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Em oito anos, número de lojas cresce 15% no ABC, mas crise freia expansão

A retomada do crescimento a partir de meados dos anos 2000 fez crescer o número de estabeleci­mentos comerciais no ABC. Porém, a desaceleração da economia nos últimos quatro anos levou à estagnação, em alguns casos, ou ao enxugamento, em outros, de determinados setores do varejo regional como resultado da queda na renda e no emprego.

É o que revela estudo elaborado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e apresentado, ontem (19), durante evento no Sindicato do Comércio Varejista do ABC (Sincomércio ABC).

O estudo considera apenas seis dos sete municípios – dados de Rio Grande da Serra não foram incluídos.

Segundo o levantamento, o número de comércios com funcionários aumentou 15,5% na região em oito anos, saltando de 13,4 mil em 2007 para 15,5 mil no ano passado. Outras 14,9 mil lojas têm a Rais negativa, ou seja, não têm funcionários.

A expansão refletiu, principalmente, a chegada de novas redes de varejo e a inauguração, entre 2009 e 2013, de cinco shoppings, que mais do que dobraram o número de centros de compras do ABC.

Também na comparação entre 2007 e 2015, o segmento de móveis e decoração registrou o maior aumento no número de lojas (49,5%), seguido de vestuário e calçados (32,9%), farmácias e perfumarias (26,5%) e material de construção (24,1%).

“A expansão do comércio reflete o poder de consumo e o crédito disponível no mercado. No momento de bonança econômica, com emprego e renda garantidos, o número de lojas cresce”, explicou Jayme Vasconcellos, assessor econômico da FecomercioSP.

A inflexão no movimento de expansão do varejo do ABC começou em 2011. Segmentos como o de vestuário e o de eletrodomésticos e eletroeletrônicos registram forte queda no número de lojas, enquanto os de autopeças e de materiais de construção mantêm-se estáveis – não por acaso, essas são as atividades que mais têm perdido receita com a crise.

“São segmentos que oferecem produtos de maior valor e, por isso, dependem de crédito. Com o aumento do endividamento e com o poder de compra da população ceifado pela inflação, pelos juros e pela redução da renda e do emprego, naturalmente esses setores perdem faturamento, postos de trabalho e lojas”, disse.

Os segmentos de supermercados e de farmácias – considerados essenciais e, por isso, menos suscetíveis à crise – são os únicos que mantiveram a trajetória de crescimento no número de comércios.

Para Vasconcellos, a quantidade de lojas de móveis e decoração cresceu acima da média no ABC amparado pelo aumento da renda, pela forte segmentação do varejo brasileiro – “redes de departamentos, como o Mappin, nunca deram muito certo no Brasil”, ressaltou – e pelo aumento no número de domicílios.

MPEs

A pesquisa mostra ainda que 91,5% dos comércios do ABC têm menos de dez funcionários, mas esse grupo em­prega um terço da força de trabalho do setor. “São micro e pequenas empresas que enfrentam um ambiente de negócios extremamente hostil, mas têm função social de extrema relevância, gerando tributos e empregos”, disse Vasconcellos.

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