reunião da Executiva, o DEM vai convocar para o próximo mês um encontro do Diretório Nacional, instância que tem mais integrantes, para votar internamente se vai embarcar no projeto de união com a outra legenda. Dentro do PSL também estão marcadas reuniões para debater o assunto, mas lá a fusão já está pacificada.

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