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Em meio à crise econômica e à Lava Jato, 2,07 milhões votam amanhã no ABC

Em meio a um cenário de crise econômica sem precedentes na história e de descrença com a classe política como resultado da Operação Lava Jato, pouco mais de 2 milhões de eleitores vão às urnas no ABC amanhã (2) para escolher os novos comandantes dos sete municípios e 142 vereadores.

Cinquenta candidatos a prefeito e quase 3,2 mil à vereança tentam convencer o eleitorado de que são a melhor opção para sua cidade.

Em três dos sete municí­pios (São Caetano, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), a eleição majoritária será obrigatoriamente decidida amanhã, já que a legislação determina a realização do segundo turno (quando necessário) apenas nas cidades com mais de 200 mil eleitores.

Nos demais (Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá), a expectativa é de decisão apenas no dia 30, a julgar por pesquisas recentemente divulgadas, as quais mostram que nenhum candidato terá fôlego suficiente para obter 50% mais um dos votos válidos – mínimo necessário para encerrar a disputa no primeiro turno.

Dos sete prefeitos, seis ten­tam a reeleição. A exceção é Luiz Marinho (PT), que encerrará seu segundo mandato em São Bernardo no dia 31 de dezembro.

A missão dos seis para renovar seus mandatos não será nada fácil. Pesquisas mostram que em cinco dos sete municípios a oposição lidera a disputa – as exceções são Lauro Michels (PV), em Diadema, e Gabriel Maranhão (PSDB), em Rio Grande da Serra. Ainda assim, ambos enxergam seus adversários se aproximando no espelho retrovisor, com o crescimento das candidaturas de Vaguinho (PRB) e Claudinho da Geladeira (PT), respectivamente.

Para os petistas, que têm seu berço no ABC, a missão será ainda mais complicada. Com o PT no centro do escândalo do “petrolão” e das investigações da Operação Lava Jato, o partido entra na disputa com a imagem fortemente desgastada, a despeito da tentativa mal-sucedida de suas lideranças de municipalizar os debates.

Não por acaso, alguns prefeituráveis petistas chegaram a abandonar o vermelho e “esconder” em seus materiais de campanha a tradicional estrela, exibida com orgulho em outros tempos.

A situação do partido é complicada. Em Santo André e Mauá, nem mesmo a força da máquina pública parece ter feito deslanchar as candidaturas à reeleição de Carlos Grana e Donisete Braga.

Pior mesmo só em Diadema e São Bernardo. Na primeira, que foi governada pelo petismo durante três décadas, Maninho (PT) parece ser apenas coadjuvante em meio à briga entre Michels e Vaguinho pelo comando do Paço. Na vizinha São Bernardo, o ex-secretário Tarcisio Secoli – escolhido por Marinho para representar a sigla – também teria “empacado” nas pesquisas, que apontam os deputados oposicionistas Alex Manente (PPS) e Orlando Morando (PSDB) como fa­voritos ao segundo turno.

O fato é que o PT pode iniciar 2017 sem um único representante no comando das sete prefeituras, o que seria inimaginável durante os 13 anos de protagonismo nacional do partido.

Crise econômica

Também deve fazer estragos nas votações petistas a crise econômica iniciada no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) que empurra o país para o terceiro ano consecutivo de retração no Produto Interno Bruto (PIB).

Principal motor da economia do ABC, o setor automotivo enfrenta queda nas vendas pelo quarto ano seguido, com reflexos desastrosos nas demais atividades econômicas e no mercado de trabalho. Desde 2014, a região perdeu quase 80 mil empregos formais.

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