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Em Diadema, moradores atingidos por enchentes criticam demora no Bolsa Aluguel e limpeza do piscinão

Patricia Ramalho, que perdeu móveis, roupas e documentos, teve a casa interditada pela Defesa Civil. Foto: Eberly LaurindoFamílias que moram no entorno do piscinão Casa Grande/Piraporinha, em Diadema, estiveram esta semana na Câmara em busca de apoio, após enfrentarem duas enchentes em menos de uma semana. Os moradores, que perderam móveis, roupas e documentos, criticam a demora na liberação do Bolsa Aluguel e a falta de manutenção no reservatório.

Patricia Ramalho teve o imóvel onde mora interditado pela Defesa Civil. “Aqui dentro de casa, a água estava no tornozelo, mas quando olhei por cima do muro estava quase cobrindo nossa moto. Chamei meu noivo, que estava no campo de futebol, e quando ele entrou no portão já estava com água na altura do peito.”

A moradora afirma que ajudou os vizinhos a subir para uma casa no andar superior, pois a água já tinha tomado as residências que ficam na parte de baixo da construção. Com a força da correnteza, algumas paredes dos imóveis desabaram. “Ficamos ilhados. Os bombeiros vieram com bote, mas os policiais que conseguiram chegar na laje da casa ao lado afirmaram que estava tu­do sob controle. Foi um descaso nos deixarem aqui, pois estávamos quatro adultos e quatro crianças em uma casa que poderia desabar”, disse, ao destacar que a Defesa Civil veio no dia seguinte e interditou os imóveis, além de fornecer colchonetes, cobertores, cesta básica e algumas peças de roupa.

Patricia destacou que o município vai conceder Aluguel Social durante três meses, mas que, devido à burocracia, levará 30 dias para que o recurso seja liberado. “A prefeitura precisa de uma série de documentos para dar entrada no auxílio. Porém, não temos mais nada. Também não temos dinheiro para pagar aluguel e sair daqui agora. Fui na Defensoria Pública e me informaram que temos de levar documentação relatando a situação, para entrar com ação contra o município. O pouco que conseguimos de doação depois da primeira enchente, perdemos na do dia 7. Quem vai alugar um imóvel para a gente nessas condições?”, questionou.

Paredes das casas desabaram com a pressão da água. Foto: Eberly LaurindoA secretária de Habitação do município, Regina Gonçalves, afirmou que as famílias estão sendo acompanhadas desde a primeira enchente. “As secretarias de Habitação, Assistência Social e a Defesa Civil já haviam se reunido com eles e oferecemos três meses de aluguel social no valor de R$ 420, que é o teto que pagamos. Foram atendidos na quarta-feira e na quinta fomos surpreendidos com a ida deles à Câmara”, ressaltou.

Segundo a secretária, as famílias moram em imóveis particulares, onde já pagavam aluguel. “São residências construídas em uma área irregular, área de várzea, onde é sabida a ocorrência de alagamentos. Entendemos que é uma situação difícil e somos solidários às famílias, mas o prazo de 30 dias para concessão do aluguel social é necessário para abrir os processos na prefeitura. Aluguel por aluguel, eles já estão pagando”, afirmou.

Limpeza do piscinão

Os moradores afirmam que a limpeza do reservatório não está sendo feita corretamente. “Depois das enchentes estão tirando o lixo do córrego e jogando para dentro do piscinão ao invés de recolher. Se chover de novo, com certeza vai encher”, afirmou Patricia.

Córrego e piscinão estão com acúmulo de resíduos. Foto: Eberly Laurindo

José Manoel dos Santos, que mora na região desde 1978, critica como foi feita a canalização do Ribeirão dos Couros. “Não precisa ser engenheiro para perceber que o afunilamento (do córrego) daria nisso. Aqui é uma várzea e recebe água do Eldorado, Serraria, parte de São Bernardo. O piscinão encheu e o córrego não deu vazão. O pior é que pago IPTU alto pela minha casa, e agora não sobrou nada”, afirmou.

Jucilene Rodrigues Medrado e sua família estão vivendo com as poucas doações que receberam enquanto reconstroem parte da casa destruída pela força das águas. “O muro não aguentou. Fomos para um lugar mais alto e ficamos olhando a água destruir tudo o que tínhamos”, disse.
Questionado sobre a manutenção do reservatório, o Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), do governo do Estado, não retornou até o fechamento da edição.

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