Saúde e Beleza

Em Diadema, equipe de saúde faz a diferença na vida de quem passou pela covid-19

Joelma: "Antes de ser intubada, pedi para aguardar até o outro dia, para que pudesse me despedir da minha filha. Não foi possível porque minha saturação estava muito baixa, então eu fiz uma oração e agradeci”. Foto: Mauro Pedroso/PMD
Joelma: “Antes de ser intubada, pedi para aguardar até o outro dia, para que pudesse me despedir da minha filha. Não foi possível porque minha saturação estava muito baixa, então eu fiz uma oração e agradeci”. Foto: Mauro Pedroso/PMD

Joelma Rodrigues ficou 22 dias de intubada, com uma tentativa de desintubar sem sucesso. A munícipe voltou para casa em maio do ano passado, ainda traqueostomizada e com necessidade de cuidados.

Eram duas horas da madrugada, de 6 de abril de 2021, quando a médica da UTI do Hospital Municipal de Diadema (HMD) informou a Joelma Rodrigues Pereira da Costa que ela seria intubada por complicações da covid-19. Naquele momento, o mundo parou. Foram três meses de internação até ela retornar definitivamente para casa e dar início ao processo de reabilitação. “A covid-19 foi uma avalanche que passou na minha vida”, definiu a moradora do bairro Nações. Joelma foi um dos 47.811 casos registrados em moradores desde o início da pandemia.

Os primeiros sintomas, como dores de cabeça e no corpo, vieram alguns dias depois de comemorar o aniversário de uma das filhas em casa. Tinham três pessoas fora do convívio familiar, mas segundo a empregada doméstica, “é uma coisa que a gente nunca vai saber como e de quem pegou”. Joelma fez o exame e aguardou o resultado em isolamento, em casa. Entretanto, a situação se agravou ao longo dos dias e ela procurou o Pronto Socorro Central, localizado no Quarteirão da Saúde, no dia 5 de abril. Após algumas horas, foi transferida para o Hospital Municipal de Diadema, referência para tratamento de covid-19 na cidade, porém, o estado de saúde foi piorando.

“Antes de ser intubada, pedi para aguardar até o outro dia, para que pudesse me despedir da minha filha. Não foi possível porque minha saturação estava muito baixa, então eu fiz uma oração e agradeci”, lembra. Foram 22 dias de intubação com uma tentativa de desintubar sem sucesso. Assim, Joelma voltou ao seu lar, em maio do ano passado, ainda traqueostomizada e com necessidade de cuidados. “Eu fiquei 10 dias em casa. Era tudo muito regrado. Eu estava bem, só que broncoaspirei a alimentação (que era feita por sonda) e precisei voltar para o hospital”, afirmou.

Foram três meses nessa internação. “Os medicamentos não combatiam as bactérias e eu não tinha expectativa de vida, porém tinham médicos e profissionais muito comprometidos que cuidaram de mim e de outras pessoas. Eles lutavam por muitas vidas, mas eu vi muita gente morrer também”, ressalta Joelma. Ela ainda lembra o carinho da equipe: uma massagem no pé feita pela equipe de enfermagem ou uma música cantada durante o atendimento de fisioterapia. “O olhar era a única forma de me comunicar. Tenho uma gratidão muito grande pelo pessoal que cuidou de mim. A gente sabe que a Saúde é uma saúde precária, mas a dedicação é enorme”, garante.

Solidão

Para a filha, Iara Rodrigues Pereira, socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Diadema, a atenção da equipe influenciou na melhora de Joelma. “O SUS, mesmo com todas as limitações, tem profissionais comprometidos. Minha mãe foi bem atendida e isso fez toda a diferença”, avalia. “Eu acompanhei minha mãe na UTI e, mesmo intubada, falava pra ela não desistir. A covid é exatamente isso: a solidão. Você não ter ninguém ali pra te incentivar a viver. E é uma luta muito forte”, ressalta.

Para Joelma, até mesmo quem não contraiu a doença é um sobrevivente. “Todo mundo foi afetado de alguma forma. Na mesma época em que fiquei doente, uma cunhada faleceu de covid-19 e um amigo próximo também foi intubado, mas se recuperou”, conta.

Proteção

A moradora do bairro Nações ficou doente a um mês de receber a vacina contra covid-19. Entretanto precisou aguardar um pouco mais para a primeira vacina. De acordo com as orientações do Ministério da Saúde, pessoas que foram acometidas pela covid-19 precisam aguardar 30 dias para receber o imunizante. Em menos de um mês, Joelma deve receber a quarta dose.

Atualmente, Diadema tem 380.704 residentes vacinados, ou seja, 96% da população elegível para vacinação (cinco anos em diante) recebeu ao menos uma dose da vacina.

Das 380.704 pessoas que receberam a primeira dose, 359.074 estão com esquema completo, e isto corresponde a uma cobertura de 91% da população-alvo.

Novos caminhos

Atualmente, Joelma faz fisioterapia respiratória, na Santa Casa de Diadema, está em acompanhamento psicológico e aguarda vaga para fisioterapia motora na Rede Lucy Montoro. Devido a uma lesão no nervo da sensibilidade, faz uso de bengala.

“Eu não imaginava que fosse tudo isso, não acreditava na gravidade da covid-19. Hoje, vejo de uma outra forma e aprendi a cuidar mais da saúde. A covid foi uma avalanche que passou e, graças a Deus, eu estou aqui. Muitos não tiveram essa oportunidade”, avalia. “Eu era uma pessoa muito dinâmica e sinto saudade de como eu era. Mas essa Joelma aqui é tão forte quanto aquela”, afirma.

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