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Em três anos, ABC perde um quarto do PIB, que recua ao patamar de 2005

Em três anos, ABC perde um quarto do PIB, que recua ao patamar de 2005A economia do ABC re­gis­­trou em 2016 o terceiro ano consecutivo de retração, pe­ríodo no qual perdeu quase um quarto de seu Produto Interno Bruto (PIB).

Naquele ano, a riqueza gerada pelos sete municípios so­mou R$ 112,05 bi­lhões, mon­tante quase 2% superior aos R$ 109,88 bi­lhões obtidos em 2015. Porém, quan­do é aplicado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (6,28%), que mede a inflação oficial do país, a alta vira retração de 4,05%.

Os dados foram divulgados on­tem (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulga os números municipais com dois anos de defasagem. Em 2015, o PIB da região – que teve os valores revisados para baixo – havia caído 16%, resultado que se seguiu ao tombo de 6,1% em 2014.

Entre 2014 e 2016, a economia do ABC encolheu 24,3% e caiu ao patamar de 2005.

Em 2016, o país registrou o segundo ano seguido de recessão, com que­­da de 3,3% no PIB. Foi marcado pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, sucedida pelo vice Michel Temer; pela inflação ainda elevada, somente controlada no final do ano; e pelo forte déficit nas contas públicas, que levou o governo a aprovar o teto dos gastos.

No ABC, foi novamente preponderante para o desempenho ne­gativo de 2016 a crise no setor automotivo, carro-chefe da economia regional.

Naquele ano, a produção de veículos caiu 11,2%, enquanto o total de emplacamentos recuou 20,2%, como resultado do aumento dos juros e da rigidez dos bancos na concessão de crédito. As exportações cresceram 24,5%, mas não foram suficientes para reduzir a ociosidade nas fábricas – que, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), encerrou o ano em 50% nas montadoras de veículos leves e de 75% nas de pesados.

A crise política e o aprofundamento da recessão minaram a confiança de consumidores e empresários, com reflexo sobre o nível de emprego. Em 2016, a região perdeu 53,8 mil postos de trabalho, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

Não por acaso, o valor adicionado industrial da região – espécie de PIB do setor fabril – encolheu 3,3% em 2016, para R$ 24,29 bilhões, depois de ter recuado 27% no ano anterior. A queda foi puxada por São Bernardo (sede de cinco montadoras), onde o PIB industrial caiu 12,1%.

Como resultado, a participação da indústria no PIB dos sete municípios manteve-se praticamente estável em 2016, com 21,6% do total.
No sentido inverso, os serviços aumentaram sua fatia na economia do ABC – de 51,3% em 2015 pa­ra 53,8% no ano seguinte – mesmo com a alta apenas discreta do PIB do setor, de 0,2% (veja gráfico).

 

Região volta a perder participação no PIB brasileiro, que cai a 1,79%

Devido à queda de 4,05% no Produto Interno Bruto (PIB) local, a região voltou a perder participação relativa na economia brasileira em 2016, pelo sexto ano seguido. A “fatia” do ABC, que era equivalente a 1,83% em 2015, despencou para 1,79% no ano seguinte.

Caso fosse uma só cidade, o ABC ocuparia, mais uma vez, a quarta posição no ranking dos maiores PIBs do país em 2016. A Capital paulista encabeça a lista, com 10,96% de participação (R$ 687 bilhões). Em seguida figuram o Rio de Janeiro (5,26%) e Brasília (3,76%). O ABC está à frente de Belo Horizonte (MG), quarta com 1,41%, e Curitiba (PR), quinta com 1,34%.

Osasco foi a surpresa da di­vulgação de ontem (14). Primeira não-Capital a aparecer no ranking, a cidade da região metropolitana subiu da oitava para a sexta posição, com PIB de R$ 74,4 bilhões – resultado puxado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pelo comércio, serviços de informação e pelas atividades financeiras.

A participação do ABC na produção de riquezas do Brasil era, em 2016, menos da metade do que a registrada em 1975, devido à forte perda de atividade econômica e ao processo de desconcentração industrial.

A região respondia por 4,72% do PIB brasileiro em 1975. Na prática, significa que, de cada R$ 100 em riquezas pro­duzidos no país naquele ano, R$ 4,72 tinham como origem a região. Após 41 anos, a fatia do ABC no “bolo” brasileiro era de R$ 1,79. Assim, há queda acumulada de 62,1%.

A explicação está no fato de que houve, sobretudo na primeira metade dos anos 1990, transferência de empresas para outras cidades, atraídas por incentivos oferecidos em troca de investimentos.

 

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