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Em seis semanas, carne bovina fica quase 40% mais cara no ABC

Em seis semanas, carne bovina fica quase 40% mais cara no varejo do ABC
Carne vermelha subiu no mercado interno com o aumento da demanda da China. Foto: Marcello Casal Jr./ABr

O tradicional churrasco de fim de semana do brasileiro não para de en­carecer. Impulsionada pelo aumen­to das exportações para a Chi­na, o preço da carne bovina dis­­parou no varejo e acumula aumento médio de quase 40% no ABC na últimas seis semanas.

Segundo pesquisa da Companhia Regional de Abasteci­mento Integrado de Santo André (Craisa), a carne bovina de primeira era vendida, em mé­dia, a R$ 32,42 o quilo nos es­tabelecimentos da região no início desta semana, valor 4,78% superior ao apurado no final de novembro (R$ 30,94).

Porém, na comparação com o observado na terceira semana de outubro, quando a traje­tória ascendente começou, o reajuste chega a 39,2%.

Na mesma comparação, o preço da carne bovina de se­gun­da aumentou 30,4%, para R$ 21,06 o quilo, em média.

A disparada no preço da car­ne tem obrigado o consumi­dor da região a mudar seus há­bitos de consumo. A aposentada Te­rezinha Souza, de São Bernardo, “riscou” a carne vermelha de sua lista de compras e tem optado pelo frango ou peixe. “Além de ser opções mais baratas, são proteínas mais saudáveis”, explicou.

No início desta semana, segundo o levantamento, o fran­go era vendido, em média, por R$ 6,82 o quilo no ABC. Nas últimas seis semanas, a alta acumulada é de 2,1%.

Ainda segundo a pesquisa, a cesta básica composta de 34 produtos essenciais custou, em média, R$ 659,99 nos super e hipermercados do ABC, valor 2,8% superior ao apurado na semana passada (R$ 646,57).

INFLAÇÃO OFICIAL

A alta no preço das carnes foi o item que mais influenciou a inflação oficial de novembro, medida pelo Ín­dice Nacional de Preços ao Con­sumidor Amplo (IPCA). Após ter fechado em 0,1% em outubro, a taxa acele­rou a 0,51% em novembro, maior variação para o último mês do ano desde 2015 (1,01%).

A alta nas carnes apurada no mês passado, de de 8,09%, foi a mais acentuada desde novembro de 2010, quando o produto subiu 10,67%, informou ontem (6) o Instituto Brasileiro de Ge­ografia e Estatística (IBGE).

“A situação (reflete) a demanda alta da China pela car­ne brasileira, restringindo a oferta no mercado. As ou­tras (carnes) também foram influenciadas, porco e frango, mas o destaque foi a carne bovina”, destacou Pedro Kislanov, ge­rente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

A carne de porco avançou 3,35%, enquanto o frango inteiro aumentou 0,28% e o frango em pedaços subiu 0,34%.

Para se ter uma ideia do peso do aumento das carnes no IPCA de novembro, sem o item, o grupo Alimentação e bebidas teria registrado deflação de 0,18% e o índice geral teria subido 0,30%.

Além do aumento da demanda chinesa, as exportações também têm sido impulsionadas pela alta do dólar em relação ao real. “Isso incentiva a exportação, restringe a oferta interna e eleva o preço do produto”, afirmou Kislanov.

Os grupos Alimentação e bebidas, Habitação e Despesas Pessoais responderam por 82% do IPCA. Também pressiona­ram o índice os jogos de azar, que subiram 24,4%, e a energia elétrica, que aumentou 2,15%. O índice acumulado em 12 meses acelerou de 2,54% em outubro para 3,27% em novembro.

um comentário

  1. Realmente o preço da carne na nossa região ficou mais cara.

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