Economia, Notícias

Em três anos, vendas de imóveis novos caem 70,5% na região, revela ACIGABC

Em um mercado enfraquecido pelo aumento do de­semprego, pela queda da renda, pelos juros proibitivos e pelas dificuldades impostas pelos bancos para a concessão de crédito, o mercado imobiliário do ABC amargou, em 2016, o terceiro ano consecutivo de retração na produção e venda de apartamentos.

Dados da Associação de Construtores, Imobiliárias e Administradoras de Imóveis do ABC (ACIGABC) divulgados ontem (8) revelam que as vendas de imóveis residenciais novos somaram 2.962 unidades no ano passado, com redução de 40% em relação as 4.939 comercializadas em 2015 e de 70,5% ante as 10.054 de 2013, ano de melhor desempenho do mer­cado imobiliário da região.

Em meio à crise econômica e política que reduziu a confiança tanto de consumidores quanto de empresários, as construtoras foram obrigadas a diminuir o ritmo de lançamentos, a fim de se adequar à fraca demanda.

Não por acaso, o total de imóveis lançados no ABC em 2016 caiu 44,5%, para 2.242 unidades, ante as 4.042 do ano anterior. Na comparação com 2013, quando a produção somou 8.707 apartamentos, houve recuo de 74,2%.

“A forte queda nas vendas reflete a desaceleração da economia da região e a insegurança do consumidor em adquirir imóveis. Quem pretendia comprar a casa própria segurou o negócio e preferiu o aluguel”, comentou o presidente da ACIG­ABC, Marcus Santaguita.

Devido à forte desaceleração na produção, o estoque de imóveis novos no ABC caiu para 1.472 unidades em 31 de dezembro de 2016, volume 20,4% infe­rior aos 1.849 imóveis existentes no último dia de 2015.

A queda na produção foi ainda mais dramática em São Caetano – onde, segundo a pesquisa da ACIGABC, não foi lançada uma unidade sequer. De acordo com Santaguita, os lançamentos foram inviabilizados pelo novo Plano Diretor local, que inviabilizou a verticalização na cidade.
“(Os antigos gestores) entenderam que a verticalização trouxe problemas para a mobilidade urbana da cidade. Atualmente, os lançamentos estão praticamente limitados ao Espaço Cerâmica”, disse.

O elevado número de dissoluções do negócio por parte do comprador – o chamado distrato – também inibiu a produção do setor, disse Santaguita. De cada dez imóveis vendidos na planta, quatro foram devolvidos às construtoras e incorporadoras, gerando disputas judiciais.

O dirigente, porém, está otimista com a possibilidade de o governo elaborar proposta de regulamentação para os distratos, negociada com representantes do setor, do Ministério da Justiça e de entidades de defesa do consumidor. “A tendência é de se chegar a um meio termo e estabelecer regras para o jogo, o que vai trazer segurança jurídica para as empresas”, afirmou Santaguita.

Salão

Santaguita aposta em gradual melhora do setor neste ano. A projeção é baseada na expectativa de queda da Selic, com a correspondente redução dos juros cobrados pelos bancos no financiamento imobiliário, e no recuo da inflação.

“Nossa projeção é de melhora gradativa das vendas e dos lançamentos em 2017, com recuperação efetiva a partir do próximo ano”, afirmou.

Santaguita prevê recuperação efetiva do setor apenas em 2017. Foto: Eberly LaurindoO dirigente destacou ainda que o indicador de Velocidade de Vendas sobre Oferta (VSO) – que apura o porcentual de vendas em relação à quantidade de imóveis disponíveis no mercado – começou o ano em 5,5%, mas terminou em 20,1%, acima do patamar histórico da região (15%), o que sugere alguma recuperação.

Com o objetivo de alavancar as vendas na região em meio à crise, a ACIGABC vai realizar, no próximo mês, feirão de imóveis no Extra Anchieta, em São Bernardo.

O Salão do Imóvel do ABC, que ganhou seis edições entre 1996 e 2007, terá apenas a participação de empresas da região.

O evento será realizado nos dias 18 e 19 de março, com a participação de 20 construtoras e incorporadoras, que vão oferecer cerca de 5 mil imóveis. Desse total, 500 devem se enquadrar no programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.

“A ideia é que o salão gere ao menos 400 vendas”, disse Santaguita, ao destacar que são esperadas 20 mil pessoas nos dois dias de evento. A Caixa Econômica Federal deve participar do salão, agilizando a análise de crédito.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*