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Em Natal de ‘lembrancinhas’, varejo tem queda de até 4,8% nas vendas

O comércio apostava no Natal para compensar ao menos em parte as vendas fracas obtidas ao longo do ano, mas a data não deu fôlego ao setor. Pesquisas divulgadas ontem (26) mostram que o período – considerado o mais importante do ano tanto em faturamento quanto em volume de vendas – foi pior do que a de 2015.

Segundo a Serasa Experian, as vendas do varejo na semana que antecedeu o Natal (18 a 24 de dezembro) caíram 4% em todo o país na comparação com o mesmo período do ano passado. Para a empresa, este foi o segundo pior desempenho do setor na data desde a criação do indicador, em 2003.

Segundo os economistas da Serasa Experian, o aumento do desemprego, o crediário caro e a confiança do consumidor em patamar deprimido pesaram sobre as vendas de Natal. A empresa lembrou ainda que esta foi a terceira queda seguida das vendas da data – houve recuo de 6,4% em 2015 e de 1,7% em 2014.

Pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com dados da Boa Vista SCPC mostra queda de 4,8% nas vendas da semana que antecede o Natal em comparação ao mesmo período do ano passado.

A FecomercioSP lembrou, porém, que a pesquisa contemplou todos os setores, incluindo os que não são diretamente relacionados ao Natal (como concessionárias de veículos, móveis e material de construção), o que pode ter puxado para baixo o resultado geral da data.

Nos shoppings, as vendas caíram 3% neste Natal, segundo a Associação Brasileira de Lojistas do setor (Alshop). Trata-se do pior resultado desde 2004, quando a Alshop começou a monitorar as vendas de Natal. A redução de crédito e a queda na renda explicam a retração, diz a entidade.

O indicador de vendas a prazo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) registrou queda de 1,46% na semana que antecedeu o Natal. Trata-se do terceiro ano seguido de retração nas compras parceladas para a data.

“O resultado negativo re­­flete a tendência de desaquecimento das vendas no varejo observado ao longo de 2016, em virtude do cenário econômico desfavorável, com crédito mais caro, inflação elevada, aumento do desemprego e baixa confiança do consumidor”, analisou o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro.

Para o dirigente, os consumidores estão mais preocupados em não comprometer o próprio orçamento com compras parceladas e, por isso, optaram por presentes mais baratos e pagos à vista, as famosas “lembrancinhas”.

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